tempo

O tempo tem passado
rápido, ligeiro, abrupto.
Com muita pressa
e tem depressa
roubado partes
de mim.
O trabalho e as
responsabilidades
roubam meus dias.
Horas
Minutos.
Segundos.
Não me pertencem.
Não tenho mais
tanto tempo.
Sinto um cansaço
avassalador.
Cada dia vivido
pode ser o último.
Preciso dizer.
Resolver agora.
Não tenho tempo.
Quero já.
Não posso esperar.
Não consigo segurar.
Estou viva
mas não mais.
TEMPO.
O que é isso
que já nem sei mais?

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verbalizar

para ler ouvindo: “Apenas mais uma de amor” – Lulu Santos

Queria conseguir
verbalizar o que eu sinto.
Queria poder dizer
alto e limpo.
Queria juntar
todas as letras do alfabeto,
misturar com desenhos e cores,
com tintas e rimas,
tudo o que eu tenho sentido.
E te entregar.
Queria exteriorizar
toda a beleza e contradição
que tem tomado conta do meu coração.
Que faz dos meus sentimentos canção.
Não tenho sentido muitas coisas bonitas.
Mas no meio desse turbilhão de coisa feia
esse amor ainda semeia
e polêmico
segue enraizando
no solo putrefato do meu peito.
E cresce.
Cada dia mais lindo, mais forte,
faiscante.
Contrastando
com a escuridão de mim,
com meu desejo do fim.
És meu recomeço.
É minha fonte de apreço.
É quem eu nem acredito
que mereço.
Eu só sinto.
E desejo.
Mas não digo.
Porque não posso verbalizar.

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Sonho pra conquistá – Poesia Caipira

Hoje foi o Arraiá do @somascoletivo lá Vitrolê Cultural, sô!

E minha missão foi representar o @literocupa, junto com a Mari Scalco, e participar do microfone aberto com poesias caipiras.

E especialmente pra hoje, me desafiei e escrevi uma poesia no dialeto caipireis.

Com vocês o poema

‘Sonho pra conquistá’

Bás noite, gente bonita
Agradecida da presença
Vô conta um causo proceis
Então ceis me dê licença

Tinha um moça, minha vizinha
Que vivia num casarão
Ela era bem suzinha
Num queria casar, não

As famiage vivia comentano
que suzinha ela ia ficá doente
Mai ninguém entendia que ela
Quiria memo é sê independente

foi morá na cidade
estudô, fez faculdade
e lá pra roça ela vortô
pá dividi o que conquistô

a moça virô dotora
e foi lá das pessoa cuidá
dos moradô virô benfeitora
e passô as doença curá

As menina da vila
na moça fôro se inspirá
e até fizero fila
pra vorta a estudá

Essa história é proceis vê
que não importa o que falem docê
Se ocê tem um sonho pá realizá
O mundo é teu, vai conquistá!

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estar

Eu tenho buscado o silêncio.
Mas os gritos dentro de mim
não me deixam ouvir nada.
Nem meus próprios
pedidos de socorro.
Nada além de tudo.
Nada além de alma.
Tudo menos calma.

E assim não vivo.
Não sinto o sabor dos instantes.
Não absorvo os segundos.
E estou fadada
a desaprender viver.
Sigo anestesiada.
Estou cansada.

Se estou aqui penso lá.
Se lá estou, penso aqui.
E de tanto pensar
em estar em outros lugares
Nunca em lugar nenhum
eu realmente estou.

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Vazio

Sou o vazio.
Um buraco.
Fundo, sem fim.
Sou chuva.
Sou a água enchendo esse buraco.
Sou a terra molhada e lamacenta,
que meleca e gruda.
Sou a lama que afunda quem pisa
e prende pelos pés.
Sou o sol.
Que esquenta, evapora e seca.
Sou o solo desnutrido, seco e quebrado.
Sou a terra seca
que entra nas narinas e as resseca,
impedindo de respirar.
Sou o ar.
Sou a tempestade
que arranca as árvores do chão
e as rodopia no céu.
Sou o vento que sopra o fogo
e faz com que ele fique mais forte.
Daí viro eu o fogo.
Sou o fogo.
Que queima e arde.
Que destrói
e transforma tudo em cinzas.
Eu sou as cinzas.
No vazio.
Dentro de um buraco.

