frieza

para ler ouvindo: Cold (Feat. Future) – Maroon 5

Eu tenho falado com as paredes
e cheguei a conclusão de que elas,
tão estáticas e quietas,
me ouvem melhor do que você.
Você e seus olhos
que não olham mais nos meus.
Me vejo trancada no breu,
não sei onde a gente se perdeu.
Eu choro e você não vê,
me destroço e você não me lê.
Impassível, impossível.
Uma agonia, uma frieza
servida sobre a mesa.
Um soco no estômago,
cubos de gelo no lugar do coração.
Não quero mais viver em negação.
As malas já estão na rua
e minha sanidade foi parar na lua.
Mas aqui estagnada estou,
enterrada até os joelhos
com os pedaços de mim que você quebrou.
-Juh, em pedaços.

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da saudade

De tudo dá saudade
da voz
do calor
do olhar
Dá saudade
da risada que não será mais ouvida
do abraço que não será mais sentido
da vida que não será mais vivida
Dá saudade
das bagunças que a gente faria
dos rumos que a vida tomaria
daquilo que eu me tornaria
Dá saudade
do que a ausência impediu de realizar
do que o partir impediu de existir
do que o morrer impediu de viver
Um detalhe
Um segundo
Um sorriso
Me dá saudade,
tenho muita saudade
– Juh, cheia de saudade

30 de Janeiro, dia da Saudade

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Transbordando #Parcerias

transbordando

 

Ele chega de sopetão

e enche a vida de ardor

Bem aí nesse coração

chegou, enfim, o amor

E eu que já era completa

Agora transbordo felicidade ao teu lado

E tudo o que peço é que vire rotina

hoje, amanhã e pra todo o sempre

Somando o melhor de você e de mim

à tarde, à noite ou as duas da matina.

– Juliana Bassan Ayon e Sabrina Hoier

Parceria  “O Instável Mundo da Juh” & “O Amor entre Versos

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Sobre corações partidos e os partidores de corações.

trilha sonora: Turn Back Time – Aqua
“Claim your right to see the truth
Though my pangs of conscience,
Will drill a hole in you”

M (2)

 

 

Na primeira vez meu coração partiu em dois.

E doeu.

Na segunda quebrou em doze pedaços.

E doeu um pouco mais.

Na terceira os cacos foram tantos e tão pequenos que parei de contar.

E não parei de chorar.

E veio a quarta, quinta vez…

Sangrei, gritei, superei.

E mesmo a contragosto me acostumei.

Alguns pedaços colei de volta no lugar.

Outros nunca mais encontrei.

Algumas feridas cicatrizaram bem.

Outras deixaram marcas até hoje.

E meu coração todo remendado sobreviveu.

Mas quantos corações eu já parti?

Quantas vezes entrei sem a intenção de ficar?

Somos todos donos de corações partidos.

E somos todos partidores de corações.

Histórias inacabadas e momentos inapropriados.

Uma novela, uma tragédia.

Um filme sem desfecho, um livro sem final feliz.

Já sentimos e já causamos dor.

Somos o vírus e o remédio.

A doença e a cura.

Tudo depende do ponto de vista do narrador.

– Juliana Bassan Ayon

 

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Falácia

trilha sonora: Pigs – Pink Floyd 
You’re nearly a laugh but you’re really a cry…
 quem diria (3)
Gente santa não existe,
Nunca enchi uma mão.
Mas aquele que se faz de santo,
Ah, daí conheço uma multidão.
O inferno são sempre os outros,
Pecado só o vizinho tem.
Fala na cara quando quer,
E pelas costas quando convém.
São sempre todos vencedores,
Ganham todas as apostas.
Mas cuidado, fique alerta
O punhal vem pelas costas.
O burburinho hoje começa
E espero a todos convencer
Bobo daquele que duvidar
Dos fatos que tento transparecer.
Confiança é um troço frágil,
Não duvide da minha percepção.
Mentira tem perna curta
E eu não sou trouxa, não.
 
-Juh, cansada de fazer papel de trouxa.
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Quem diria.

Para ler ouvindo:

Empathy – Alanis Morissette

quem diria

 

Vez em quando se falava

Tanta história, tanta ladainha

Da menina, tão sozinha

Que perdida se encontrava.

No silêncio assombroso

Sempre o choro se ouvia

Da menina arredia

Com seu destino penoso.

Tanto choro, tanto lamento

Pelo caminho da estrada

A menina, coitada

Toda quebrada por dentro.

Só um ponto na multidão

Era isso pra quem via

A menina, quem diria

Não tinha mais um coração.

-Juliana Bassan Ayon

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Encaixe.

Para ler ouvindo: The Scientist – Coldplay
“I was just guessing at numbers and figures, Pulling the puzzles apart…”

 

quem diria (5)

E o que somos nós além de peças de um grande quebra cabeça.

Peças que encaixam e que sozinhas não servem pra muita coisa.

Sozinhas não somos paisagem e nem bicho.

Nem cavalo, nem céu com sol e nem riacho.

Sem sentido é o que somos quando estamos sozinhos.

Um pedaço de uma grande imagem.

Um pequeno pedaço de um grande acontecimento.

Várias peças até passam por nós e parecem encaixar.

Mas não é assim tão simples.

Falsos encaixes acontecem, acredite.

Mas no chacoalhão da vida as peças todas balançam dentro da caixa.

Reviravoltas acontecem.

Os falsos encaixes vão pra longe.

E os encaixes perfeitos se apresentam.

E finalmente o desenho começa a aparecer.

As imagens começam a fazer sentido.

E eu daqui do meio dessa confusão toda

Fico curiosa pra saber a imagem que surgirá no final.
– Juh, só mais uma peça.

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Poesia em vídeo – Malograda :)

Já falei aqui no blog sobre o projeto literário Senhoras Obscenas e nesse post onde entrevistei as três idealizadoras do projeto (Grazi, Carla e Adriana) comentei que eu havia gravado uma participação pro canal, então tô postando aqui embaixo o vídeo onde declamei meu poema Malograda. Tcharan:


(Não liguem pra pessoa descoordenada aqui e nem pra péssima qualidade do vídeo, se liguem pro poema, ok?). hehe

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Projeto Literário “Senhoras Obscenas”

Trilha sonora:  Poema de Hilda Hilst musicado por Zeca Baleiro, na voz de Ná Ozzetti

No mês passado eu tive a grata surpresa de receber uma mensagem da Adriana Caló me convidando para participar do projeto “Senhoras Obscenas” com um dos meus poemas. O canal vem com a intenção de trazer pra rede mulheres escritoras, que tenham suas obras publicadas ou não, e também divulgar o trabalho de grandes e talentosas escritoras que pouca gente conhece.

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