ironia

Corri pra ver o arco-íris. Mas devido aos meus tropeços, cheguei atrasada. Só consegui ver o céu cinza cheio de nuvens exasperadas e nada gentis. E é irônico como isso tem acontecido sempre. Eu tenho corrido muito, mas tenho estado sempre atrasada. Sempre perco o belo, o confortante, o feliz. Sempre espio pela janela os outros felizes contemplando as paisagens bonitas, mas eu mesma não consigo ver a beleza, porque a grade fechada na minha cara tampa a minha visão. Tenho corrido tanto, mas ao invés de correr pra viver, tenho corrido pra morrer. Sou obrigada a olhar somente pras paredes, pra lugares sem cor e sem vida. Vejo só nuvens carregadas de tempestade. E nunca mais vi nenhum arco-íris.

– Juliana Bassan Ayon

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