sobre a sensação de não pertencer.

Para ler ouvindo: Creep – Radiohead

“What the hell am I doing here?
I don’t belong here.”

Eu nunca fui de multidões. Nunca gostei de aglomerações de gente e nem nunca fui a pessoa mais sociável e simpática do mundo. Eu sempre preferi ficar alheia no canto sozinha, só observando o mundo e as pessoas. Tenho o meu mundo particular e costumeiramente me escondo dentro dele. Por vezes é para me proteger, porque eu até gosto disso. Mas o mundo espera mais da gente e sempre foi bem difícil pra mim essa coisa de ser sociável. Eu casei com um cara que é a personificação do ser extrovertido e aprendi muito com ele. Eu me esforço, sabe? No começo sempre é mais difícil, mas depois quando já conheço melhor me abro que é uma beleza. Às vezes até demais. Mas tem dias que, por mais que eu me esforce, muita gente me dá pânico. E eu me jogo a força para dentro do meu mundo particular e não consigo sair.

Eu até posso estar entre amigos, conhecidos ou família. Com pessoas que em outras ocasiões tudo fluiu muito bem. Eu simplesmente travo, não consigo interagir. Me cansa tudo aquilo e me dá vontade de sair correndo e me isolar num canto. É como se todo o resto do mundo estivesse dentro de uma bolha e eu ali de fora olhando. E eu sinto não pertencer aquele lugar, nem aquela situação e nem a ninguém. Me sinto um nada, diferente, sozinha e isolada. A sacolinha voando sozinha e perdida em dia de tempestade.

Normalmente o escape vem de alguma atitude de alguém que me desagrada. Uma surpresa ruim. Um baque. Uma decepção. Uns tempos atrás, por imaturidade demais acredito, eu culpava os outros por isso. Achava que estava sendo jogada de lado ou injustiçada. Mas o fato é que ninguém tem nada a ver com isso. As pessoas são todas imperfeitas e eu não posso fazer nada a respeito. E enquanto todo esse conflito está dentro de mim, muita gente nem percebe o que está acontecendo. É como se desse um erro no sistema, uma pane nos neurônios e tudo ficasse confuso e eu ficasse alheia a tudo e a todos. Como se descolasse, desencaixasse. E, uma vez que só eu sei disso, só eu posso me ajudar. Tem dias que eu nem quero mesmo e fico ali bem de boa. Quando eu olho todo o resto do mundo de dentro da minha bolha imaginária eu consigo ter uma visão bem clara dos outros e da situação e isso me dá uma visão de mundo diferente e isso é bom. Mas tem vezes que é insuportável, sufocante. Como se todos os meus 31 anos tivessem sido vividos por outra pessoa que não eu. Como se tudo fosse um erro impossível de consertar. Eu tento voltar, mas dou com a cara no vidro. Me sinto uma peça avulsa sobrando no final depois que todo o quebra cabeça está montado porque sou parte de outro cenário, de outra paisagem. Porque não pertenço aquilo ali. Porque não pertenço a nada.

E hoje o que eu mais queria era pertencer.

– Juh, avulsa.

Continue Reading

dia do abraço.

Coisa boa da vida é abraço.
Abraço que aconchega, que aperta, que suporta.
Gosto de gente que abraça de verdade quando se encontra, seja depois de muito ou pouco tempo.
Que não fica com receio, que se entrega e se doa no abraço.
Que se faz entender no abraço.
Gosto de abraços que falam por si.
Por mais abraços apertados e verdadeiros.
Feliz dia do abraço! ♡

Continue Reading

aos pares.

trilha sonora: Dave Matthews Band-Love of my Life

Relacionamentos são complicados.
Se já somos complicados sozinhos, somos mais ainda aos pares.
A vida sozinho já não é fácil.
Ser uma boa companhia pra si mesmo
é um exercício diário de aprendizagem.
E pra ser boa companhia pra alguém
temos antes que ser boa companhia pra nós mesmos.
E se já é difícil Ser sozinho, que dirá Ser junto.
Não é fácil manter a individualidade se não deixar um pouco de lado o relacionamento.
Nem manter o relacionamento sem deixar um pouco de lado a individualidade.
Não é fácil chegar a um consenso, acertar a medida, ponderar.
Mas esse dia chega.
O deixar-se de lado deixa de existir.
Não existe mais subtração, só soma.
E quando tudo se equilibra, quando os dois lados se ajeitam, toda a complicação desaparece.
E fica tudo bem mais simples e divertido. ♡
– Juh, ponderando.

134202846216728_animate

Continue Reading

ao infinito e mais além.

trilha sonora: “Are We All We Are” – Pink

“Open up and let it be”

tumblr_n3pvuyrP6t1sad7cpo1_500

Fiquei ali cara a cara com o mar.
Olhando pra todo aquele tanto de água desaparecendo no horizonte.

Bravo, imenso e destemido.

Refletindo a beleza da natureza e os raios de sol.

Chegando explosivo nas pedras e voltando devagar e sereno pra dentro de si mesmo.

Fazendo bagunça, mas em seguida sendo calmaria.

Fazendo música.

Sendo poesia.

Queria ser como o mar.

Queria essa braveza toda.

Mas cá estou eu com a minha finitude.

Eu e os meus limites.

Eu e a minha falta de coragem.

Eu chegando explosiva sem saber encontrar a calmaria.

Sem saber voltar serena pra dentro de mim mesma.

Mas ainda dá tempo de aprender.

Um dia serei como o mar.

Um dia serei audaciosamente infinita.

– Juh, buscando o infinito e além.

Continue Reading

espetáculo.

Trilha Sonora: “To the Moon and Back” – Savage Garden

“she’s hanging all her hopes on the stars”

 

Tem dias que a gente parece ficar caçando motivos pra acreditar que a nossa vida é ruim. Sempre tem alguma coisa incomodando. Sempre tem alguma coisa que a gente coloca na lista de coisas que a gente queria mudar. Mas esquece das coisas boas e bonitas que tão ali todo dia e a gente nem dá atenção. Tanta coisa maravilhosa de graça nesse mundão e a gente aqui só dando audiência pras coisas erradas. A nossa vida é cheia de milagres diários, a gente só precisa aprender a reconhecê-los e a dar a devida importância que merecem.

image

-Juh, curtindo a praia apaixonada, feliz e inspirada pelo show da lua no céu. ♡

Continue Reading

Não ouse me parabenizar se você ainda não aprendeu a nos respeitar.

Trilha sonora: “Pagu” – Rita Lee e Zélia Duncan

“Mexo, remexo na inquisição
só quem já morreu na fogueira sabe o que é ser carvão
eu sou pau pra toda obra, Deus dá asas à minha cobra
minha força não é bruta, não sou freira nem sou puta”

 

Feliz dia, Mulher.
Mas se arruma um pouquinho vai, senão você vai parecer desleixada.
Feliz dia, Mulher.
Mas troca esse vestido aí que tá muito curto senão vão te chamar de vadia.
Feliz dia, Mulher.
Mas não pesa tanto assim na maquiagem, nas roupas e sapatos senão você vai ser taxada de fútil e estúpida.
Feliz dia, Mulher.
Mas não sai na rua com essa roupa aí não porque vai que um tarado te vê, né? Parece que tá pedindo pra ser estuprada.
Feliz dia, Mulher.
Mas não se iluda pensando que mesmo que você esteja toda coberta vai estar livre de assédio ou de sentir medo.
Feliz dia, Mulher.
Mas nem pense em falar em voz alta que você não quer filhos, sua desalmada sem coração.
Feliz dia, Mulher.
Mas se tiver, não descuida dos teus filhos nunca, viu? Porque qualquer coisa que acontecer a eles a culpa vai ser sempre sua que não soube criar, nunca do pai.
Feliz dia, Mulher.
Mas não engorda muito, hein? Sabe como é homem, logo te troca por outra mais magra.
Feliz dia, Mulher.
Mas nem pense em beber, falar e rir alto. Não vai querer que te chamem de vulgar, né?
Feliz dia, Mulher.
Mas nem se anime em ser ótima profissionalmente, teu salário nunca vai ser como o de um homem que desempenhe a mesma função.
Feliz dia, Mulher.
Mas não ouse ficar com muito caras, senão você sai automaticamente sai da categoria “pra casar” e vai pra categoria “só pra pegar”.
Feliz dia, Mulher.
Mas não tenha e muito menos expresse sua opinião sobre qualquer assunto, você nunca será boa o suficiente pra discutir sobre o que quer que seja.
Feliz dia, Mulher.
Mas toma aqui de presente esse guardanapo, essa panela, essa escova e esse balde pra você nunca esquecer de onde realmente é o seu lugar.
Feliz dia, Mulher.
E aproveita bem esse dia cheio de parabéns, bombons, flores e clichês. Porque até o próximo dia 08 de março você voltará a ser julgada, difamada, violada, abusada e esquecida.

image

#euqueroérespeito

Continue Reading

sozinha-inha-inha

Para ler ouvindo: “Ninguém Gosta de Se Sentir Só” – Tim Maia

“Às vezes me sinto só
Mas vou tentar mudar
E partir pr’uma melhor”

As pessoas vivem com medo de ficarem sozinhas. Eu era assim. A solidão assusta. A solidão nos faz dependentes de companhia, daí por isso muitas vezes a gente se coloca na situação de dependência de outros pra se sentir bem. A gente não precisa de ninguém pra se sentir bem. E quando percebe isso, tudo fica mais claro. Somos um amontoado de defeitos e qualidades e quando olhamos pra nós mesmos e pensamos: “ok, me sinto bem com isso” tudo flui mais naturalmente. Quando aprendemos a gostar da nossa própria companhia, tudo fica mais claro. Eu fico bem sozinha, aprendi apreciar estar comigo mesma. E, aprendendo a ficar bem comigo mesma, acabei me tornando uma companhia melhor pros outros.

-Juh, de boa sozinha.

Continue Reading

entojada.

Para ler ouvindo:

“Fake Tales Of San Francisco” – Arctic Monkeys

Vivendo a vida de faz de conta.
Criando cenários e histórias.
Fazendo um filme da própria vida.
Santa hipocrisia.
Não vive vida de verdade.
Cria uma imagem montada de si mesmo.
Faz da vida capítulo de novela.
Vida perfeita, conto de fadas.
Mártir de toda situação.
Mas é tudo montado, criado, fantasiado.
Ah, santa hipocrisia.
Santa pedância.
Dá até ânsia.

– Juh, entojada.
@oinstavelmundodajuh

Continue Reading