nós, tão sós.

Busquei versos
de grandes poetas
pra tentar
só uma vez
explicar o que sinto.
decifrar
o que pressinto.
mas nunca achei
verso nenhum
que de você lembrei.
somos dois sós.
duas linhas
paralelas e solitárias.
culpa toda
dos nossos passos.
tão incertos,
mas tão mais espertos
que nós.

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ser e sou

Toda existência é inútil. Toda vida é pífia. Toda pessoa é realmente importante pra, no máximo, 15 outras pessoas. Desses 15 subtraímos aquelas que só se importam pela primeira pessoa ser útil em algo pra elas. Assim sobra, quem sabe, cinco. Somos grupos de média de cinco indivíduos que realmente se importam uns com os outros. Na grandiosidade desse planeta somos nada. Perto do universo então… Por que querer ser diferente ou querer tentar ser algo além do que a maioria já é? Ou já faz? Qual a razão de sair fora da caixa? Se na caixa era tão quentinho e acolhedor, ora! Qual a razão de não se podar pra se encaixar, de defender seus gostos e suas peculiaridades? Se por muitas vezes nem esses seres únicos do seu círculo se importam.
Me sentir parte da existência! É o que eu quero! Por isso rasgo a caixa. Saio da bolha. Vivo.
No fim eu sei que ninguém me vê e ninguém me lê. Sou eu só pra mim. Mas sou o que sou e quero sempre mais. E tenho sido.

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universos

Dos aprendizados mais difíceis de engolir: não podemos esperar das pessoas as atitudes que nós mesmos teríamos em determinadas situações. Ninguém é igual, somos todos universos diferentes, complexos e desconexos. Mas apesar da frustração, existe certa beleza nisso.

Juh, lixo espacial.

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Amar a solidão

Quem, portanto, não ama a solidão, também não ama a liberdade: apenas quando se está só é que se está livre (…) Cada um fugirá, suportará ou amará a solidão na proporção exata do valor da sua personalidade. Pois, na solidão, o indivíduo mesquinho sente toda a sua mesquinhez, o grande espírito, toda a sua grandeza; numa palavra: cada um sente o que é.

Arthur Schopenhauer

em “Aforismo para Sabedoria da Vida”, editora Saraiva, 2013.

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voando

Hoje é um daqueles dias
que eu me perdi por aí.
Não sei se foi na ida,
ou no intervalo,
naquela pausa rápida
ou na volta pra casa.
Mas por aí eu fiquei.
Não me reconheço em mim.
Sou uma alma estranha
vivendo aprisionada nesse corpo,
nessa vida antiga,
querendo rasgar a carne
e escapar pro mundo.
Uma transgressora refém
da casca de moça subordinada.
Uma desbravadora de histórias
ansiando por novos caminhos.
Mas erroneamente correndo
toda vez pro mesmo sentido.
Pra lugares já tão conhecidos,
parados e entediantes.
Alguma coisa dentro de mim se foi
e outras partes chegaram.
Partes que precisam de mudança.
Não sou mais quem eu era
não enxergo mais como eu via
não sinto mais como eu sentia.
Não tem reversão.
Me aceite.
Acostume-se.
Acomode-se.
E me ame do jeito que estou.
-Juh, quebrando a gaiola.

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gente de bem

Santa hipocrisia
Se faz de gente de bem
Com frases de efeito
E versículos bíblicos
Pede amor e compreensão
Pede empatia
Mas até ontem tava aí
querendo mandar matar
quem é diferente de ti
Até ontem tava aí
sem se importar com teu próximo
Sem ver a dor dos teus irmãos
Só olha pro centro do seu círculo.
Usa o nome de Deus
do jeito que lhe convém
pra justificar os próprios preconceitos.
Não é capaz de ver além,
não vê que existem outras realidades
bem diferentes da sua bolha,
opostas ao seu mundo de privilégios.
Essa empatia que você pede
É pra passar pano pros teus preconceitos?
Quanto mais eu conheço
os ~cidadãos de bem~
Mais eu prefiro me afastar de todos eles.

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Ato

Diz que me disse
daqui,
diz que me disse
dali.

Quem
conta
um
conto
aumenta
um ponto.

Mas não tem sido só um ponto,
é toda a acentuação conhecida.
É até a invenção de novos verbos.
Tentam encontrar um jeito
de justificar o que é injustificável.
Tentam a todo custo defender
pontos de vista difíceis de crer.
Conhecimento de que importa?
Se o banalizaram de tal forma
que questionam o consistente
e acreditam piamente no demente.
Todos acreditam em tudo
e ninguém questiona nada.
Estudam pelas fake news no facebook
e tiram dúvidas pelos grupos do whatsApp.

Questionam estudiosos

e aplaudem ignorantes.