(uma poesia que surgiu no meio do vazio da madrugada.)

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espelho

Hoje o espelho falou comigo.
Me contou coisas
que eu tenho tentado não ver.
Me disse coisas
que tenho tentado esquecer.
Não sou mais tão jovem,
não adianta querer esconder.
Não tenho mais aquela luz
que existia e brilhava em mim.
Minha escuridão hoje faz jus
a quem se aproxima do fim.
Carrego riscos no meu rosto.
Marcas de tanto desgosto.
Os riscos que já fingi não ver.
As lamúrias que tento esquecer.
Sou a mesma,
mas não sou mais.
Estou mais velha,
rugas acidentais.
Vejo rugas, inclusive
na testa da caveira
que faceira
estampa a minha coxa.
Vejo linhas na minha pele
como um solo ressecado.
Meu corpo não é mais meu.
Meu cérebro envelheceu.
Não penso mais
com tanta clareza.
Não possuo mais
tanta esperteza.
Minhas bochechas
estão caídas.
Minha pele
menos elástica,
menos bonita.
Vida sarcástica.
Minha pele está líquida.
Me vejo derretendo.
E rigidez só enxergo
nos meus sentimentos.
Meus peitos,
antes tão firmes,
hoje estão flácidos.
E quando, nua,
deito de bruços,
vejo eles pendurados,
formando gotas
bicudas e redondas.
E vejo neles a flacidez
e as linhas das estrias.
Os riscos rosados e brancos
como se fossem rios.
Como se fossem caules,
que descem
de encontro aos mamilos.
Os mamilos,
antes rosados,
agora arroxeados,
estão disformes,
como se fossem uma flor.
Um flor há tanto tempo
desabrochada
que agora está ressecada
e esperando se decompor.
O espelho me mostra
um corpo que não reconheço
um lugar onde não pertenço.
Alguém mais velha,
alguém usada,
alguém ultrapassada.
Alguém medrosa.
Eu jovem era tão corajosa!
Mas agora não sei mais
onde encontrar braveza
e nem destreza
pra me aceitar como estou.
O espelho me contou que mudei.
Que não sou mais aquela
que estava aqui antes.
Não sei quem sou.
Não sei mais ser.
O espelho me contou
que eu não sou mais quem eu era,
mas que eu ainda sou alguém.

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sentença

Se tem uma coisa que admiro
É a forma como a vida dá voltas
E, cedo ou tarde,
joga aos nossos pés
a nossa sentença
Cobra as desavenças
E elimina qualquer reticências
A cobrança vem
e a forma a gente nunca sabe
não dá pra prever
só dá pra colher.

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falar, calar ou sentir

Algumas coisas
temos necessidade de falar.
De colocar pra fora,
independente do jeito.
Outras coisas
são melhores caladas.
Guardadas em segredo.
Quase como se não existissem.
Já mais outras,
diferentes das anteriores,
precisam ser sentidas.
Só sentidas.
Sem falar, sem calar.
Só sentir.
Sentir a fundo.
Só o mergulho profundo,
intenso e poderoso.
Se deixar dominar,
preencher e transformar.
E assim compreender.
E dentro desse mundo,
se conhecer.
E só depois de sentir
se decidir.
Se sobre isso se deve
falar ou calar.

– Juh Bassan

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Sobre como algumas coisas seriam caso outras tivessem acontecido

Quantos universos paralelos existiriam se cada oportunidade/escolha que eu tive se transformasse num caminho diferente?
Em quantos deles eu seria feliz?
O que seria essa felicidade?
O que eu estaria buscando?
Pelo que eu estaria chorando?
Que música eu estaria ouvindo?
Quem seriam meus amigos?
Onde eu estaria?
Com o que eu trabalharia?
Qual importância eu teria?
O que eu estaria aprendendo?
Quem me amaria?
Quem eu estaria amando?
Pelo que eu estaria vivendo?
E se não estivesse vivendo…
pelo que eu estaria morrendo?

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