condição

Para ler ouvindo:
“That I Would Be Good” – Alanis Morissette

“That I would be good / Even if I lost sanity / That I would be good / Whether with or without you”

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Olho pra dentro de mim e gosto do que vejo.
Já fui por vezes errada, já fiz coisas das quais não me orgulho.
E tenho que acordar todos os dias e conviver com isso.
Vejo um lado vazio e um lado cheio.
Vazio de quem eu deveria ter sido, do que eu deveria ter feito.
Cheio de quem eu fui e dos erros e acertos que eu cometi.
Tantas vezes me arrependi por não ter tido coragem.
Coragem pra dizer algo que queria dizer, logo após deixar a chance escapulir.
Como fui covarde! Tantas vezes me escondi com medo de dizer o que sentia.
Em contrapartida, outras tantas me vesti com uma falsa coragem.
E disse coisas que na verdade não queria dizer.
Tantas vezes me arrependi do que disse logo após vomitar as palavras.
Nestas tantas vezes saí de casa como se estivesse a interpretar um personagem.
Guardei as mágoas na bolsa, emprestei um sorriso falso e enfrentei o dia.
Fingi ser alguém que eu não era e não convenci ninguém.
Sempre tive medo da solidão, de ser deixada de lado.
Não lidava bem com o esquecimento e buscava desesperadamente atenção.
E sempre levei porrada da vida me jogando na cara que esse não era o caminho.
Hoje ando sozinha, entendi o recado e aprendi a gostar dessa condição.
Entendo-me na minha coragem e na minha covardia.
E sinto-me compreendida dentro da minha solidão.
-Juliana Bassan Ayon

 

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graça

 

 

Eu sou questionadora.
Sempre questionei decisões e caminhos.
Sempre busquei por quês.
Sempre fiz perguntas sobre tudo.
Sempre quis entender motivos e razões.
Lembro-me de acordar todos os dias desejando uma resposta.
E de procurar desesperadamente sinais em lugares absurdos.
Queria sempre encontrar um algo a mais que fizesse tudo ter sentido.
Eu sempre procurei a graça da vida.

E demorei a descobrir que a graça da vida está justamente em procurar.

-Juliana Bassan Ayon

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reflexo

 

 

Quem é você?
O que quer de mim?
Por que me olha com tanto desprezo?
Por que fica sério assim franzindo essas rugas na testa?
Por que está aí parado?
De onde você veio?
Por que tanto mau humor nessa cara?
E essas manchas todas no rosto, essas olheiras…
São de cansaço ou de choro?
Tá fazendo o que aqui?
Por que não responde?
Quem é você com esse rosto cansado e esses olhos vermelhos?
E por que é que me olha daí de dentro do espelho?
{Juliana Bassan Ayon}
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todo dia.

 trilha sonora: P!nk – Don’t Let Me Get Me

Todo.
Dia.
Nego a minha covardia.
Ganho uma nova fratura.
Ou uma nova decepção.
Todo.
Dia.
Escuto algo que me traz alegria.
Vivo uma nova aventura.
Escuto uma nova canção.
Todo.
Dia.
Uma hora eu entristeço
Saio de esgueio.
Só porque estou afim.
Todo.
Dia.
Um novo começo.
Um novo meio.
Um novo fim.
-Juliana Bassan Ayon
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e se?

 

E se você pudesse voltar no tempo?
Trocar o trajeto.
Mudar a história.
Não ter ferido. Não ter mentido.
Enfrentado. Enfiado a cara.
Não ter sentido tanto medo.
Deixar tudo do seu jeito.
Será que seria o suficiente?
Será que mesmo assim não se sentiria incompleto?
E será que você nesse seu novo futuro recriado,
Não imaginaria a vida indo por outros caminhos,
E desejaria poder voltar no tempo e deixar tudo como era antes?

