inerte

O dia passou empurrado. E empurrando o meu desgosto de viver com a barriga vim embora pra casa. Atravessei a cidade toda a pé, quase 1 hora e meia de caminhada, observando e sentindo as cores, os cheiros e os sons que há tempos eu não parava pra notar. Sentia até o sabor das árvores e da terra molhada com a garoa fina. Estive inerte por quanto tempo? Fui acompanhando de longe o sol indo dormir. E quanto mais eu me aproximava, mais bonito ele ficava. Parecia mais colorido do que antes mesmo, como se noutros tempos uma vidraça suja e embaçada deixasse turva a minha visão. Fazia tempo que eu não ficava comigo mesma. Vim durante o caminho todo conversando com meu eu, tentando me entender. Nada parceria certo ou em ordem. É como se tudo estivesse saído fora do lugar. Nada tem feito sentido. Todas as pessoas estão distantes. Ou na verdade eu é que não estava mais presente? Só o corpo parecia estar aqui. A alma sabe-se lá onde é que tinha se metido. Os olhos fundos estavam vidrados e contemplando o oco da vida e da existência. Não havia conexão. Mas no caminho de hoje minha alma voltou. Quase foi embora de vez quando o pulmão quase colapsou de tanto andar. Mas se restabeleceu. Está mais animada do que nunca. E com todos os sentidos aguçados.
– JuhBassan

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