um dia a menos

A gente nunca imaginou
que ia doer tanto,
mas ah, como dói.
A gente nunca espera
sofrer,
chorar,
perder.
Mas perdemos.
Todo o tempo.
O tempo todo.

Ninguém idealiza noites mal dormidas nem olhos inchados e olheiras fundas e escuras.

Ninguém deseja a solidão do quarto escuro.

Nem a dor da inutilidade individual perto da grandeza de todo o resto.

A insuficiência do querer ser algo a mais perante o desdém com o que mundo nos olha nos olhos.

Não temos controle de nada.
A dor não se sabe
de onde vem.
A solidão também.
Sempre perdemos.
Perdemos o tempo.
Cada segundo vivido
é um segundo a menos,
uma dor a menos,
um sorriso a menos.
Sempre perdemos.
Vivemos todo dia.
Todo dia um dia a menos.

– Juh Bassan

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refletir, cogitar e entender

Penso demais, penso muito.

Tanta coisa pesada, dolorida, densa…

Tanta coisa que parece que vai faltar o ar.

Mas daí é como se uma melodia começasse a tocar,

como se meus devaneios tomassem forma,

se encaixassem,

encontrassem um sentido…

Sílabas se combinam, se juntam e rimam.

É uma poesia surgindo, musicando meus pensamentos.

– Juh Bassan

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poesia sem sentido

De que me adianta a poesia?
De que me adianta ser poeta
se não há quem compreenda
a intensidade toda
que jorra dos meus versos?
Eu sempre mergulho só,
sinto em excesso.
E sozinha grito o meu amor,
e o confesso aos prantos
em versos apaixonados.
É doloroso.
Eu me faço ver
te faço me ler.
Sou uma alma perdida
que transforma tudo
em prosa e poesia.
E me amar não deveria ser
uma cortesia.
Eu só queria me sentir vista.
Um amor intenso
caloroso e real,
nada que eu tivesse
que ajoelhar e implorar.
Mas nunca pareceu possível.
Revejo nisso
minha sina, afinal.
O presságio
de que nunca serei alguém
digna de se amar.
Sempre uma sombra despercebida
na penumbra dessa medíocre vida.
– Juh Bassan04

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desconectada

para ler ouvindo: “Black Mirror” – The Arcade Fire 

“I never guessed how the mirror could ever break you”

 

Sou eu
desconectada de mim.
Eu, sozinha,
sem me reconhecer.
O reflexo no espelho
não é o meu.
Não sei quem ela é.
Sei que é assim,
tão diferente de mim.
Ela me dá saudade.
Há tanto tempo
não aparece.
Tanto tempo
que dela até se esquece.
Quem é ela?
Eu não sou.
Estou num quarto
rodeada de espelhos.
Formas geométricas
com partes de mim.
Tantos eu’s.
Escolhas, recaídas.
Tantos erros.
Dores, choro e lágrimas.
Nenhuma delas
se reconhece.
São todas estranhas.
Não partilham.
Se humilham
pelo papel principal.
Gritam e se estapeiam
por um lugar ao sol.
Os espelhos todos
estão agora em pedaços.
Não restou nada.
Todo mundo já foi embora.
Eu agora caminho
por cima dos cacos.
Meus pés sangram.
Mas não paro de andar.
Sigo em frente,
pra, enfim, achar meu lugar.

-Juh Bassan

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utopia

é como se tudo
não passasse de um sonho.
uma visão lírica e perfeita
onde sentimos o corpo flutuar,
mas que o fel da distância
nos obrigou a acordar.
e a feroz realidade
veio com charadas pra me dar
incógnitas que, de verdade,
não sei como decifrar.
nesse sonho ou delírio,
como quiser chamar,
esse sentimento era recíproco,
não havia medo de amar.
-Juh, ainda desejando sonhar.

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