{Juliana Bassan Ayon}

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malograda

Um dia vou querer ser assim tão segura
E não me deixar levar pela amargura
Que mora no meu coração.
Será que viver assim nessa penumbra
Sempre me sentindo imunda
Faz parte do meu destino tal qual uma maldição?
Viver assim não quero mais
Não sei se sou capaz
De aguentar mais tanta humilhação.
Queria aprender sorrir com gosto,
Viver sem desgosto
E enxergar a vida com paixão.
Mas acredite, ainda tenho fé
De que um dia vai melhorar essa maré
E então vou ser a criatura mais contente da estação.
~Juliana Bassan Ayon~
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rimas e sonhos

Seu Luiz passou pela praça indo rumo à padaria e viu a menina sentada no banco com cara de poucos amigos. Aproximou-se e sentou ao lado dela.

– Tainá, que cara é essa?
– Não tô num dia bom, Seu Luiz.
– Humm, como assim?
– Tá difícil, tudo sempre dá errado. Eu sonho e nunca acontece. Eu só queria ser feliz, Seu Luiz.
Ele olhou sério pra menina e disse:
– É só levantar a bunda do sofá e ‘encará’ a vida, Tainá.
A menina sorriu e os dois caíram na gargalhada por causa das rimas improvisadas.
– Vem, vamos comigo na padaria que lá tem sonho. Pode não ser o que você quer, mas tenho certeza que vai adoçar o seu dia.
{Juliana Bassan Ayon}
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tudo bem

 

 

 

Tudo vai bem.
Vai ficar tudo bem.
Sim, eu sei. Vai chegar o dia que tudo vai ficar realmente bem.
E daí tudo fará sentido, todo o sentido que eu espero.
Não tenho medo de cair de novo, e mais outra vez lá na frente se for preciso.
Porque eu acredito que no final, tudo vai ficar bem.
Sim, vai ficar tudo bem.
-Juliana Bassan Ayon

 

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10 anos de nós dois

Trilha Sonora:

 

Bom dias açucarados, discussões calorosas, beijos de tirar o fôlego, brigas de cinema, lágrimas de alegria, choro de raiva. Noites dormidas agarradinhos, outras cada um de um lado da cama, e tantas em camas distantes torcendo e querendo estar junto. Dúvidas que se transformaram em certezas e certezas que ainda tem um cisco de insegurança. Dias frios, dias mornos, dias quentes cheios de problemas e outros cheios de soluções. 10 anos de mim, 10 anos de você. Tantos dias cheios de muitas coisas e faltando outras tantas. Mas o que nunca faltou foi amor, isso a gente tem de sobra pra viver pra sempre. Feliz 10 anos de nós dois.
-Juliana Bassan Ayon
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além

 

 

Talvez eu seja só mais uma no mundo querendo ser alguma coisa além de nada. O que eu falo muitas vezes surpreende de uma forma negativa, mas sei que tem muita gente que pensa o mesmo, mas não verbaliza. Talvez eu seja politicamente incorreta. Mas sei de gente que chama algumas atitudes de politicamente incorretas, mas por dentro queria dizer exatamente a mesma coisa, só não tem coragem pra isso. Sair da zona de conforto nem é tão ruim assim. Descarrega o peso que a gente carrega nas costas por guardar tudo, por engolir palavras e por vezes xingamentos. Por ver coisas erradas e não contestar, ver coisas que incomodam e não falar nada. Tem muita coisa que me incomoda, tem muita coisa que eu não concordo, tem muita coisa que eu vejo e não gosto. E tem muita gente que vê tudo isso igual a mim. Eu gosto de por pra fora, de extravasar, de apontar os erros que eu gostaria que fossem corrigidos. Não por capricho meu, mas por acreditar que seria melhor se esses erros não existissem. Eu poderia ficar calada e morrer odiando certas coisas sem nunca ter pronunciado um ‘a’ contra. Mas eu prefiro falar. Na verdade prefiro escrever. Que é a maneira que eu tenho encontrado pra colocar pra fora, um jeito de descarregar a minha insatisfação, talvez um meio de acabar com esse tanto de coisa que me incomoda.

{Juliana Bassan Ayon}

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