areia movediça

Como posso querer morrer,
se morta já me sinto?
Como posso querer viver
se com minha morte eu consinto?
Tantas mortes eu já morri,
tanta coisa nessa vida já vivi.
Muito disso num só dia,
numa só hora,
em uns poucos segundos.
Senti a despedida,
o final e a humilhação.
Me senti preenchida
de tristeza e degradação.
Desejei de todo jeito morrer,
quis parar de sofrer,
quis nunca mais aparecer.
Logo cedo me senti morta
sem compreender essa vida torta
sem entender como se suporta
esse infortúnio desastroso.
Mas no meio dessa falta de sorte
eu, teimosa, renasci
e senti que do limbo fugi
e sem perceber cresci
e vi meu futuro esperançoso.
Um caminho todo a percorrer
uma vida inteira pra viver
um coração pra florescer.
Mas meus sentidos estão atados
meus pés atolados
no lamaçal que escolhi viver.

Ei, me escute.
Pra sair daqui preciso de você.

– Juliana Bassan Ayon

***essa foto foi minha vista da porta do busão na volta pra casa no final do dia, que me inspirou a escrever sobre viver e morrer dentro de mim mesma todo dia.

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