Contradição

“Te amo assim diretamente sem problemas nem orgulho:
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
Senão assim deste modo que não sou nem és,
Tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha,
Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.”
Pablo Neruda

Ontem dei uma volta pelas minhas lembranças tentando descobrir onde foi que eu me perdi de você. Onde foi que nós nos deixamos escapar. Onde é que as coisas que nós tínhamos em comum desapareceram. Onde foi que passamos a ser desconhecidos um pro outro. Não encontrei. Será que é porque nunca tivemos mesmo tantas coisas em comum? Acho que na realidade maquiamos as nossas idéias e pensamentos pra agradar. Eu lembro como você concordava com tudo o que eu dizia que gostava. Tudo mentira! E depois de tanto tempo juntos não dava pra continuar sustentando essas mentiras todas. Não dava pra ocultar quem realmente nós somos. E nós também não somos exatamente opostos pra fazer jus ao ditado “Os opostos se atraem”. Nós não somos mais tão parecidos. Nossas idéias de diversão são completamente diferentes. Muitas das coisas que  você gosta eu não suporto. As músicas que eu gosto de ouvir não são as que você gosta e vice versa. Nossa maneira de ver e encarar a vida são distintas. Os meus sonhos e planos para o futuro não são os mesmos que os seus. Até os nossos valores parecem ser diferentes. Então me responde: O que estamos fazendo juntos? E por que é eu te amo tanto? O que tem em você que me faz te querer assim? Por que eu não consigo mais imaginar a minha vida sem você ao meu lado? São tantas perguntas… Mas te analisando, analisando tudo isso… penso que pode ser o seu sorriso o culpado. Infantil, sincero e tão despretensioso ao mesmo tempo. Adoro te ver sorrindo e me pego feito uma boba te olhando. Pode ser também a sua capacidade de me fazer rir, mesmo quando eu estou estressada, pronta pra jogar um caminhão na sua cabeça durante as nossas brigas. Pode ser que seja a sua boca, o seu corpo, seu abraço… e a maneira como você já me conhece tão bem e sabe exatamente como e o que fazer comigo. A hora certa de me deixar sozinha e a hora certa de me abraçar apertado. E agora eu me pergunto, como podem duas pessoas estarem tão longe e tão perto ao mesmo tempo? Será que eu tive que me perder pra realmente poder te encontrar?

-Juliana Bassan Ayon

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Mudanças e Aprendizados

 “… just look around, everybody is someone.”
Tudo está muito diferente. Mudando o tempo todo. Na realidade acho que eu é que estou amadurecendo e a minha maneira de enxergar as coisas, as pessoas e o mundo está diferente. Meus olhos parecem estar mais treinados. Coisas que antes eu não via enxergo agora com mais clareza. Intenções por trás de olhares, por trás de palavras ou até por trás da falta delas. Me decepcionei com muita gente e vi que muita gente já se decepcionou comigo também. Dói ser magoado. E magoar alguém dói ainda mais. Quantas vezes a gente não cria uma expectativa gigante em cima de alguém e, quando as máscaras caem, caem certeiras como um bloco de cimento em cima das nossas cabeças? E quantas vezes isso não deve ter acontecido com outras pessoas em relação a nós mesmos? É difícil contabilizar quantos corações já partimos, quantas vidas já mudamos e quantas pessoas já magoamos. Por causa de uma palavrinha que seja. Às vezes alguma coisa que você disse e nem se lembra mais, mas que pra alguém ainda está lá, martelando na cabeça, não deixando a ferida cicatrizar. Por isso precisamos nos policiar mais. Cuidar do que a gente fala, pra quem fala e como fala. Uma entonação diferente na voz dá outro sentido na frase. Não crie uma máscara, vá de cara limpa. Pense em quem você já perdeu. Quer continuar assim? A vida é curta demais pra arriscar perder quem a gente gosta por bobagens.
– Juliana Bassan Ayon
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Como tudo começou…

