bonança

Tão certo quanto o grande fato
de que um dia vamos morrer
é a certeza de que nesse caminho,
inevitavelmente, vamos sofrer.

Nos sentiremos as piores criaturas
vamos ser destruídos, esmagados
e nos inundaremos em lágrimas
quando nos sentirmos dilacerados.

Nem tudo serão flores
alguns dias serão incompreensíveis
mas mesmo cheios de dores
precisamos nos tornar incorruptíveis

E te digo, mesmo no infortúnio
alguma coisa boa podemos tirar
a tristeza nos torna mais fortes
e a dor pode ajudar a transformar.

A vida é curta, só um sopro
passa que a gente nem vê
não tem nela botão de pause
e desaparece sem se perceber.

Mesmo com a chuva espessa
eu mantenho sempre a esperança
pois é como sempre dizem
depois da tempestade vem a bonança.

– Juliana Bassan Ayon

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simpleza

Saí pra rua e olhei pro céu
vi as nuvens se acinzentando
quis pintar aquelas cores no papel
e me perder no tempo desenhando.
A chuva foi começando a cair
e senti um pingo indiscreto
gelar minha nuca e me contraí
e sai correndo procurando um teto.
Do meu abrigo observei a cena,
ninguém querendo se molhar
e a chuva só na dela, caindo serena
e ninguém parando pra observar.
As raras belezas do mundo
por quase ninguém são notadas
estão todos num abismo profundo
com suas almas inanimadas.
Todo mundo com muita pressa
sem rumo, mas todos correndo
não vêem o que realmente interessa
vivem sem perceber que estão morrendo.
– Juliana Bassan Ayon

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insônia

Eu gosto de te olhar dormir
De ouvir sua respiração
Observar seu sono e então
no meio do sonho sorrir
Eu gosto dessa cumplicidade
Sinto paz no teu abraço
e no aconchego dos teus braços
mergulho em tranquilidade
Mas eu quero a tormenta,
o furacão desbravado
Quero você acordado
Deixando a casa barulhenta
Meu desejo, agora, de verdade
Era bagunçar a casa inteira
Tirar tua roupa e jogar na cadeira
E ser nua a tua insanidade
E entre risos e desejos,
Sopros e mordidas
E amor sem medidas
Me perderia nos seus beijos
Mas a insônia é só minha
E o sono profundo é seu
E enquanto você dorme no breu
eu te observo daqui, sozinha.
– Juliana Bassan Ayon

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faminta

eu tenho sentido fome
mas não de nada
que alimente meu corpo físico
tenho sentido fome
do que preenche a alma
de carinho, de afeto
de paz e de calma
tenho sentido fome
de compreensão e de abraços
de bolos de carinho
e de tortas de sorrisos
eu tenho sentido fome
estou faminta de amor.
– Juliana Bassan Ayon

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irreal

 

Eu fico o dia todo esperando pra te ver

eu fico inquieta e cheia de tensão

ansiando por ter você

e acalmar meu coração.

Eu tento te entender

procuro decifrar os sinais

nunca consigo compreender

e não acho que eu seja capaz.

Eu deixo de prestar atenção,

eu fico toda avoada

eu questiono a sua intenção

e me sinto atordoada.

Você ri e me tranquiliza

e logo depois desaparece

quando chega me estabiliza

e quando some me enlouquece

Eu odeio essa sua pausa

mas confesso, te juro

amo o tormento que você me causa

mesmo sozinha no escuro.

Eu crio paranóias de estimação

e você tem ajudado a alimentá-las

preferia que você fosse São Jorge no dragão

e viesse me ajudar a matá-las.

Você fica nessa indefinição

não sei se é realidade ou fantasia

Talvez você seja minha destruição

ou quem sabe meu poço de alegria.

Você é a idealização que eu criei

é a atração que ficou e insistiu

você é a felicidade que eu desejei

mas que na real nunca existiu.

– Juliana Bassan Ayon

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brandura

Oi, tá tudo bem?
Você chegou quieto
fica economizando frase
parece estar evitando afeto.
Queria saber como foi seu dia,
se você pensou em mim
com o mesmo ardor e euforia
que eu pensei em você.
Se desejou meu abraço sentir
como desejei nos seus braços cair
Se teve lembranças, como eu
se teve saudade do que aconteceu.
Ontem à noite, antes de adormecer,
eu tentei por um momento esquecer
das brigas e toda desavença
que resultaram na tua ausência
Hoje todas as músicas que eu ouvi
não me deixaram te esquecer
os versos todos lembravam a gente
ah, vou enlouquecer!
Queria não ter mais segredos,
queria mergulhar nos teus beijos
Mas você não me conta nada
você fica nessa palhaçada
Fica aí de lero lero
mostrando todo o seu dissabor
e tudo o que eu, largada, espero
é um pouco do seu calor.
– Juh, com frio.

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Nada a declarar

E se eu soubesse antes, baby
que eu podia ser o que eu quisesse
sem precisar de você
eu já tava longe desse estresse
eu ia pra Lua pra te esquecer
Eu tinha virado astronauta
Eu até roubava um foguete
subornava o aeronauta
e ia longe pra não ser seu joguete.
Eu comeria doce no almoço
e salgado de sobremesa
faria tudo ao contrário
mandaria a merda a tua frieza.
Mas sempre me acho pequena,
irrelevante e arruinada
que só sei ser problema
e difícil de ser amada.
Daí nisso tudo eu me pergunto
Onde é que isso tudo vai parar?
Se é tão difícil estar junto
não tenho mais nada a declarar.
-Juliana Bassan Ayon

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por um triz

Tenho colecionado
medalhas de bronze
e faixas de segundo lugar
Tenho juntado fracassos,
disputas e desastres,
sem poder evitar.
Quase ganhei uma bolada
Quase minha vida arrumava
Só, quase
Quase me formei no que eu gostava
Quase disse que o amava
Eu, quase
Quase cheguei lá
Quase pude comemorar
De novo, quase
Vi a recompensa
encostando na ponta do nariz
quase me deixando contente
Mais uma vez, por um triz
Eu ré, o destino juiz
me forçando a ser desistente
Eu, quase feliz.
– Juliana Bassan Ayon

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