condição

Para ler ouvindo:
“That I Would Be Good” – Alanis Morissette

“That I would be good / Even if I lost sanity / That I would be good / Whether with or without you”

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Olho pra dentro de mim e gosto do que vejo.
Já fui por vezes errada, já fiz coisas das quais não me orgulho.
E tenho que acordar todos os dias e conviver com isso.
Vejo um lado vazio e um lado cheio.
Vazio de quem eu deveria ter sido, do que eu deveria ter feito.
Cheio de quem eu fui e dos erros e acertos que eu cometi.
Tantas vezes me arrependi por não ter tido coragem.
Coragem pra dizer algo que queria dizer, logo após deixar a chance escapulir.
Como fui covarde! Tantas vezes me escondi com medo de dizer o que sentia.
Em contrapartida, outras tantas me vesti com uma falsa coragem.
E disse coisas que na verdade não queria dizer.
Tantas vezes me arrependi do que disse logo após vomitar as palavras.
Nestas tantas vezes saí de casa como se estivesse a interpretar um personagem.
Guardei as mágoas na bolsa, emprestei um sorriso falso e enfrentei o dia.
Fingi ser alguém que eu não era e não convenci ninguém.
Sempre tive medo da solidão, de ser deixada de lado.
Não lidava bem com o esquecimento e buscava desesperadamente atenção.
E sempre levei porrada da vida me jogando na cara que esse não era o caminho.
Hoje ando sozinha, entendi o recado e aprendi a gostar dessa condição.
Entendo-me na minha coragem e na minha covardia.
E sinto-me compreendida dentro da minha solidão.
-Juliana Bassan Ayon

 

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