final

E quando quiseres notícias de mim
Não mais vai ter jeito de saber
Construí paredes e instalei grades
E garanto assim nunca mais te ver.
Serei só lembrança e amargura
Sentirá falta da minha presença
Vai sentir aguçada a sua loucura
E se condenar na tua sentença.
Fui tanto tempo estúpida
Cansei de desprezo e desdém
Estou farta de sozinha te amar
Até daqui pra nunca mais, meu bem.
– Juh, adeus.

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eu e meu breu

Desde cedo sozinha aprendi
Que não era nada fácil ser eu
Tantas vezes a raiva em mim brotou
Porque com minha dor e meu breu
Ninguém nunca se importou.
Sou constantemente julgada
Na rua, no trabalho, na sociedade
E me sinto tantas vezes sufocada
pois ninguém me dá credibilidade.
Exigem de mim tanta coisa
Filhos, beleza, submissão
Mas ninguém de fato se importa
Com o que se passa no meu coração.
Meu fardo maior é esse
Ser mulher numa sociedade machista
Que exige de mim tanto esforço
Só pra que eu simplesmente exista
Pra suportar eu grito todo dia
Resista!
Não desista!
Persista!
O machismo é uma mão grande
que sufoca, me diminui e me cala
Que de todo lado me cerca
E rouba o meu lugar de fala.
Eu quero reconhecimento,
Respeito e integridade
Quero viver num mundo
Onde exista equidade.
Meu intelecto não se refere
Com o fato de eu ser mulher
Sou competente, sim senhor
E isso nada tem a ver
Com meu órgão reprodutor.

– Juliana Bassan Ayon

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mãe

E dentre todas as mulheres
que habitam esse mundo
Eu vim com destino certo
para o colo da minha mãe
Mulher forte e batalhadora
combativa, guerreira e lutadora
Que quando a vida tirou
o grande amor de sua vida
Apesar de toda dor ela lutou
mesmo estando destruída.
Olhou pros desafios e sorriu,
e então bravamente lutou.
Nos perrengues que se seguiu
três grandes filhos criou.
E houve quem dissesse
que ela não conseguiria
Mas mãe tem em si certa mágica
e ela nunca, por nada, desistiria
Nos deu amor e educação
Foi mãe, pai e oração
Esqueceu de si várias vezes
pra cuidar das suas crias
Dona do colo mais aconchegante
que nesse mundo se há de encontrar
Que só num abraço apertado
tem o poder de nos curar.
E o que eu mais admiro
é a grandiosidade da minha mãe.
Que pequenininha que nem é
carrega um enorme coração.
– Juliana Bassan Ayon

Feliz dia das Mães 💛

Homenagem pra minha mãe Regina Bassan, meu exemplo de mulher maravilhosa e destemida. Te amo, mãe!

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Coragem #DesafiodePoesia

Uma foto inspirando um poema.

Eu participo de um grupo no WhatsApp de poetas e escritores e algumas vezes o moderador nos desafia a escrever por algum meio de inspiração, seja por meio de música, filme, palavras ou foto.

O desafio de hoje era escrever um poema inspirado por essa foto aqui:

E eu gostei bastante do resultado. Espero que vocês também gostem 🙂

Coragem

Deitada no chão frio do quintal
Eu olhava pro céu, desiludida
Esperando ansiosa por um sinal
Que me fizesse sentir compreendida

Empilhada ao lado do portão
Já estava toda a minha bagagem
procurei acalmar meu coração
e busquei um resto de coragem

Destruí arquivos e reticências
Rasguei fotos e retratos
apaguei todas as evidências
joguei fora os mimos baratos

De tudo não quis levar nada
Que me trouxesse recordações
De você, meu camarada
Eu só levo escoriações

A imagem que eu vou me lembrar
é das fotos jogadas no chão
que eu fiz questão de pisar
quando saí de vez pelo portão

E amor melhor que existe
é o amor que temos pela gente
Que mesmo que se esteja triste,
preenche e nos deixa contente

E um dia ainda, eu acredito
Disso tudo eu vou esquecer
Meu coração ao invés de ser aflito
Vai de novo florescer

– Juliana Bassan Ayon

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desvendando

Ei, quem é você?
O mundo me grita
e exige respostas.
Espera que eu seja coesa
e ainda convincente.
Mas eu não posso responder.
Eu me renovo todo dia
Eu sou o medo e a folia
O desespero e a alegria
A felicidade e a agonia.
Sou incansável e ociosa
Esfarrapada e vaidosa
Sou nova todo dia
Como então me definir?
Se esse eu de agora
amanhã vai partir?
Se o medo de hoje
amanhã não mais vai existir?
Quem é você?
Me grita de novo o mundo.
Pois bem, te responderei.
Sou a incógnita,
o enigma, o mistério
Sou toda incompreensão.
Te desafio a me desvendar.
– Juliana Bassan Ayon

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bonança

Tão certo quanto o grande fato
de que um dia vamos morrer
é a certeza de que nesse caminho,
inevitavelmente, vamos sofrer.

Nos sentiremos as piores criaturas
vamos ser destruídos, esmagados
e nos inundaremos em lágrimas
quando nos sentirmos dilacerados.

Nem tudo serão flores
alguns dias serão incompreensíveis
mas mesmo cheios de dores
precisamos nos tornar incorruptíveis

E te digo, mesmo no infortúnio
alguma coisa boa podemos tirar
a tristeza nos torna mais fortes
e a dor pode ajudar a transformar.

A vida é curta, só um sopro
passa que a gente nem vê
não tem nela botão de pause
e desaparece sem se perceber.

Mesmo com a chuva espessa
eu mantenho sempre a esperança
pois é como sempre dizem
depois da tempestade vem a bonança.

– Juliana Bassan Ayon

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simpleza

Saí pra rua e olhei pro céu
vi as nuvens se acinzentando
quis pintar aquelas cores no papel
e me perder no tempo desenhando.
A chuva foi começando a cair
e senti um pingo indiscreto
gelar minha nuca e me contraí
e sai correndo procurando um teto.
Do meu abrigo observei a cena,
ninguém querendo se molhar
e a chuva só na dela, caindo serena
e ninguém parando pra observar.
As raras belezas do mundo
por quase ninguém são notadas
estão todos num abismo profundo
com suas almas inanimadas.
Todo mundo com muita pressa
sem rumo, mas todos correndo
não vêem o que realmente interessa
vivem sem perceber que estão morrendo.
– Juliana Bassan Ayon

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insônia

Eu gosto de te olhar dormir
De ouvir sua respiração
Observar seu sono e então
no meio do sonho sorrir
Eu gosto dessa cumplicidade
Sinto paz no teu abraço
e no aconchego dos teus braços
mergulho em tranquilidade
Mas eu quero a tormenta,
o furacão desbravado
Quero você acordado
Deixando a casa barulhenta
Meu desejo, agora, de verdade
Era bagunçar a casa inteira
Tirar tua roupa e jogar na cadeira
E ser nua a tua insanidade
E entre risos e desejos,
Sopros e mordidas
E amor sem medidas
Me perderia nos seus beijos
Mas a insônia é só minha
E o sono profundo é seu
E enquanto você dorme no breu
eu te observo daqui, sozinha.
– Juliana Bassan Ayon

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