pequena

Não carrego em mim nada de perfeição. Mas sou toda imensidão. Transpiro intensidade e é verdade que nem sempre sou o mais afável dos seres. Mas tô sempre na luta. Não me contento com nada e estou sempre buscando mais e sei que nada nunca vai ser suficiente. Eu choro, eu grito, eu brigo. Eu tento, sempre. E nem sempre consigo. Só tenho a certeza que minha alma já não é mais tão pequenininha, sei que estou sempre buscando ser a dona de uma alma um pouco mais imensa a cada dia.

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pqp

Eu queria não sentir o problema.
Eu não queria sentir o problema,
não como o sinto.
Eu não queria me sentir o problema.
Mas como problema sempre me sinto.
Me percebo rodeada de gente
que não parece mais gente.
De gente que não é o que diz que é.
Gente que tá me fazendo perder a fé.
Gente que matou um pedaço de mim, até.
Gente que um dia eu achei
que fosse a melhor gente.
E que hoje me faz descrente
e prova que me enganei.
Gente que usou de mim como pôde
que sugou o que podia e soube
me fazer de imbecil.
Gente que me fez de escada
subiu até onde podia e com nada
nunca me retribuiu.
Devo ter mesmo cara de trouxa
mas meu problema mesmo é ser trouxa
e que vá tudo pra puta que pariu.

(primeira vez que uso um palavrão numa poesia, mas hoje foi necessário)

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tesouro

O ônibus que eu pego pra ir embora do trabalho passa todo dia na frente da casa da minha mãe e todo dia ela espera no portão pra me dar tchau. Até se está chovendo. Aquele sorriso acolhedor. Aquele sacudir de mão que atravessa o vidro e me alcança sentada no meu banco. Aquele olhar que diz tanto, sem dizer nada. Daí eu sigo meu trajeto. Mas não sigo só porque o amor dela vem vindo junto comigo. Se esse não é o maior tesouro que se pode ter na vida, então não sei o que poderia ser. 💛

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desencaixe

Se eu não me encaixo,
por que é que eu fico?
Se eu não me sinto parte,
por que é que insisto?
Se o que eu sou afronta,
se pra onde vou amedronta,
por que é que corro o risco?
Se não posso ser compreendida
qual o sentido de ser ouvida?
Juh, desencaixada e sem respostas.

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mergulho

vivo essa vida corrida
que implora ser vivida
que rouba a minha calma
e voraz suga minha alma

que me tira os anseios
aumenta a dor que já existe
acentua meus receios
e faz de mim vazia e triste

quero reaprender a amar
na serenidade mergulhar
e me banhar em euforia

quero me reencontrar
contra o mundo lutar
e celebrar minha autonomia

ser de novo dona de mim
e quem sabe assim
ser, enfim, feliz

– Juliana Bassan Ayon

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ironia

Corri pra ver o arco-íris. Mas devido aos meus tropeços, cheguei atrasada. Só consegui ver o céu cinza cheio de nuvens exasperadas e nada gentis. E é irônico como isso tem acontecido sempre. Eu tenho corrido muito, mas tenho estado sempre atrasada. Sempre perco o belo, o confortante, o feliz. Sempre espio pela janela os outros felizes contemplando as paisagens bonitas, mas eu mesma não consigo ver a beleza, porque a grade fechada na minha cara tampa a minha visão. Tenho corrido tanto, mas ao invés de correr pra viver, tenho corrido pra morrer. Sou obrigada a olhar somente pras paredes, pra lugares sem cor e sem vida. Vejo só nuvens carregadas de tempestade. E nunca mais vi nenhum arco-íris.

– Juliana Bassan Ayon

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ímpar

Devo ter surgido num deslize
Num erro, num defeito
Saí estranha da forma
Em nada me reconheço
Não encontro iguais
Não vejo similaridades
Não sou unidade,
Fragmento ou pedaço
Não sou porção de nada
Nem parte de conjunto nenhum
Sou peça única, solitária
Eu, inabitada
Eu por mim mesma
Vim sozinha pra essa vida
E do mesmo jeito dela partirei.
– Juh, desvalida.

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maldição

Eis que dentro de mim sinto
a maldição de ser poeta
de carregar um coração faminto
e uma mente louca e inquieta
crio histórias e fantasias
sorrio vivendo na imaginação
suplico por grandes alegrias
e descubro em mim
uma grande paixão
sonhos que me fazem arrepiar
mas o que seria de mim
se não pudesse sonhar?
ah, que grande agonia!
me sinto amaldiçoada
por ver em tudo poesia,
de amor ficar atordoada
e por sentir tudo em demasia
injusta essa maldição
que me faz amar assim
me faz berrar a negação
e me obriga a tudo isso
dar um fim.
que grande maldição
ter nascido poeta
e ser tão pateta
por expor minha rendição.

– Juliana Bassan Ayon

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arrebatada

Encontros e
desencontros
Idas e vindas
algumas vezes
idas sem vindas
Chegadas sem aviso
E partidas sem despedida
Vida corrida
sentimento impreciso
A voz que grita
na minha cabeça
Confusa e escusa
Bem contraditória
Não tenho escapatória
Fui laçada
Caçada
Abatida
Ok, eu me rendo
Acabou
Você ganhou.
– Juliana Bassan Ayon

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afogamento

Tem dias em que toda a turbulência que existe dentro de mim formam um tsunami. Ondas gigantes de desespero. Afundo, me debato e quase me afogo. Fico submersa, de olhos arregalados e de repente tudo some e eu perco a consciência. Tudo fica em silêncio. De repente, tudo vai voltando a clarear As cores vão reaparecendo. E dentro do meu caos reencontro minha calmaria.
– Juh, maremoto.

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