Falácia

trilha sonora: Pigs – Pink Floyd 
You’re nearly a laugh but you’re really a cry…
 quem diria (3)
Gente santa não existe,
Nunca enchi uma mão.
Mas aquele que se faz de santo,
Ah, daí conheço uma multidão.
O inferno são sempre os outros,
Pecado só o vizinho tem.
Fala na cara quando quer,
E pelas costas quando convém.
São sempre todos vencedores,
Ganham todas as apostas.
Mas cuidado, fique alerta
O punhal vem pelas costas.
O burburinho hoje começa
E espero a todos convencer
Bobo daquele que duvidar
Dos fatos que tento transparecer.
Confiança é um troço frágil,
Não duvide da minha percepção.
Mentira tem perna curta
E eu não sou trouxa, não.
 
-Juh, cansada de fazer papel de trouxa.
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Quem diria.

Para ler ouvindo:

Empathy – Alanis Morissette

quem diria

 

Vez em quando se falava

Tanta história, tanta ladainha

Da menina, tão sozinha

Que perdida se encontrava.

No silêncio assombroso

Sempre o choro se ouvia

Da menina arredia

Com seu destino penoso.

Tanto choro, tanto lamento

Pelo caminho da estrada

A menina, coitada

Toda quebrada por dentro.

Só um ponto na multidão

Era isso pra quem via

A menina, quem diria

Não tinha mais um coração.

-Juliana Bassan Ayon

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Encaixe.

Para ler ouvindo: The Scientist – Coldplay
“I was just guessing at numbers and figures, Pulling the puzzles apart…”

 

quem diria (5)

E o que somos nós além de peças de um grande quebra cabeça.

Peças que encaixam e que sozinhas não servem pra muita coisa.

Sozinhas não somos paisagem e nem bicho.

Nem cavalo, nem céu com sol e nem riacho.

Sem sentido é o que somos quando estamos sozinhos.

Um pedaço de uma grande imagem.

Um pequeno pedaço de um grande acontecimento.

Várias peças até passam por nós e parecem encaixar.

Mas não é assim tão simples.

Falsos encaixes acontecem, acredite.

Mas no chacoalhão da vida as peças todas balançam dentro da caixa.

Reviravoltas acontecem.

Os falsos encaixes vão pra longe.

E os encaixes perfeitos se apresentam.

E finalmente o desenho começa a aparecer.

As imagens começam a fazer sentido.

E eu daqui do meio dessa confusão toda

Fico curiosa pra saber a imagem que surgirá no final.
– Juh, só mais uma peça.

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Poesia em vídeo – Malograda :)

Já falei aqui no blog sobre o projeto literário Senhoras Obscenas e nesse post onde entrevistei as três idealizadoras do projeto (Grazi, Carla e Adriana) comentei que eu havia gravado uma participação pro canal, então tô postando aqui embaixo o vídeo onde declamei meu poema Malograda. Tcharan:


(Não liguem pra pessoa descoordenada aqui e nem pra péssima qualidade do vídeo, se liguem pro poema, ok?). hehe

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Projeto Literário “Senhoras Obscenas”

Trilha sonora:  Poema de Hilda Hilst musicado por Zeca Baleiro, na voz de Ná Ozzetti

No mês passado eu tive a grata surpresa de receber uma mensagem da Adriana Caló me convidando para participar do projeto “Senhoras Obscenas” com um dos meus poemas. O canal vem com a intenção de trazer pra rede mulheres escritoras, que tenham suas obras publicadas ou não, e também divulgar o trabalho de grandes e talentosas escritoras que pouca gente conhece.

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dentro e fora.

trilha sonora: Desire – U2 

 

Dentro de tudo o que eu sinto,
o alento.
Dentro de todo o meu tormento,
o declínio.
Dentro de todo o meu raciocínio,
a incerteza.
Dentro de toda a minha braveza,
a calmaria.
Dentro do som da minha gritaria,
a quietude.
Dentro de toda a minha atitude,
a hesitação.
Dentro de toda a despretensão,
a passividade.
Dentro de toda essa vivacidade,
a omissão.
Dentro de toda essa paixão,
o desejo.
Dentro de tudo o que almejo,
o segredo.
Dentro e bem fundo nesse enredo,
o que me tornei.

– Juh, dentro e fora de tudo, onde fiquei.

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ao infinito e mais além.

trilha sonora: “Are We All We Are” – Pink

“Open up and let it be”

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Fiquei ali cara a cara com o mar.
Olhando pra todo aquele tanto de água desaparecendo no horizonte.

Bravo, imenso e destemido.

Refletindo a beleza da natureza e os raios de sol.

Chegando explosivo nas pedras e voltando devagar e sereno pra dentro de si mesmo.

Fazendo bagunça, mas em seguida sendo calmaria.

Fazendo música.

Sendo poesia.

Queria ser como o mar.

Queria essa braveza toda.

Mas cá estou eu com a minha finitude.

Eu e os meus limites.

Eu e a minha falta de coragem.

Eu chegando explosiva sem saber encontrar a calmaria.

Sem saber voltar serena pra dentro de mim mesma.

Mas ainda dá tempo de aprender.

Um dia serei como o mar.

Um dia serei audaciosamente infinita.

– Juh, buscando o infinito e além.

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