Para ler ouvindo:
Kiss Me – Sixpence None The Richer

Eu e o Jorge começamos a namorar num dia 20. Ficamos noivos num dia 20. E pretendemos nos casar num dia 20 também. Hoje, dia 20/09/2009, estamos fazendo 7 anos e 2 meses de namoro. Daí você se pergunta porque raios eu tô comemorando ‘tantos anos e tantos meses’. É porque a gente sempre fez isso e comemorou assim. Cada mês a mais juntos é importante. Cada mês a mais que passamos juntos significa que nosso amor está sobrevivendo aos trancos e barrancos da vida. E eu não tinha um blog quando fizemos 7 anos pra eu dedicar um post pra ele. Então eu dedico a ele esse post de hoje, com a nossa história de amor, que eu escrevi pra ser capa do nosso álbum de casamento.
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“Ele estava sentado no carro, distraído, quando olhou pra frente e a viu atravessando a rua. Encantou-se de cara. Alguma coisa naquela menina pequenininha chamou sua atenção. Seu coração deu um salto e pensou: “É Ela”. Ela estava absorta em seus pensamentos e nem notou o rapaz que a olhava de dentro do carro. Ele estava certo de que precisava conhecê-la. Tinha um amigo que era filho de uma amiga dela, e assim foram apresentados. Ela dizia estar com o coração fechado, não queria se apaixonar. Há algum tempo havia tido uma desilusão e estava aos poucos se recuperando. Ele nunca tinha namorado, era do tipo baladeiro. Já tinha tido várias outras garotas, mas nenhuma o fez querer namorar sério. E pra Ele, essa garota era Ela. Ele ia praticamente todos os dias em frente a loja que ela trabalhava, com o amigo, filho da colega dela. E eram “ois” rápidos, alguns sorrisos. Ela às vezes se escondia pra não vê-lo pois não queria se envolver. E às vezes pensava: “Esse garoto não desiste?”. Ela o achou atirado à primeira vista. Depois com o passar dos dias foi reparando mais e mais. E a cada sorriso que ela ganhava, o enxergava mais belo e mais simpático. Um dia essa amiga dela a chamou pra ver um filme na casa dela e Ele também foi. Como num passe de mágica todos sumiram e eles ficaram a sós. Completamente calculado. No começo ficaram apreensivos, mas depois relaxaram. O coração dela apertava, com medo de estar se apaixonando e sofrer novamente. Não tinha sido fácil, ela ainda era muito insegura. Mas Ele era extremamente apaixonante, do tipo que sorri com os olhos, divertido e tinha um senso de humor encantador. Conversaram muito aquela noite. Os gostos dele batiam com os dela e vice versa. Riam de cada coisa em comum que descobriam juntos. Ele estava nervoso, estava louco pra beijar aquela garota por quem ele estava encantado. Mas esperaria o tempo que fosse necessário, não queria apressar as coisas e colocar tudo a perder. Depois foi levá-la em casa e se despediram com um tchau tímido. A semana começou e a mesma rotina de sempre. Dessa vez ela retribuía os sorrisos, e sentia o rosto esquentar quando o via chegar. E ficava o dia todo esperando pra vê-lo no final da tarde. Marcaram de novo de ver mais um filme no final de semana. Como já era de se esperar, foram deixados sozinhos. Os dois estavam mais à vontade dessa vez, e conversaram sobre tudo. Pareciam ter nascido realmente um pro outro. Nem viram o filme de novo. Tinham coisas mais importantes pra se preocupar. Descobriram agradáveis surpresas um do outro naquela noite. Ela estava ansiosa por um beijo. Olhava nos olhos e em seguida olhava na boca dele. E ele fazia o mesmo, como se quisesse avisá-la de que ele também queria. A atração era grande e não era mais possível voltar atrás. E então acabou o assunto. Eles ficaram um pouco desconfortáveis com aquilo, porque desde que se conheceram o assunto não acabava nunca. Foi então que, depois de alguns segundos intermináveis de silêncio, Ele disse: “-Posso te pedir uma coisa?”. Ela disse que sim. Ele então olhou fundo nos olhos dela, respirou fundo, e perguntou: “-Posso te dar um beijo?”. Ela sorriu e consentiu com a cabeça. Fechou os olhos e esperou pelo beijo. Ele acariciou o rosto dela e a beijou. As bocas se encaixaram perfeitamente, num beijo molhado, calmo, interminável, como se as bocas tivessem sido feitas uma pra outra. Os corações aceleraram e começaram a bater no mesmo compasso, ao som da mesma música. E desde então os dois viraram um só.”
– Juliana Bassan (futura Ayon)
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Respeito

Para ler ouvindo:
Respect – Aretha Franklin

 

Vontades aparecem do nada. Do mesmo jeito que podem sumir. Eu tenho vontade de várias coisas, mas ninguém é obrigado a querer o que eu quero e vice-versa. Mas é incrível com tem gente que gosta de impor a sua vontade pros outros a qualquer custo.

EU quero que seja assim.

EU quero que você faça isso desse jeito.

Acredite, EU tenho experiência, sei do que tô falando.

EU sei o que é melhor pra você.

