daqueles dias que eu desisti de morrer.

ypê

20′

Os céus de outono me deixam apaixonada. Aquele céu aquarelado, aquela mistura de cores que você não sabe onde começa o amarelo, não vê o degrau que sutilmente faz dele laranja e nem como ele chega a ser até vermelho às vezes. Contrastando com aquele azul tão intenso do resto do céu já anoitecido. O mais bonito céu de todo o ano, que dá a sensação de estar vivendo dentro de uma pintura. Que dá vontade de segurar o tempo pra ele parar ali, naquela lindeza de céu.
Mas daí chega a primavera. E os ipês floridos que despertam felizes quando ela chega. Deixando as ruas coloridas lá em cima e no chão, aquele chão antes tão sem graça que agora tem milhares de florzinhas enfeitando a passagem. Daí meu coração se enche de amor pela primavera. Mas continuo amando o Outono. Amo os dois ao mesmo tempo. Amo as belezas escondidas no cotidiano. E dentro de mim se cria um embate entre esse amor pelo imenso todo e o meu ódio por existir. Me sinto cansada de ver tanta feiúra em mim, que fujo e me apaixono pelas belezas da natureza. E isso me preenche e transforma. Me faz não querer mais morrer. Me faz querer viver até chegar a próxima estação, só pra eu me apaixonar de novo pelos céus e suas nuances de cores ou pelas flores que enfeitam os caminhos.

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