nostalgia

E tem dias, como hoje, que sinto uma saudade grande de ser criança. Saudade de quando meu maior problema era a tarefa que eu não tinha feito e a redação que eu teria que inventar na hora pra não tomar bronca. Agora invento motivos felizes dentro da minha cabeça, motivos esses que me ajudam a levantar da cama de manhã. Saudade quando a minha maior frustração era não saber andar de bicicleta. Quanta inocência achar que esse era o fundo do poço. A gente cresce e descobre que na verdade o poço não tem fundo. Saudade daquele tempo onde eu acreditava que o mundo poderia ser um lugar melhor, daquele tempo que eu achava que os adultos tinham todas as respostas e nem imaginava que os adultos na verdade estão todos perdidos dentro de si mesmos. Saudade de sonhar, de desejar, de acreditar. Saudade de ver a vida com olhos positivos e esperançosos. Saudade de ver bondade em todos os olhos. Saudade de ter meu pai por perto e de ainda ver sorrisos de amor no rosto da minha mãe. Saudade de ainda não ter sido ferida. Saudade de não estar corrompida. Saudade. Saudade da inocência que um dia habitou em mim.

– Juliana Bassan Ayon

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