Eu, tormenta

Atenção, atenção
Procura-se o meu Eu
não se tem mais notícias
desde que amanheceu.

Fugido de dentro de mim
cansou de se sentir acorrentado
preso numa mente ruim
decidiu construir seu próprio legado.

Visto pela última vez
triste, correndo grande perigo
num salto mortal de insensatez
se transformando em inimigo.

Esse Eu muda sempre de forma
vilã, mocinha, capitã, figurante
nos capotes ás vezes se deforma
mas se refaz e segue adiante.

Na contradição vive a banhar-se
não tem escrúpulos e não faz sentido
busca algo sólido para apoiar-se
e remendar seu coração ressentido.

Quer sempre o impossível
deseja o indesejável
nunca se mostrou plausível
ou se nomeou responsável.

Esse Eu por aí está solto
fora de mim desejando apreço
tem se feito mar revolto
prendam ele ou enlouqueço.

– Juliana Bassan Ayon

Recomendado

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *