passarinho

Não tenho dormido muito. E no pouco tempo que durmo, sonho que estou caindo. De prédios, de viadutos, de pontes… E quando estou quase chegando ao chão, acordo num pulo. E daí desperto e não durmo mais. Mas a sensação de cair continua e me acompanha. Me sinto em queda livre o dia todo. E é assim até a noite. Daí me deito, durmo e sonho com uma nova queda. E acordo antes de morrer. Esses dias sonhei que estava no alto de um poste e, quando olhava pra mim mesma, via que eu não era eu, mas sim um passarinho. E daí eu me enchia de certeza porque, mesmo que eu caísse, eu não iria morrer porque eu sabia voar. Mas daí eu caía. E, no meio da queda, eu deixava de ser passarinho e virava eu de novo. E mais uma vez quando ia dar de cara no chão, acordava. Nem nos meus sonhos as coisas tem fim, nem ali se concretizam. Eu não aguento mais esse sentimento de queda me acompanhando o dia todo. Passo o dia andando na corda bamba. É exaustivo. São só sensações por todos os lados. Sensações inacabadas. Eu querendo acabar, mas sem poder chegar ao fim.

Continue Reading

Poesia audiovisual: “O coração e a solidão”

Poesia Audiovisual: “O coração e a Solidão”
Autoria: Juliana Bassan Ayon
Participação especial: @pitpandora 💛
www.oinstavemundodajuh.com.br
Música: Ecos (tema do Premiere Clip)

Uma série de vídeos com sons, imagens cotidianas, música e poesia. Tudo junto contando uma história, um fragmento de vida. Uma tentativa de transformar a dor de viver em arte e beleza.

A poesia completa pode ser lida aqui

#poesia #poeta #poema #escritora #videopoesia #poesiaaudiovisual #poesiavisual #oinstavelmundodajuh #coração #solidão #coracãosolitário

Continue Reading

querer x poder

Eu queria
mas não podia.
Dentro de mim
o sentimento ardia.
Que agonia!
Eu sabia
que aquele lugar
eu não pertencia.
Tentei esconder,
mas não conseguia.
A certeza era
de que eu sofreria.
Que por vários
perrengues passaria.
Por isso
eu escondia.
E fingia.
E ninguém
de nada sabia.
Eu pressentia
que isso nunca aconteceria.
Eu me reconhecia
como covarde.
Que não seria nada
além de vontade.
E que nunca
viraria realidade.
Porque todo dia
tenho a certeza de que
os boletos estão lá
sorridentes e faceiros
ansiosos a me esperar
dentro da caixinha de correio.

Continue Reading

livros

Quem não quiser
se sentir sozinho,
que carregue sempre
um livro junto de si.
Um livro.
Outro livro.
Mais um livro.
Tantas viagens sem sair do lugar.
Um vôo sem voar,
passeios sem andar.
Tantas companhias queridas
que me ensinaram imaginar. 💛

Foto por @scalco_marii na biblioteca comunitária do @literocupa
Continue Reading

universos

Dos aprendizados mais difíceis de engolir: não podemos esperar das pessoas as atitudes que nós mesmos teríamos em determinadas situações. Ninguém é igual, somos todos universos diferentes, complexos e desconexos. Mas apesar da frustração, existe certa beleza nisso.

Juh, lixo espacial.

Continue Reading

Ato

Diz que me disse
daqui,
diz que me disse
dali.

Quem
conta
um
conto
aumenta
um ponto.

Mas não tem sido só um ponto,
é toda a acentuação conhecida.
É até a invenção de novos verbos.
Tentam encontrar um jeito
de justificar o que é injustificável.
Tentam a todo custo defender
pontos de vista difíceis de crer.
Conhecimento de que importa?
Se o banalizaram de tal forma
que questionam o consistente
e acreditam piamente no demente.
Todos acreditam em tudo
e ninguém questiona nada.
Estudam pelas fake news no facebook
e tiram dúvidas pelos grupos do whatsApp.

Questionam estudiosos

e aplaudem ignorantes.

Massa de manobra.
Gente que é povo e se esqueceu.
Que luta com unhas e dentes
pelo fim da democracia.
Sem se dar conta de que ele mesmo
terá que se render a supremacia.
Tristes aqueles que não entendem
que nunca mais lhe será dada a chance
de dizer o que sente e o que pensa.
Acreditam pensar por si mesmos
mas estão inteiramente influenciados.
E defendem bravamente
uma ideologia desumana e opressora.
Não tem ciência de si mesmos
não tem consciência de classe.
Perderam a noção da realidade
e não vêem que eles mesmos
são o alvo e não o dardo,
são eles os oprimidos, os rebaixados.
Não vêem que são eles aqueles
que sofrerão as consequências
e não haverá reticências
porque teremos chegado ao fim.

Por isso luto
faço coro e oposição.
Questiono, debato e rebato.
E enquanto não me calam
eu indago e faço poesia.
E transformo minhas palavras
na minha grande arma.
Porque eu não aceito esse fim.
Eu ainda acredito nas pessoas.
Eu acredito num mundo melhor.
eu acredito no amor e na empatia.
Eu acredito na democracia.

– Juliana Bassan Ayon

Continue Reading

que azar, que azar

Eu tenho uma conta no banco e o aplicativo do dito cujo no celular, mas só uso pra consultas porque nunca tenho tempo de ir ao banco pra cadastrar a senha de quatro dígitos do token.
Eu sei que facilitaria muito a minha vida fazer tudo pelo celular, mas daí passou um dia, uma semana, um mês… E nunca cadastrei.
Daí hoje precisei de todo jeito ir ao banco direto no caixa. Não tive escapatória. E já que estava lá perguntei pro atendente se era demorado fazer isso.
– Não, moça. É rapidinho. Só aguardar o fulano ali na primeira mesa.
Fui até a primeira mesa da agência, vi um rapaz em pé e perguntei se ele era o sujeito que eu estava procurando, ao que ele me responde olhando pro crachá dele, onde estava visivelmente estampado que ele era quem eu estava procurando.
Mais um fora pra conta.
Questionei sobre o token, registrei minha senha linda de quatro dígitos, maaaaaaas…
Sempre tem um mas quando é comigo.
Chegou o.colega dele e comentou algo sobre meu número de agência. Senti uma bad vibes no ar.
Daí ambos se aproximaram.
A agência de origem da minha conta foi fechada e justo hoje, de todos os dias desse mês e desse ano, justo hoje as contas estavam migrando de agência. Ou seja, se eu tivesse ido ao banco ontem ou deixasse pra ir na segunda-feira daria certo, mas como eu fui hoje não deu.
Mais uma prova de que a lei que rege a minha vida é a lei de Murphy. 😬🙃😂

– Juh, A azarada.

Continue Reading

esfomeada

Minha vida antes, sem chance
Era monótona, vazia e triste
Do jeito que fica meu lanche
Quando não tem a cebola crispy

Você apareceu e fiquei sem defesa
Me deixou toda apaixonada
Só não superou aquela surpresa
Da burg oferta com cebola caramelizada

Me conquistou com seus olhos amorosos
E meu coração finalmente floriu
Os dias ficaram mais calorosos
Gostosos como molho barbecue

Você enche meu coração de amor
Deixa minha vida toda com mais sabor
Chega a ser transcendental
Como meu burguer com queijo emmental

-Juliana Bassan Ayon

(Esse poema eu do pra uma promoção de um jantar de dia dos namorados da Fritas & Burgers de Jaú. Eu não ganhei, mas o poema ficou legal. Então tá aqui hahah o/)

Continue Reading