o fim do começo do meu mundo

Já vivi muitos fins do mundo,
desamor, morte, decepção.
Tsunamis e terremotos
dilacerando o meu coração.
Já voei num avião sem piloto
e pulei sem paraquedas na mão.
Já senti o chão quebrando
e numa cratera me engolindo.
Já senti o fogo me queimando
me deixando cinza e no limbo.
Mas em todos eles,
eu lutei e sobrevivi.
E descobri, ali no fim,
um fio de esperança e renasci.
O que a vida me tirou
talvez não devesse mais ficar.
O que não nos pertence
devemos deixar livre pra voar.
E no meio do caos
reforcei a fé e aprendi esperar.
E transformei o epitáfio
num novo prefácio.
E ao invés de juntar os cacos
escrevi uma nova história.
E dancei feliz com a ventania
nas páginas em branco a preencher.
Vem, vamos junto comigo
temos muitas aventuras pra viver.
E até que meu novo mundo
chegue ao fim novamente
eu vou aproveitando o caminho
venturoso, satisfeito e contente.
– Juliana Bassan Ayon

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coadjuvante

Desejei, só uma vez
Ser eu a protagonista
A dona da história
Um só dia que fosse
Ter pra mim toda a glória
Ganhar o papel principal
levantar a taça da vitória
Mas fui toda vida anônima
sendo mera coadjuvante
com poucas falas e poucas cenas
sempre sendo irrelevante
Não me destaco na memória
Sou uma vergonha desconcertante
Tenho em mim toda a escória
e um fracasso redundante.
E na edição final
Eu, figurante, sombra do ator
tive os meus únicos segundos
Cortados pelo diretor.

– Juliana Bassan Ayon

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Eu, tormenta

Atenção, atenção
Procura-se o meu Eu
não se tem mais notícias
desde que amanheceu.

Fugido de dentro de mim
cansou de se sentir acorrentado
preso numa mente ruim
decidiu construir seu próprio legado.

Visto pela última vez
triste, correndo grande perigo
num salto mortal de insensatez
se transformando em inimigo.

Esse Eu muda sempre de forma
vilã, mocinha, capitã, figurante
nos capotes ás vezes se deforma
mas se refaz e segue adiante.

Na contradição vive a banhar-se
não tem escrúpulos e não faz sentido
busca algo sólido para apoiar-se
e remendar seu coração ressentido.

Quer sempre o impossível
deseja o indesejável
nunca se mostrou plausível
ou se nomeou responsável.

Esse Eu por aí está solto
fora de mim desejando apreço
tem se feito mar revolto
prendam ele ou enlouqueço.

– Juliana Bassan Ayon

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frieza

para ler ouvindo: Cold (Feat. Future) – Maroon 5

Eu tenho falado com as paredes
e cheguei a conclusão de que elas,
tão estáticas e quietas,
me ouvem melhor do que você.
Você e seus olhos
que não olham mais nos meus.
Me vejo trancada no breu,
não sei onde a gente se perdeu.
Eu choro e você não vê,
me destroço e você não me lê.
Impassível, impossível.
Uma agonia, uma frieza
servida sobre a mesa.
Um soco no estômago,
cubos de gelo no lugar do coração.
Não quero mais viver em negação.
As malas já estão na rua
e minha sanidade foi parar na lua.
Mas aqui estagnada estou,
enterrada até os joelhos
com os pedaços de mim que você quebrou.
-Juh, em pedaços.

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da saudade

De tudo dá saudade
da voz
do calor
do olhar
Dá saudade
da risada que não será mais ouvida
do abraço que não será mais sentido
da vida que não será mais vivida
Dá saudade
das bagunças que a gente faria
dos rumos que a vida tomaria
daquilo que eu me tornaria
Dá saudade
do que a ausência impediu de realizar
do que o partir impediu de existir
do que o morrer impediu de viver
Um detalhe
Um segundo
Um sorriso
Me dá saudade,
tenho muita saudade
– Juh, cheia de saudade

30 de Janeiro, dia da Saudade

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Transbordando #Parcerias

transbordando

 

Ele chega de sopetão

e enche a vida de ardor

Bem aí nesse coração

chegou, enfim, o amor

E eu que já era completa

Agora transbordo felicidade ao teu lado

E tudo o que peço é que vire rotina

hoje, amanhã e pra todo o sempre

Somando o melhor de você e de mim

à tarde, à noite ou as duas da matina.