Não, não sabe. Eu sei o que é melhor pra mim e cada um sabe o que é melhor pra si mesmo. Conselhos são ótimos, mas imposições são péssimas. Não é porque deu certo pra um que dará com o outro. É sempre EU, EU, EU na cabeça desse tipo de gente. Só que eles esquecem que ninguém é dono da verdade. Cada um acredita no que quer e segue o que acredita. Todos têm visões diferentes da vida, cada um tem a sua maneira de encarar problemas e situações. Senão não existiria o livre arbítrio. Se eu não quero fazer uma determinada coisa, não sou obrigada porque alguém quer que eu a faça. E o que passa na cabeça dessa pessoa pra querer que eu faça o que ELA quer e não o que eu quero? Não entendo mesmo. Essa possessividade acaba destruindo relacionamentos. Amar não é tomar conta da vida das pessoas e fazer com que elas se tornem marionetes. As pessoas perdem a graça e a autenticidade assim. Não deixe que ninguém lhe diga o que fazer, conselhos são bons conselhos, mas a opinião final é sua. Sempre sua. Não é porque te mandaram se jogar no poço que você vai, não é? Desconfie se alguém vier te dizer que “aquela é sem dúvida a melhor opção” e que “você deve estar louco se escolher o amarelo e não o azul”. Não deixe os manipuladores tomarem conta de você. Defenda as suas vontades.

– Juliana Bassan Ayon

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Saudade

Trilha Sonora:

 

Gostosa de falar, mas chata de sentir. Saudade é uma afronta a nossa vontade. Às vezes é uma raiva que dá do destino, da vida, das situações. Uma dor que começa pequenininha e vai aumentando aos poucos, quase abrindo um buraco no coração. É a falta que dá daquela pessoa num momento em que só ela poderia falar o que você precisa ouvir.
Mas saudade não dá só por sentirmos falta de pessoas, especificamente.
Eu sinto falta de quando eu era pequena. Tempos gostosos aqueles. Tempos que eu, tão erroneamente rezei pra que passassem depressa. Mal sabia.
Saudade do tempo que o meu maior problema era a tarefa que eu não tinha feito e as notas boas que eu tinha que tirar na escola. E nem imaginava como era ter problemas de gente grande.
Tenho saudade de coisas que eu nem cheguei a viver e nem ver. Algumas coisas tiveram vida só dentro da minha cabeça mesmo.
Saudade de alguns amigos, aqueles que ontem foram os melhores, mas que hoje quase não aparecem mais. Por culpa deles, por culpa minha, por culpa da vida. A saudade aparece quando lembro das aventuras vividas com eles, das risadas, das bobagens faladas. De só estar junto.
Tenho saudades de algumas músicas, que me lembram sensações e sentimentos variados. Às vezes elas me ajudam a fazer as pazes com as minhas lembranças, nem sempre felizes.
Tenho saudade também da inocência que um dia eu tive.
Mas a maior saudade é a da gargalhada do meu pai, contagiante, que eu ainda não me conformei que nunca mais vou ouvir. Das piadas que ele fazia. Mas mais ainda das broncas e dos castigos, das palavras duras. Falta das chacoalhadas, pra acordar pra vida, que eu merecia receber hoje.
Saudade também de sonhos que eu um dia tive e que não moram mais em mim. Deram lugar a novos sonhos. Saudade de quem eu fui um dia…

-Juliana Bassan Ayon

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Vagando

Trilha Sonora:

“Do fundo do meu coração” – Adriana Calcanhoto

 

O mundo continua rodando.
O tempo não pára.
O coração continua batendo.
Às vezes mais forte, às vezes mais fraco.
Mas bate.
E ecoa.
Os passos que eu dei anos atrás interferem na minha caminhada de hoje.
Aqui se faz, aqui se paga.
Quem planta, colhe.
Ando tendo pesadelos.
Eles me assombram.
E me pressionam.
Os pensamentos estão confusos.
Voando pra longe.
Eu quero ir junto, mas minhas pernas não se mexem.
Não saem do mesmo lugar.
Onde foi que ficou aquela vontade toda que eu tinha de viver e crescer?
Por que eu me deixei levar pela rotina e parei de lutar?
Por que eu deixei que minha vida não andasse pra frente?
Não sei.
Juro que não sei.
Não sei em que parte do caminho eu me perdi.

E eu ainda nem voltei atrás pra tentar me achar.

