pó de estrela

“Se você colocasse a história inteira de tudo, desde o Big Bang, em um calendário, toda a história da raça humana ocuparia apenas um pouco mais do que o último minuto da última hora do último dia do ano.”

esse é o fato 15 da matéria do buzzfeed “17 fatos que vão bagunçar totalmente a sua percepção do tempo” que deu um nó na minha cabeça e me inspirou a escrever esse texto.

Se não existe sentido pra nada, qual o sentido? Já disseram que somos feitos de pó de estrela. Milhares de pedacinhos microscópicos juntos virando uma coisa, um animal, uma pessoa. Milhares de pedacinhos juntos e de repente, pá! A consciência. Acho que ter consciência é a nossa maldição. É a sentença de nos sentirmos tão pequenos, tão desnecessários e tão irrelevantes. Tão culpados pelo que causamos e pelo que deixamos de fazer. Em relação a tudo o que existe desde sempre somos apenas alguns segundos. Um espirro é a nossa relevância na história do universo. Quando eu paro pra pensar no tamanho da minha pequenez perto de outros seres mais evoluídos e mais inteligentes que eu, sempre caio num abismo de autodepreciação. Somos todos apenas segundos. E eu sou o segundo perdido que ninguém viu passar. Será que o sentido é esse? Será que o sentido está aqui dentro, em reconhecer a minha mediocridade? Em ver como sou desimportante? Em atravessar em pensamento esse segundo que é a minha vida em relação a criação do universo e ver que eu não sirvo pra nada? Queria que o grão de poeira de estrela que me fez fosse o que brilha. Mas veio o grão fosco. Ou, talvez, nessa loucura toda de pensar, esse sentido seja eu acabar com essa mediocridade. Mas, de novo, qual o sentido? Qual o motivo? Pra quê acabar com a minha mediocridade se logo eu é quem vou acabar? Se logo desse mundo eu vou partir? Daqui meio segundo não existo mais. E depois que eu me for, depois que eu não mais existir, por um tempo serei saudade. E então vou virar uma vaga lembrança. E depois vou acabar em nada. Todos acabaremos em nada. Porque não fazemos sentido. E nem devíamos. Vamos virar pó de novo, mas não de estrela. Só pó mesmo.

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inerte

O dia passou empurrado. E empurrando o meu desgosto de viver com a barriga vim embora pra casa. Atravessei a cidade toda a pé, quase 1 hora e meia de caminhada, observando e sentindo as cores, os cheiros e os sons que há tempos eu não parava pra notar. Sentia até o sabor das árvores e da terra molhada com a garoa fina. Estive inerte por quanto tempo? Fui acompanhando de longe o sol indo dormir. E quanto mais eu me aproximava, mais bonito ele ficava. Parecia mais colorido do que antes mesmo, como se noutros tempos uma vidraça suja e embaçada deixasse turva a minha visão. Fazia tempo que eu não ficava comigo mesma. Vim durante o caminho todo conversando com meu eu, tentando me entender. Nada parceria certo ou em ordem. É como se tudo estivesse saído fora do lugar. Nada tem feito sentido. Todas as pessoas estão distantes. Ou na verdade eu é que não estava mais presente? Só o corpo parecia estar aqui. A alma sabe-se lá onde é que tinha se metido. Os olhos fundos estavam vidrados e contemplando o oco da vida e da existência. Não havia conexão. Mas no caminho de hoje minha alma voltou. Quase foi embora de vez quando o pulmão quase colapsou de tanto andar. Mas se restabeleceu. Está mais animada do que nunca. E com todos os sentidos aguçados.
– JuhBassan

