nada de cor

Para ler ouvindo:

Hoje acordei cinza.

Cinza chumbo.
Cinza que nem nuvem carregada em dia de tempestade.
Cinza contrastando com o amarelo forte do sol lá fora.
Acordei sem perguntar nada, só descarreguei.
Cinza mal educado.
Palavras saindo da boca feito uma torneira toda aberta e espanada.
Perdi o freio e rolei barranco abaixo.
Vista cinzenta, deixando tudo turvo e escuro.
Cinza frio.
Cinza gelado.
Cinza congelante.
Esse cinza sem gosto, sem sal e sem açúcar.
Cinza azedo.
Cinza perdendo o gosto de viver.
Cinza chato e entediante.
Vou torcer pra acordar em cores amanhã.

{Juliana Bassan Ayon}

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