Vazio

Sou o vazio.
Um buraco.
Fundo, sem fim.
Sou chuva.
Sou a água enchendo esse buraco.
Sou a terra molhada e lamacenta,
que meleca e gruda.
Sou a lama que afunda quem pisa
e prende pelos pés.
Sou o sol.
Que esquenta, evapora e seca.
Sou o solo desnutrido, seco e quebrado.
Sou a terra seca
que entra nas narinas e as resseca,
impedindo de respirar.
Sou o ar.
Sou a tempestade
que arranca as árvores do chão
e as rodopia no céu.
Sou o vento que sopra o fogo
e faz com que ele fique mais forte.
Daí viro eu o fogo.
Sou o fogo.
Que queima e arde.
Que destrói
e transforma tudo em cinzas.
Eu sou as cinzas.
No vazio.
Dentro de um buraco.

(uma poesia que surgiu no meio do vazio da madrugada.)

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