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vazio

O vazio me abraça todo dia. O vazio do mundo, das pessoas e de mim. Não sei quem sou e também não sei mais do que eu não gosto. Nem do que gosto. Nem se gosto. Ou sei, não sei. Não sei nem pra onde vou. Continuar pra quê? Tenho pensado em morrer. E na não falta que eu iria fazer. Não sei de nada. Nunca soube. Sei que sempre perco. Perco as horas, perco as pessoas, perco você, perco eu. Perco tudo, olha só. Perdi você de mim. Perdi eu de mim. Perdi minha sanidade. Perdi o caminho da felicidade. Não sei mais como correr. As pernas não me obedecem, estão fincadas no mesmo lugar. Não sei mais nada. Quer dizer, uma coisa acho que sei. Sei que amo. Ah, como amo! Tenho amado. Amo com ardor, com calor, com suspiros e admiração. Mas amo também com dor e com choro. Com desespero e saudade. Não posso amar ninguém porque ninguém consegue me amar. Nunca será recíproco. Não sou digna de amor. Nem eu me amo mais. Não sei quem sou, como posso amar? Como posso me amar se não mais me conheço? Com posso me amar se sei que não mereço? Gastei todo meu amor. Foi em vão. E no fim não sobrou nada pra mim. Pra mim sobra sempre o vazio. E o silêncio que preenche o vazio. E um rosto misterioso com olhos profundos, que aparece sempre no meu vazio.

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Ei, o que te motiva a continuar?


Por mais pra baixo que eu esteja, eu nunca deixo de acreditar. Eu no fundo, bem lá no fundão mesmo, sou otimista. E essa mente imaginativa aqui cria várias histórias felizes pelas costas das minhas lamúrias.
Quando eu era criança lembro que uma vez eu e minha mãe fomos visitar uma senhora que era amiga de uma amiga da minha mãe. Segundo essa amiga da minha mãe, essa senhora era sensitiva. E eu lembro como se fosse hoje dela olhando fundo nos meus olhos e dizendo que eu daria muito orgulho pra minha mãe. E sem querer essa senhora colocou dois blocos de concreto nos meus ombros. Todos esses anos eu sentia, após cada derrota, cada falha, cada erro, esse peso. E eu lembrava dela e de que eu tinha que dar orgulho pra minha mãe. Eu não podia me conformar em falhar. Eu precisava ganhar.
Mas nunca ganhei muita coisa, não. Na verdade tudo sempre é no nível hard por aqui. Sabe aquele modo expert do Guitar Hero? E você ainda escolhe One do Metallica pra jogar? Choro, desespero e derrora na certa. Era assim que eu me sentia. Perdida, sem saber que botão apertar, perdida no ritmo e deixando a música irreconhecível.
Mas sabe que apesar de passos tortos e caminhos dificultosos, no final tudo acaba dando meio certo? Não totalmente certo e perfeito, mas tudo chega onde deveria chegar. Nunca foi como eu esperava. Nunca foi no tempo que eu queria que fosse. Nunca foi da forma como eu achava que deveria ser. Mas sempre é. E de um jeito ou de outro as coisas sempre se encaixam e acontecem.
Semana passada eu estava surtando porque achei que, de novo, morreria na praia. Já até escrevi uma poesia sobre isso. Sobre sempre as coisas serem por um triz. Sobre o sucesso passar raspando pelo meu nariz. Mas hoje eu ganhei. A sensação é estranha, fazia tempo que isso não acontecia. E não é que foi bom? Eu não consegui terminar 100% a One do Metallica. Mas na My Name is Jonas do Weezer eu arrasei. Não foi quando eu quis. Não foi como eu quis. Foi do jeito que deveria ser. Só foi.
Um sonho se realizou. Um de tantos que moram em mim. E hoje eu me permito estar feliz.
-Juh, acreditando.

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sobre buscas incessantes de coisas que não existem

E no fim eu voltei lá pro meu começo. Onde na verdade eu me vejo como uma criatura insignificante num mundo cheio de criaturas insignificantes. Acho que o nosso mal é ser bicho com consciência. Porque daí essa consciência da vida e do mundo nos obriga a buscar um sentido pras coisas e pra nós mesmos e no fundo eu acho que a resposta é que nada faz sentido, que ninguém é especial, que não existe alma gêmea e nem pessoa certa pra ninguém, existem coincidências, encontros do acaso que a gente insiste em tentar encher de significado.

