faminta

eu tenho sentido fome
mas não de nada
que alimente meu corpo físico
tenho sentido fome
do que preenche a alma
de carinho, de afeto
de paz e de calma
tenho sentido fome
de compreensão e de abraços
de bolos de carinho
e de tortas de sorrisos
eu tenho sentido fome
estou faminta de amor.
– Juliana Bassan Ayon

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irreal

 

Eu fico o dia todo esperando pra te ver

eu fico inquieta e cheia de tensão

ansiando por ter você

e acalmar meu coração.

Eu tento te entender

procuro decifrar os sinais

nunca consigo compreender

e não acho que eu seja capaz.

Eu deixo de prestar atenção,

eu fico toda avoada

eu questiono a sua intenção

e me sinto atordoada.

Você ri e me tranquiliza

e logo depois desaparece

quando chega me estabiliza

e quando some me enlouquece

Eu odeio essa sua pausa

mas confesso, te juro

amo o tormento que você me causa

mesmo sozinha no escuro.

Eu crio paranóias de estimação

e você tem ajudado a alimentá-las

preferia que você fosse São Jorge no dragão

e viesse me ajudar a matá-las.

Você fica nessa indefinição

não sei se é realidade ou fantasia

Talvez você seja minha destruição

ou quem sabe meu poço de alegria.

Você é a idealização que eu criei

é a atração que ficou e insistiu

você é a felicidade que eu desejei

mas que na real nunca existiu.

– Juliana Bassan Ayon

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brandura

Oi, tá tudo bem?
Você chegou quieto
fica economizando frase
parece estar evitando afeto.
Queria saber como foi seu dia,
se você pensou em mim
com o mesmo ardor e euforia
que eu pensei em você.
Se desejou meu abraço sentir
como desejei nos seus braços cair
Se teve lembranças, como eu
se teve saudade do que aconteceu.
Ontem à noite, antes de adormecer,
eu tentei por um momento esquecer
das brigas e toda desavença
que resultaram na tua ausência
Hoje todas as músicas que eu ouvi
não me deixaram te esquecer
os versos todos lembravam a gente
ah, vou enlouquecer!
Queria não ter mais segredos,
queria mergulhar nos teus beijos
Mas você não me conta nada
você fica nessa palhaçada
Fica aí de lero lero
mostrando todo o seu dissabor
e tudo o que eu, largada, espero
é um pouco do seu calor.
– Juh, com frio.

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Nada a declarar

E se eu soubesse antes, baby
que eu podia ser o que eu quisesse
sem precisar de você
eu já tava longe desse estresse
eu ia pra Lua pra te esquecer
Eu tinha virado astronauta
Eu até roubava um foguete
subornava o aeronauta
e ia longe pra não ser seu joguete.
Eu comeria doce no almoço
e salgado de sobremesa
faria tudo ao contrário
mandaria a merda a tua frieza.
Mas sempre me acho pequena,
irrelevante e arruinada
que só sei ser problema
e difícil de ser amada.
Daí nisso tudo eu me pergunto
Onde é que isso tudo vai parar?
Se é tão difícil estar junto
não tenho mais nada a declarar.
-Juliana Bassan Ayon

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por um triz

Tenho colecionado
medalhas de bronze
e faixas de segundo lugar
Tenho juntado fracassos,
disputas e desastres,
sem poder evitar.
Quase ganhei uma bolada
Quase minha vida arrumava
Só, quase
Quase me formei no que eu gostava
Quase disse que o amava
Eu, quase
Quase cheguei lá
Quase pude comemorar
De novo, quase
Vi a recompensa
encostando na ponta do nariz
quase me deixando contente
Mais uma vez, por um triz
Eu ré, o destino juiz
me forçando a ser desistente
Eu, quase feliz.
– Juliana Bassan Ayon

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o fim do começo do meu mundo

Já vivi muitos fins do mundo,
desamor, morte, decepção.
Tsunamis e terremotos
dilacerando o meu coração.
Já voei num avião sem piloto
e pulei sem paraquedas na mão.
Já senti o chão quebrando
e numa cratera me engolindo.
Já senti o fogo me queimando
me deixando cinza e no limbo.
Mas em todos eles,
eu lutei e sobrevivi.
E descobri, ali no fim,
um fio de esperança e renasci.
O que a vida me tirou
talvez não devesse mais ficar.
O que não nos pertence
devemos deixar livre pra voar.
E no meio do caos
reforcei a fé e aprendi esperar.
E transformei o epitáfio
num novo prefácio.
E ao invés de juntar os cacos
escrevi uma nova história.
E dancei feliz com a ventania
nas páginas em branco a preencher.
Vem, vamos junto comigo
temos muitas aventuras pra viver.
E até que meu novo mundo
chegue ao fim novamente
eu vou aproveitando o caminho
venturoso, satisfeito e contente.
– Juliana Bassan Ayon

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coadjuvante

Desejei, só uma vez
Ser eu a protagonista
A dona da história
Um só dia que fosse
Ter pra mim toda a glória
Ganhar o papel principal
levantar a taça da vitória
Mas fui toda vida anônima
sendo mera coadjuvante
com poucas falas e poucas cenas
sempre sendo irrelevante
Não me destaco na memória
Sou uma vergonha desconcertante
Tenho em mim toda a escória
e um fracasso redundante.
E na edição final
Eu, figurante, sombra do ator
tive os meus únicos segundos
Cortados pelo diretor.

– Juliana Bassan Ayon

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Eu, tormenta

Atenção, atenção
Procura-se o meu Eu
não se tem mais notícias
desde que amanheceu.

Fugido de dentro de mim
cansou de se sentir acorrentado
preso numa mente ruim
decidiu construir seu próprio legado.

Visto pela última vez
triste, correndo grande perigo
num salto mortal de insensatez
se transformando em inimigo.

Esse Eu muda sempre de forma
vilã, mocinha, capitã, figurante
nos capotes ás vezes se deforma
mas se refaz e segue adiante.

Na contradição vive a banhar-se
não tem escrúpulos e não faz sentido
busca algo sólido para apoiar-se
e remendar seu coração ressentido.

Quer sempre o impossível
deseja o indesejável
nunca se mostrou plausível
ou se nomeou responsável.

Esse Eu por aí está solto
fora de mim desejando apreço
tem se feito mar revolto
prendam ele ou enlouqueço.

– Juliana Bassan Ayon

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frieza

para ler ouvindo: Cold (Feat. Future) – Maroon 5

Eu tenho falado com as paredes
e cheguei a conclusão de que elas,
tão estáticas e quietas,
me ouvem melhor do que você.
Você e seus olhos
que não olham mais nos meus.
Me vejo trancada no breu,
não sei onde a gente se perdeu.
Eu choro e você não vê,
me destroço e você não me lê.
Impassível, impossível.
Uma agonia, uma frieza
servida sobre a mesa.
Um soco no estômago,
cubos de gelo no lugar do coração.
Não quero mais viver em negação.
As malas já estão na rua
e minha sanidade foi parar na lua.
Mas aqui estagnada estou,
enterrada até os joelhos
com os pedaços de mim que você quebrou.
-Juh, em pedaços.

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