morte e vida

Desci a rua segurando o choro. Três quarteirões até o ponto de ônibus pareceram 3000 kilômetros. Antes do primeiro quarteirão acabar eu desabei. Aquele choro descontrolado, as lágrimas molhando a cara toda e o pescoço também. Cheguei no ponto de ônibus e sentei. As costas curvadas pra frente, o corpo fazendo força pra se encolher todo. As pessoas começaram a me olhar.

Uma senhora se aproximou, se sentou ao meu lado, tirou um saquinho de lenço de papel da bolsa e me deu um.

– O que aconteceu? – perguntou baixinho.

Só consegui chacoalhar a cabeça de um lado pro outro, tentando dizer que não era nada, pra não se preocupar.

Ela insistiu:

– Alguém querido morreu?

Chorei mais alto e mais dolorido. Porque sim, metaforicamente era isso.

E respondi:

– Meu coração, senhora. E sem ele eu deixei de existir.

 

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