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Coração

Eu tenho um coração.
Um coração solitário batendo rápido no peito.
Um coração que até gosta de companhia, mas que normalmente prefere estar sozinho em sua cama com suas cobertas fofinhas.
Eu sempre fui solitária.
Não sozinha, mas solitária.
Daquele tipo que se tranca dentro do quarto e dali admira a vida e a paisagem pela janela e que fica feliz com o que vê, mas não sai pra ver ou sentir pessoalmente.
Tenho meu próprio mundo e as particularidades dele.
E ninguém, fora eu, entenderia.
Por isso não crio laços apertados demais.
Sem conexões fortes demais não existe vínculo.
Tenho medo de criar vínculos.
Por isso não faço questão de explicar ou de me fazer entender.
E assim sempre crio um limite, uma linha pra não ultrapassar.
E assim não preciso deixar ninguém entrar.
E não deixando ninguém entrar, não espero nada.
E sem ninguém aqui, ninguém nunca precisará sair.
E sem ninguém pra sair eu não me machuco, não me corto e não sangro.
E continuo sendo só um coração.
Mas um coração solitário.
Só eu e ele.
Eu e meu coração.
Eu, meu coração e a solidão.

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nostalgia

E tem dias, como hoje, que sinto uma saudade grande de ser criança. Saudade de quando meu maior problema era a tarefa que eu não tinha feito e a redação que eu teria que inventar na hora pra não tomar bronca. Agora invento motivos felizes dentro da minha cabeça, motivos esses que me ajudam a levantar da cama de manhã. Saudade quando a minha maior frustração era não saber andar de bicicleta. Quanta inocência achar que esse era o fundo do poço. A gente cresce e descobre que na verdade o poço não tem fundo. Saudade daquele tempo onde eu acreditava que o mundo poderia ser um lugar melhor, daquele tempo que eu achava que os adultos tinham todas as respostas e nem imaginava que os adultos na verdade estão todos perdidos dentro de si mesmos. Saudade de sonhar, de desejar, de acreditar. Saudade de ver a vida com olhos positivos e esperançosos. Saudade de ver bondade em todos os olhos. Saudade de ter meu pai por perto e de ainda ver sorrisos de amor no rosto da minha mãe. Saudade de ainda não ter sido ferida. Saudade de não estar corrompida. Saudade. Saudade da inocência que um dia habitou em mim.

– Juliana Bassan Ayon

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cabeça ferrada

Pessoas ferradas da cabeça

ferram a cabeça das outras pessoas.

Por isso se entendam, se cuidem e se curem. E se não der pra fazer isso sozinho, peça ajuda. Converse, desabafe. Se não tiver ajuda de um amigo, procure ajude profissional. Não é vergonha, é respeitar e cuidar de você mesmo. Esse mundo tá cheio de gente sozinha carregando fardos pesados demais, a gente precisa ajudar a diminuir esses fardos e não aumentá-los ainda mais.

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catarse

Não importa quem você seja ou o quão confiante você se sinta, sempre tem alguém que balança a gente e faz com que a gente se sinta um lixo. Às vezes é uma pessoa aleatória, mas muitas vezes é alguém de dentro da família. Como lidar? Como dizer para aquela pessoa que os comentários dela são maus e altamente destrutíveis pra você?
Eu já tentei revidar. Já tentei fazer os mesmos comentários maldosos, já tentei ser sarcástica. Mas acho que nesse quesito meu lado escorpião não falou tão alto e eu acabei me sentindo mal porque visivelmente eu deixei a pessoa baqueada. Eu até fico com muitos ódios dentro de mim, mas revidar me faz mal. E daí eu questiono: se eu me comportar da mesma forma serei como quem eu critico, e daí cadê a minha lógica fazendo pros outros o que eu sei que causa tanto mal em mim? E quem sou eu sentando em cima do meu rabo pra criticar coisas que eu já fiz muito e ainda faço? Todo mundo segue um caminho e todo mundo quer ser melhor. Quem sou eu pra questionar?
A boca verbaliza o que o coração está cheio.
O que você tem dito por aí?
– Juh, catarseando.

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