Felicidade onde está?

Para ler ouvindo:
“Happiness feels a lot like sorrow”
Quantas vezes em algum momento em que tudo dava errado nós não nos perguntamos por que a dona Felicidade não bate a nossa porta? Muitas e muitas vezes. Eu já fiz isso milhares de vezes e me perguntei isso repetidas vezes nas últimas semanas. Por que não acaba o sofrimento? Por que não começa a dar tudo certo? Por que não se resolvem todos os meus problemas? Felicidade pra ser completa tem que ser completa, ora! Não serve pela metade. E quando algo dá certo sempre falta outra coisa e parece que nunca é bom o suficiente. Tem que estar tudo resolvido e nada fora do lugar. Mas depois de tanta turbulência acabei chegando à conclusão de que ela não vem em abundância, como a gente queria que fosse. Ela vem aos poucos, um tiquinho por dia. E o que a gente precisa aprender é aproveitar cada grão de felicidade que nos é arremessado. Tirar proveito de cada coisa que acontece por mais boba que seja. E ser feliz, deixar a felicidade entrar no tempo dela, nesse pouquinho por dia e sem pressa. E juntar tudo no coração, mas não guardar só pra si. Distribuir porque assim ela se multiplica. Um sorriso hoje, um abraço amanhã, uma realização na segunda, uma palavra amiga na terça, um conselho que precisava ser ouvido na quarta, um afago do seu bichinho de estimação na quinta, a diversão com os amigos da sexta, uma paisagem de tirar o fôlego no sábado…
Aliás, o que me fez enxergar tudo isso foi essa beleza de paisagem que ilustra esse post, que ‘apareceu’ pra mim num dia em que eu estava super pra baixo, desiludida com a vida, com as pessoas e comigo mesma e vinha andando na rua perdida nos pensamentos e me queixando com Deus sobre o porquê de tudo ser sempre tão difícil. Daí percebi um clarão misterioso atrás de mim. Por um momento pensei que fossem os refletores da quadra da praça em que eu estava. Estiquei o braço pro lado e vi a luz amarelada nele, virei pra trás e dei de cara com esse presente. E fui atingida em cheio, sem poder me defender ou resistir. Do que eu estava reclamando mesmo? Eu tinha aquele céu lindo, só meu naquele instante. Eu entendi o recado. E me senti estúpida e ingrata. E pedi desculpas por reclamar de barriga cheia.

Por sorte eu estava com a câmera na bolsa e pude fotografar, pra recordar sempre daquele momento, o dia em que a felicidade jogou uma gotinha dela pra mim e eu a transformei num oceano.

-Juliana Bassan Ayon

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3 Comentários

  1. A felicidade nos visita todos os dias, mas às vezes ela é tão discreta que não percebemos ela entrar. Tão discreta que ela circula dias por nossa casa, quase imperceptível. Seria a felicidade invisível ou nós que não olhamos em sua direção para enxergar? A felicidade é uma visitante tão humilde que não se importa em dividir atenção com outros sentimentos visitantes. Portanto tem horas que recebemos a visita da felicidade e a casa está tão cheia, que nem notamos que ela veio também. Talvez o problema que nem sempre somos bons afitriões e não damos conta de dar a devida atenção que cada convidado merece. Porque passar tanto tempo ouvindo os discursos amargos da mágoa, ou os lamentos da tristeza e nos sentamos tão pouco ao lado da felicidade para saber o que ela tem para nos mostrar naquela visita? Às vezes, ela aparece tão descaracterizada em relação ao que estávamos esperando que nem a deixamos passar pela porta de entrada. Quem seria aquela estranha visitante? Era a felicidade, mas estávamos esperando alguém mais elegante. Ah, nós os humanos com nossas cabeças e corações tão atribulados com sentimentos contratastantes, gastamos energias com quem não precisa, abrimos a porta para quem não devia nem ser bem vindo. E nossas expectativas tortas, aguardamos todos os dias os presentes que sim, eles chegam até a nossa porta, mas os ignoramos pois não estavam dignamente embrulhados ou não tinham as proporções adequadas. Muitos de nós já sabemos o valor da semplicidade, que o segredo está nos pequenos gestos e nos detalhes, mas a questão é: como que a gente acaba sempre esquecendo de colocar isso em prática?

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