Coração

Eu tenho um coração.
Um coração solitário batendo rápido no peito.
Um coração que até gosta de companhia, mas que normalmente prefere estar sozinho em sua cama com suas cobertas fofinhas.
Eu sempre fui solitária.
Não sozinha, mas solitária.
Daquele tipo que se tranca dentro do quarto e dali admira a vida e a paisagem pela janela e que fica feliz com o que vê, mas não sai pra ver ou sentir pessoalmente.
Tenho meu próprio mundo e as particularidades dele.
E ninguém, fora eu, entenderia.
Por isso não crio laços apertados demais.
Sem conexões fortes demais não existe vínculo.
Tenho medo de criar vínculos.
Por isso não faço questão de explicar ou de me fazer entender.
E assim sempre crio um limite, uma linha pra não ultrapassar.
E assim não preciso deixar ninguém entrar.
E não deixando ninguém entrar, não espero nada.
E sem ninguém aqui, ninguém nunca precisará sair.
E sem ninguém pra sair eu não me machuco, não me corto e não sangro.
E continuo sendo só um coração.
Mas um coração solitário.
Só eu e ele.
Eu e meu coração.
Eu, meu coração e a solidão.

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