ser mãe ou não ser, eis a questão!


Dia das mães está aí e esse é um assunto propício pra essa semana. Nunca acreditei que o desejo de ser mãe fosse um chamado do corpo, algo dizendo pra gente que tá na hora e que estamos prontas pra colocar uma vida no mundo. Mas ultimamente eu tenho sentido isso e é novidade pra mim essa vontade. Sempre fui desajeitada com bebês, tenho medo de pegar no colo, medo de apertar demais ou deixar cair de cabeça no chão. E quem me conhece sabe o quanto eu sou sensível com cheiros e sempre me zoam falando que eu teria que usar uma máscara de ar pra trocar as fraldas da criança. Lá pelos meus 15 anos quando me perguntavam com que idade eu casaria e teria filhos eu sempre respondia que casaria com 22, teria o primeiro filho com 25 e o segundo com 27. E olha eu aqui com quase 28, sentada na frente de um computador escrevendo sobre o medo desse desfecho.
Eu tenho medo de ter filho, admito. É linda a ideia de ter um bebê pra cuidar, amar, ver crescer, ensinar a falar. Fico imaginando muita coisa, coisa até demais, e sim essa é uma questão que me assusta. Ter um filho, colocar uma criança no mundo, nesse mundo que a gente vive e que é cheio de coisas ruins. Pra cada site de notícia que a gente abre é uma coisa nova e assustadora que vê acontecendo e daí me pego perguntando pra que é que eu quero colocar mais um no mundo pra estar sujeito a tantas barbáries. Eu tenho medo de que meu filho tenha algum problema de saúde, tenho medo que ele seja destratado na escola pelos coleguinhas, já que o que o que eu vejo é uma geração de crianças cada vez mais mal educadas e mais preocupadas com o ter do que com o ser. Daí você cuida, dá todo o amor e carinho, ensina que somos todos iguais, se mata pra pagar escola pra criança, pra ele chegar lá na escolinha e algum metido a besta destratar o seu filho por qualquer que seja o motivo e fazer ele chorar e se sentir mal come ele mesmo. Isso já me dá nervoso só de imaginar. E sim, hoje eu entendo algumas coisas que minha mãe me dizia, principalmente a parte de que tem coisas que a gente faz normalmente que não gostaríamos que nossos filhos fizessem de jeito nenhum. Se já estou na paranóia antes, imagina depois?
Nunca pensei na verdade que teria coragem de falar sobre isso, porque as pessoas julgam sabe? E uma vez só que eu disse em voz alta que talvez preferisse ter um monte de gato e cachorro ao invés de um filho, fui taxada de sem coração. Mas é que antes de sentir já dói. Então às vezes eu me pego pensando se não seria melhor evitar antes de doer. Será que eu vou conseguir criar? Será que eu vou ser uma boa mãe? Será que eu vou conseguir ensinar bons valores e ajudar fazer dele (ou dela!) uma boa pessoa? Será que vou ter sabedoria suficiente pra educar? Será que vou conseguir fazer com que meu filho cresça e se torne uma pessoa de bem? Será que vou saber ser mãe? É tanta pergunta… Mas daí eu paro e penso em tudo o que eu disse aqui, e penso em tantas outras coisas, nos meus medos, em tudo o que eu ouço por aí e tudo o que já falaram pra mim e, apesar de tantos medos que me assombram, eu acho que no fundo, bem lá no fundo, eu até quero correr o risco pra descobrir e sentir o que é esse que chamam de “o amor maior do mundo.”

-Juliana Bassan Ayon}-

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