espinhos, tijolos e frustrações

Eu costumo pensar que frustrações são como pontinhos de espinhos no nosso coração, que espetam de novo toda vez que alguma situação parecida está acontecendo, ligando o sinal de alerta e avisando que ali é perigo certo e que devemos tomar cuidado. Pode ser também como um saco de tijolos pesados, onde cada lembrança de uma decepção/frustração se transforma em um tijolo e estão todos juntos num saco grande que a gente carrega pela vida toda. Daí talvez isso explique o quanto é cansativo sempre ser assombrado por elas.
Frustração, e a decepção também, quase sempre vira uma lembrança ruim, que sempre causa um embrulho no estômago e desperta um sentimento de rejeição e vontade de sumir, já sentidos anteriormente. Relembrar situações ruins acaba fazendo parte do cotidiano, mas não deveria. É quase como uma auto-decepção, onde quem relembra se culpa por um erro que nem dele foi, mas que normalmente é abraçado como uma confissão de culpa pelo dano causado em si mesmo e que na verdade foi provocado por outra pessoa.
Mas analisando isso tudo por outro ângulo, pode ser que quem te causou tudo isso nem se lembre mais de quem você é ou que aquela palavra dita daquela forma te magoou assim e nem tem ideia do estrago que fez. Às vezes é uma pessoa que passou pela sua vida por apenas uns 5 ou 6 meses, mas que nesse tempo fez alguma coisa que te deixou péssimo, e que colocou um tijolo bem pesado no seu saco e que vive reaparecendo nas suas lembranças por sei lá, 10 ou 20 anos, te fazendo sentir repetidas vezes a mesma sensação ruim. É justo até hoje esse rosto ficar aí te assombrando? Não é, né?
Podia existir um botãozinho de delete, pra sumir com tudo isso de uma vez. Porque tem coisa que não vale a pena guardar, não faz bem. Pode ser que vez ou outra sirva de lição, mas na maioria das vezes serve mais é pra torturar mesmo. Só que talvez sejamos nós mesmos que temos que aprender a dar um basta nisso. E ter coragem pra arrancar os espinhos ou fazer um rasgo no saco e ir deixando os tijolos pesados pra trás. Até guardar por um tempo,pra aprender com eles, mas não pra sempre. E assim ficar com a alma e a vida mais leves.

Alguém aí tem um alicate ou uma tesoura pra me emprestar, por favor?

{Juliana Bassan Ayon}

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