– Juliana Bassan Ayon e Sabrina Hoier

Parceria  “O Instável Mundo da Juh” & “O Amor entre Versos

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Sobre corações partidos e os partidores de corações.

trilha sonora: Turn Back Time – Aqua
“Claim your right to see the truth
Though my pangs of conscience,
Will drill a hole in you”

M (2)

 

 

Na primeira vez meu coração partiu em dois.

E doeu.

Na segunda quebrou em doze pedaços.

E doeu um pouco mais.

Na terceira os cacos foram tantos e tão pequenos que parei de contar.

E não parei de chorar.

E veio a quarta, quinta vez…

Sangrei, gritei, superei.

E mesmo a contragosto me acostumei.

Alguns pedaços colei de volta no lugar.

Outros nunca mais encontrei.

Algumas feridas cicatrizaram bem.

Outras deixaram marcas até hoje.

E meu coração todo remendado sobreviveu.

Mas quantos corações eu já parti?

Quantas vezes entrei sem a intenção de ficar?

Somos todos donos de corações partidos.

E somos todos partidores de corações.

Histórias inacabadas e momentos inapropriados.

Uma novela, uma tragédia.

Um filme sem desfecho, um livro sem final feliz.

Já sentimos e já causamos dor.

Somos o vírus e o remédio.

A doença e a cura.

Tudo depende do ponto de vista do narrador.

– Juliana Bassan Ayon

 

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Falácia

trilha sonora: Pigs – Pink Floyd 
You’re nearly a laugh but you’re really a cry…
 quem diria (3)
Gente santa não existe,
Nunca enchi uma mão.
Mas aquele que se faz de santo,
Ah, daí conheço uma multidão.
O inferno são sempre os outros,
Pecado só o vizinho tem.
Fala na cara quando quer,
E pelas costas quando convém.
São sempre todos vencedores,
Ganham todas as apostas.
Mas cuidado, fique alerta
O punhal vem pelas costas.
O burburinho hoje começa
E espero a todos convencer
Bobo daquele que duvidar
Dos fatos que tento transparecer.
Confiança é um troço frágil,
Não duvide da minha percepção.
Mentira tem perna curta
E eu não sou trouxa, não.
 
-Juh, cansada de fazer papel de trouxa.
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Quem diria.

Para ler ouvindo:

Empathy – Alanis Morissette

quem diria

 

Vez em quando se falava

Tanta história, tanta ladainha

Da menina, tão sozinha

Que perdida se encontrava.

No silêncio assombroso

Sempre o choro se ouvia

Da menina arredia

Com seu destino penoso.

Tanto choro, tanto lamento

Pelo caminho da estrada

A menina, coitada

Toda quebrada por dentro.

Só um ponto na multidão

Era isso pra quem via

A menina, quem diria

Não tinha mais um coração.

-Juliana Bassan Ayon

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Encaixe.

Para ler ouvindo: The Scientist – Coldplay
“I was just guessing at numbers and figures, Pulling the puzzles apart…”

 

quem diria (5)

E o que somos nós além de peças de um grande quebra cabeça.

Peças que encaixam e que sozinhas não servem pra muita coisa.

Sozinhas não somos paisagem e nem bicho.

Nem cavalo, nem céu com sol e nem riacho.

Sem sentido é o que somos quando estamos sozinhos.

Um pedaço de uma grande imagem.

Um pequeno pedaço de um grande acontecimento.

Várias peças até passam por nós e parecem encaixar.

Mas não é assim tão simples.

Falsos encaixes acontecem, acredite.

Mas no chacoalhão da vida as peças todas balançam dentro da caixa.

Reviravoltas acontecem.

Os falsos encaixes vão pra longe.

E os encaixes perfeitos se apresentam.

E finalmente o desenho começa a aparecer.

As imagens começam a fazer sentido.

E eu daqui do meio dessa confusão toda

Fico curiosa pra saber a imagem que surgirá no final.
– Juh, só mais uma peça.

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