desconectada

Sou eu
desconectada de mim.
Eu, sozinha,
sem me reconhecer.
O reflexo no espelho
não é o meu.
Não sei quem ela é.
Sei que é assim,
tão diferente de mim.
Ela me dá saudade.
Há tanto tempo
não aparece.
Tanto tempo
que dela até se esquece.
Quem é ela?
Eu não sou.
Estou num quarto
rodeada de espelhos.
Formas geométricas
com partes de mim.
Tantos eu’s.
Escolhas, recaídas.
Tantos erros.
Dores, choro e lágrimas.
Nenhuma delas
se reconhece.
São todas estranhas.
Não partilham.
Se humilham
pelo papel principal.
Gritam e se estapeiam
por um lugar ao sol.
Os espelhos todos
estão agora em pedaços.
Não restou nada.
Todo mundo já foi embora.
Eu agora caminho
por cima dos cacos.
Meus pés sangram.
Mas não paro de andar.
Sigo em frente,
pra, enfim, achar meu lugar.

-Juh Bassan

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