Juliana Bassan Ayon

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personalidade.

ler ouvindo:
“Be Yourself” – Audioslave

Se assumir por inteiro, não ter vergonha de ser quem é e de falar o que pensa. É assumir as suas atitudes e escolhas e responder pelas consequências delas, mesmo se forem ruins. É não ser submissa e saber colocar os seus limites, sem ser tirana. É dizer verdades, mas não perder a doçura na voz. É expor e defender a tua opinião, mas ouvir o que o outro tem a dizer. É ser flexível, mas não dominada. Você pode escolher ter personalidade ou não. Se manter firme na sua opinião ou mudar completamente o seu pensamento porque fulano disse que assim é melhor. Você pode ouvir somente as músicas que você gosta, mesmo se elas forem de vários anos atrás, ou você pode se render às modinhas e ouvir o que todo mundo está ouvindo, mesmo sem gostar. Você pode se vestir de uma maneira só sua, mesmo usando algum item da moda, mas sempre respeitando seus gostos e seu estilo. A escolha é sua.
A nossa personalidade é construída através dos anos. Pelas pessoas que nos acompanham e nos influenciam, aquelas que a gente secretamente carrega de exemplo pela vida. Pelos filmes que a gente assiste e pelos livros que a gente lê, com aqueles personagens que dão conselhos melhores que pessoas reais. Somos feitos também da dor que sentimos, pelos tombos que caímos. Pelas amizades que construímos e pelas que perdemos, pelas pessoas que amamos. Somos feitos do tanto de informação que a gente absorve. Seja nas revistas, nos jornais, da internet, por palavras e frases aleatórias que ouvimos em determinada época da nossa vida e que nos marcam pra sempre. É um conjunto de fatores que faz de nós exatamente o que somos. E você, está contente com o que é?
– Juliana Bassan Ayon
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Palavras perdidas #1

Saudade.
Lembranças.
Sorrisos.
Abraços.
Carinho.
Companheirismo.
Amor.
Passeios.
Viagens.
Brincadeiras.
Discussão.
Brigas.
Reconciliação.
Conversas.
Segredos.
Conselhos.
Exemplo.
Dedicação.
Idéias.
Troca.
Amizade.
Cumplicidade.
Admiração.
Doença.
Medo.
Socorro.
Preocupação.
Dor.
Sofrimento.
Morte.
Tristeza.
Choro.
Conformismo.
Lágrimas.
Saudade.
-Juliana Bassan Ayon
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Ele

Para ler ouvindo:

É nele que eu penso quando escuto alguma música e encaixo algumas palavras na nossa vida.
É dele que eu sinto saudades.
É com ele que eu faço os meus planos.
É ele que me faz rir, que é divertido, que é meu amigo.
É ele que me protege e cuida de mim, embora às vezes eu não dê o devido valor e sempre queira mais e mais.
É ele que consegue melhorar o meu dia com uma ligação dizendo que foi só pra falar um “Oi” e saber como eu estava.
É o abraço dele que me conforta.
São as mãos dele que eu procuro pra segurar quando eu sinto medo.
É ele que eu quero que seja o pai dos meus filhos.
É ele que eu admiro do jeitinho que ele é, pelas qualidades e principalmente pelos defeitos, que o tornam único.
É ele que pensa completamente diferente de mim em determinadas coisas, mas que me faz rever conceitos por isso.
É ele que quando atrasa 10 minutos pra ligar faz com que meu estômago fique revirado. Mas não por ciúmes, por pura e simples preocupação e medo de que tenha acontecido alguma coisa. E essa sensação só passa depois que ele liga dizendo que ta tudo bem.
É ele que tem gostos completamente diferentes dos meus, mas que por isso me faz experimentar coisas novas.
É ele que me faz feliz. Meio que aos trancos e barrancos, mas faz.
É ele que me completa.
É, isso é amor, sim…

-Juliana Bassan Ayon

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Pronto, falei!

 

Quantas vezes eu já me senti sozinha nessa vida. Muitas vezes, muitas noites, muitos dias. Hoje é exatamente um dia assim. A solidão já apareceu quando eu tava sozinha, mas também já deu as caras quando tinha muita gente perto. Naquele momento quando você olha pro lado e vê que ali tem diversas pessoas procurando coisas, que nem elas sabem ao certo o que é. E nenhuma capaz de oferecer nada a você ou a quem quer que seja. Só sabem pedir e receber. Quantas vezes eu não procurei alguém precisando absurdamente ouvir um conselho e no final acabei dando um. Não é todo mundo que para pra escutar, que quer escutar. Todos querem falar, falar e falar. Agem como se só eles existissem, ninguém mais. Ei, eu tô aqui! Me escuta! Eu não sou descartável. Eu tenho meu valor, sim. Mas cadê que alguém vê? E quando você percebe que não tem mais serventia pros outros, se vê sozinha assim.
Acredito que nesse mundo a única pessoa com quem eu posso contar realmente sou eu mesma. Talvez nem possa contar tanto assim. E quer saber? Eu também sou humana, eu também sou egoísta e eu também quero ser ouvida sem ter que escutar lamentos de ninguém. Eu também estou bem preocupada com meu próprio umbigo. Por fim, eu sou igual a todo mundo a quem eu critico. Tudo farinha do mesmo saco.

-Juliana Bassan Ayon

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