nada.

Seguem as semanas,
menos pra mim.
Aqui o tempo nunca passa
sempre é assim.
Seguem os dias,
seguem sem serem meus.
São de todos,
menos meus.
Nunca foram meus.
Todos têm tempo,
menos eu.
Todos se cuidam,
menos de mim.
Todos se chocam,
menos eu.
Estou anestesiada,
acostumada a negação.
Nem doente me arrisco ficar,
o tempo não é meu,
não pode me esperar.
O mundo nunca parou
pra me esperar,
nunca deu prazo
pros meus pedaços eu juntar.
Não tenho tempo,
não posso dormir.
Não posso olhar
e nem mesmo sorrir.
Não tenho tempo,
não tenho rumo.
Não tenho prestígio,
não tenho qualidade.
Nem dinheiro
e nem mais saúde.
Não tenho força
nem ambição.
Talvez nem tenha mais
um coração.
Não tenho amigos
e nem mais me tenho.
Não tenho nada,
nem mais amor.
– Juh, nada.

Recomendado

só.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *