sobre novos medos e a vontade de vencê-los.

Meio ano já foi. Meio ano em que eu já perdi as contas de quantas vezes eu quase desisti, quantas vezes que me deu uma baita vontade de mandar tudo a merda. Esse ano me trouxe desafios, me trouxe provas difíceis. E 2015 me trouxe novos sentimentos também, principalmente medos. Foram vários novos medos, muitos que eu nem tinha ideia que existiam aqui dentro. Medo de perder quem eu amo, de andar sozinha de ônibus, medo de interagir com desconhecidos, medo de não ser suficiente, de não dar conta, medo de ser uma fraude, medo de ter uma doença séria, medo de nunca mais conseguir dormir, medo de não poder engravidar, medo de morrer. Me senti sozinha nas tantas noites em claro que eu passei por causa de uma dor insuportável que eu sentia, que parecia que ia me fazer enlouquecer e eu só sabia chorar. Me senti sozinha quando esperei colo de onde nunca veio nada. Me senti sozinha aguentando tudo e tendo que manter um sorriso simpático no rosto. Me senti sozinha tendo que encarar maravilhosamente bem um dia cheio e cansativo mesmo dopada com os remédios fortes que nem sequer tiravam realmente minha dor. Me senti sozinha quando tive que abrir mão de coisas importantes pela minha saúde. E me senti mais sozinha ainda quando nas poucas vezes em que tentava desabafar sobre meus problemas ou sobre minhas noites ruins o ouvinte só sabia falar sobre como os próprios dissabores e problemas eram bem maiores que os meus, porque sempre o próprio umbigo é mais importante, né. Daí eu percebi que não existe mais empatia nesse mundo. Que as pessoas não se conectam, não se importam mais. E me frustrou. E me frustrei de novo quando comecei a observar mais a fundo as pessoas e vi que estamos vivendo a era do coitadismo. As pessoas se colocam na posição de vítimas a todo momento e ficam esperando serem bajuladas, querem que os outros a vejam como fracas e tristes, ficam esperando que os outros tenham pena delas. E daí BOOM, me deu um estalo. Eu não quero me contaminar, não quero ser como eles! Eu não quero ninguém sentindo pena de mim! Eu não posso deixar meus medos me limitarem! E eu não podia ter medo de ficar sozinha, isso não podia me aterrorizar porque era assim que eu estava e era desse jeito que continuaria sendo. Eu tinha que voltar a ser suficiente pra mim mesma. Tinha que colocar a cabeça em ordem e as coisas nos eixos. E daí eu me comprometi a ser positiva, a não me entregar, a não deixar o pessimismo me pegar, a não deixar transparecer os meus medos. E dia após dia eles estão virando pó. E tô virando rocha de novo. E não 2015, eu não vou desistir. Se quiser mandar mais coisa pra me testar, pode mandar! Mato no peito e faço um gol de bicicleta, te garanto. Aqui tem muita teimosia e otimismo. Tem orgulho e tem brio. E tem também muita vontade de lutar. Sinto dizer mas você mexeu com a menina errada. 😉
-Juliana Bassan Ayon

Recomendado

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *