calabouço

Para ler ouvindo:
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Amar e guardar pra si. Não guardar o amor, guardar a pessoa amada. Esconder em uma caixinha bem lá no fundo do baú. Ninguém pode ver, é só seu. Querer o sorriso da pessoa amada só para si mesmo, sem dividir um tiquinho de nada com ninguém. Trancar numa redoma de vidro pra assim ninguém se aproximar e roubar de você. E com isso fazer com que a pessoa amada se anule e se esconda atrás desse amor possessivo, que na verdade é uma nuvem escura de insegurança e falta de amor próprio. E esse ser que é amado desse jeito não tem muita personalidade, acaba vivendo uma vida dupla por se deixar dominar desse jeito. Na frente dos outros continua sendo o mesmo de antes, irradiando brilho e alegria. Mas, quando está junto do amor possessivo, esse indivíduo some, pois se esconde e a sua luz se apaga. Ta lá a coleira no pescoço de novo, sufocando todo o brilho interior. E a única coisa que brilha são os olhos de quem colocou a coleira, brilha de orgulho por fazer com que ninguém mais admire nada ali. Funciona mais ou menos como uma kriptonita, suga toda a energia e descarrega toda a força, deixando ali um peso morto. E daí esse indivíduo, vítima de tanta possessividade, divide-se entre ser ele mesmo e um personagem agindo somente do jeito que o tirano do amor quer. Vai indo assim até que o seu eu de verdade some porque ele se esqueceu de quem era. E sobra o bobo da corte em forma de marionete.

{Juliana Bassan Ayon}

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