Massa de manobra.
Gente que é povo e se esqueceu.
Que luta com unhas e dentes
pelo fim da democracia.
Sem se dar conta de que ele mesmo
terá que se render a supremacia.
Tristes aqueles que não entendem
que nunca mais lhe será dada a chance
de dizer o que sente e o que pensa.
Acreditam pensar por si mesmos
mas estão inteiramente influenciados.
E defendem bravamente
uma ideologia desumana e opressora.
Não tem ciência de si mesmos
não tem consciência de classe.
Perderam a noção da realidade
e não vêem que eles mesmos
são o alvo e não o dardo,
são eles os oprimidos, os rebaixados.
Não vêem que são eles aqueles
que sofrerão as consequências
e não haverá reticências
porque teremos chegado ao fim.

Por isso luto
faço coro e oposição.
Questiono, debato e rebato.
E enquanto não me calam
eu indago e faço poesia.
E transformo minhas palavras
na minha grande arma.
Porque eu não aceito esse fim.
Eu ainda acredito nas pessoas.
Eu acredito num mundo melhor.
eu acredito no amor e na empatia.
Eu acredito na democracia.

– Juliana Bassan Ayon

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de braços abertos.

Ser mulher é uma coisa muito louca. A gente dá conta de tudo. Sempre. A gente corre tanto que não dá nem tempo de parar pra pensar no próximo passo porque no primeiro a gente já engatilha o segundo. A gente passa o mês sendo uma a cada dia; rainha, princesa, fada e bruxa. A gente come e a gente oferece a maçã envenenada. A gente mata o dragão, não espera ser salva. E a gente passa os dias fazendo tudo isso ao mesmo tempo em que está lidando com a tempestade dentro da gente, mas sem deixar que isso reflita do lado de fora pra nenhum outro ser perceber o tsunami que tá rolando naquele momento.
A gente ajuda, acolhe, ampara, chora com a dor do outro lembrando da nossa própria dor. A gente sempre cuida. De todo mundo, sem exceção. Mas quem cuida da gente?
Aposto que tem uma mulher ao seu lado (seja mãe, amiga, tia, irmã) que corre sempre pra dar conta de tudo, e sempre dá. Mas será que ela não está escondendo a necessidade de um abraço atrás de um sorriso?
A gente precisa a aprender a olhar mais umas pras outras. Estamos todas exaustas sempre, mas se a gente dividir o fardo não pesa tanto pra ninguém.
Precisamos aprender a se enxergar como iguais e não rivais. O futuro é feminino e estamos todas indo na mesma direção.

– Juh, de braços abertos.

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que azar, que azar

Eu tenho uma conta no banco e o aplicativo do dito cujo no celular, mas só uso pra consultas porque nunca tenho tempo de ir ao banco pra cadastrar a senha de quatro dígitos do token.
Eu sei que facilitaria muito a minha vida fazer tudo pelo celular, mas daí passou um dia, uma semana, um mês… E nunca cadastrei.
Daí hoje precisei de todo jeito ir ao banco direto no caixa. Não tive escapatória. E já que estava lá perguntei pro atendente se era demorado fazer isso.
– Não, moça. É rapidinho. Só aguardar o fulano ali na primeira mesa.
Fui até a primeira mesa da agência, vi um rapaz em pé e perguntei se ele era o sujeito que eu estava procurando, ao que ele me responde olhando pro crachá dele, onde estava visivelmente estampado que ele era quem eu estava procurando.
Mais um fora pra conta.
Questionei sobre o token, registrei minha senha linda de quatro dígitos, maaaaaaas…
Sempre tem um mas quando é comigo.
Chegou o.colega dele e comentou algo sobre meu número de agência. Senti uma bad vibes no ar.
Daí ambos se aproximaram.
A agência de origem da minha conta foi fechada e justo hoje, de todos os dias desse mês e desse ano, justo hoje as contas estavam migrando de agência. Ou seja, se eu tivesse ido ao banco ontem ou deixasse pra ir na segunda-feira daria certo, mas como eu fui hoje não deu.
Mais uma prova de que a lei que rege a minha vida é a lei de Murphy. 😬🙃😂

– Juh, A azarada.

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O que eu tenho feito da minha vida?

Tantos dias passam e a gente nem vê.
Cumprimos nossas obrigações
Sem perceber ou pensar sobre elas.
Só seguimos no piloto automático.
Abra a boca.
Coloque a comida.
Mastigue.
Respire.
Lutamos todos os dias.
Não matamos um leão por dia,
como o ditado nos faz acreditar.
Negociamos com ele.
Pois no dia seguinte ele estará lá de novo.
Ele pode até nos arrancar um braço, mas a gente não vai sentir.
Porque estamos anestesiados.
Entendemos como vida o que nos é imposto.
Acreditamos no que a tevê nos empurra goela abaixo.
E também no que vemos em nosso feed do facebook.
Não pensamos mais por nós mesmos.
Não criamos opiniões próprias.
Não sabemos mais o que é discernimento.
Seguimos uma grande multidão alienada.
Obedecemos sem questionar.
Discutimos sem nos importar.
E criamos uma vida online perfeita para esconder a podridão da vida offline.
– Juh, pensando.

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