iluminando

Dizem que quando a gente come muito o estômago dilata. E que daí quanto mais a gente come, mais aguenta comer. Acho que o coração da gente deve se comportar do mesmo jeito. Eu amo e daí amo mais e mais e mais. E não pára nunca de crescer esse amor. Estou envolta em amor. E esse amor é como se fosse um pisca-pisca enorme de luzinhas coloridas enrolado em mim. Eu sozinha na escuridão de ser eu, porém iluminada pelas luzinhas coloridas e piscantes do meu amor por você.

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perfeição e podridão

Todo mundo parece ter um manual de como deveríamos viver. De como deveríamos nos comportar. Principalmente na era da internet, onde todo mundo exibe suas vidas plenas e perfeitas em fotos bem pensadas e posadas, exibindo pro mundo uma felicidade invejável. Stories de garrafas de cerveja, taças de vinhos, festas, lugares bonitos… Mas quem disse que essa felicidade é real? A minha não é. Existem momentos alegres e os compartilho, sim. Exibo também as minhas taças de vinho. Mas eu não sou alegre o tempo todo. A felicidade é uma utopia. Eu não estou feliz, tenho andado triste não é de hoje. E eu escrevo sobre isso. Eu falo das dores que sinto, da minha desimportância no mundo. Porque é doloroso viver.
Hoje o dia começou com uma garoa fina e quieta, que deixou o dia gelado e cinza. No meu caminho de volta pra casa passei em frente a uma igreja, mas que são duas na verdade, uma ao lado da outra. A primeira pequena e antiga; a nova grande e imponente. As duas com as portas fechadas. E eu vi, na porta da grandona, um senhor ajeitando suas cobertas pra dormir. Esse é o mundo que vivemos. A porta da casa do Senhor, fechada, não abre para abrigar um filho D’Ele que está passando frio. No reflexo da janela do ônibus vi meu rosto ficando vermelho com a chegada do choro. Eu ferrada sem um real no bolso, sem limite no cartão. Quis descer do ônibus, mas estava longe de casa, poucos passes na carteira, final de mês… Eu não iria poder fazer nada. Eu, egoísta. Eu tenho uma casa pra voltar, uma casa que me abrigaria da chuva e do frio e com coisas que matariam a minha fome. Como se sentir confortável num mundo desse? Como voltar pra casa e simplesmente esquecer aquela cena? Como não pensar em quantos outros que estão assim? Que morrem de fome e de frio. Que sobrevivem apenas. Como não pensar nas pessoas que morrem todos os dias porque não tiveram a mesma sorte que eu? Qual a diferença entre eu e eles? O que eu tenho de diferente pra ter nascido em um lugar onde tenho o privilégio de viver confortavelmente? E todas essas pessoas que morrem afogadas no oceano fugindo da guerra em seus países? Por quê?
E toda vez em que em pensamento eu reclamo de alguma coisa na minha vida, eu penso nisso tudo. E a dor se torna maior. Porque me acho egoísta e ingrata. Porque eu deveria ser grata pelo que tenho. Mas uma tristeza tão grande tem tomado conta de mim que tenho sentido dificuldade em sentir gratidão. E daí, quando vejo cenas como a de hoje, a dor é mais intensa. E de que jeito eu a expresso? Escrevendo. Porque eu sei que eu não sou a única ridícula egoísta desse mundo. Só que ao invés de jogar meu egoísmo pra debaixo do tapete e mostrar perfeição como se espera, eu escrevo sobre a minha podridão. Sobre a minha condição de humana imperfeita. Eu escancaro. E daí, como eu disse lá no começo do post, as pessoas no geral tem um manual de comportamento. Porque eu não deveria escrever coisas tristes. Eu não deveria postar tanta coisa triste. Eu não deveria me expor tanto. Mas não sei ser de outro jeito. E não posso obrigar ninguém a se sentir confortável com isso. A ideia é justamente o contrário.

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chovendo

As coisas nunca são tão boas quanto a forma como as imaginamos. Nunca contamos com os imprevistos. Ainda mais eu, sempre tão otimista e sonhadora. Sempre poetizando meu olhar sobre tudo. Mas o mundo não é um sonho. Existe muita poesia por aí, mas tem dias em que o mundo não é nada poético. E fica rígido, duro e grosseiro. Hoje o dia foi desses, me deu pancada o tempo todo. Voltei pra casa chovendo junto com o céu. Quase desistindo de tudo. Mas se o dia é meu, eu sou teimosa e o transformo. E busco beleza de todo jeito. Até nas lágrimas do céu escorrendo na janela do ônibus. Quem disse que não existe poesia no chover?
-Juh, chovendo.

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passarinho

Não tenho dormido muito. E no pouco tempo que durmo, sonho que estou caindo. De prédios, de viadutos, de pontes… E quando estou quase chegando ao chão, acordo num pulo. E daí desperto e não durmo mais. Mas a sensação de cair continua e me acompanha. Me sinto em queda livre o dia todo. E é assim até a noite. Daí me deito, durmo e sonho com uma nova queda. E acordo antes de morrer. Esses dias sonhei que estava no alto de um poste e, quando olhava pra mim mesma, via que eu não era eu, mas sim um passarinho. E daí eu me enchia de certeza porque, mesmo que eu caísse, eu não iria morrer porque eu sabia voar. Mas daí eu caía. E, no meio da queda, eu deixava de ser passarinho e virava eu de novo. E mais uma vez quando ia dar de cara no chão, acordava. Nem nos meus sonhos as coisas tem fim, nem ali se concretizam. Eu não aguento mais esse sentimento de queda me acompanhando o dia todo. Passo o dia andando na corda bamba. É exaustivo. São só sensações por todos os lados. Sensações inacabadas. Eu querendo acabar, mas sem poder chegar ao fim.

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Poesia audiovisual: “O coração e a solidão”

Poesia Audiovisual: “O coração e a Solidão”
Autoria: Juliana Bassan Ayon
Participação especial: @pitpandora 💛
www.oinstavemundodajuh.com.br
Música: Ecos (tema do Premiere Clip)

Uma série de vídeos com sons, imagens cotidianas, música e poesia. Tudo junto contando uma história, um fragmento de vida. Uma tentativa de transformar a dor de viver em arte e beleza.

A poesia completa pode ser lida aqui

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egocentrista

Trabalho, estudo, família, amigos…
Responsabilidades reais e sociais.
De todo canto exigem meu tempo.
Esperam muito de mim.
Sugam tudo o que podem.
Faço tudo por todos e nada por mim.
E se me afasto, cuido e busco coisas pra mim, sou egoísta.
Egocentrista.
E levo a vira girando em torno do meu umbigo.
Nunca vou agradar ninguém,
isso é fato.
Por isso me afasto.
E assumo mesmo a carapuça.
Sou egoísta.
Não gosto de gente.
Não gosto nem de mim.
E me isolo na minha bolha.

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Poesia Audiovisual – ‘Vazio’

Não funciono gravando a minha cara recitando minhas poesias. E fazia tempo que eu queria fazer algo desse tipo, dar a minha voz e entonação aos meus versos. Mas de que jeito sem mostrar a minha cara? Daí esses dias gravei alguns segundos perdidos do meu cotidiano e juntei com a minha voz e uma poesia. E o resultado foi esse. 💛

A poesia completa pode ser lida aqui

Edit: e já que o retorno desse vídeo foi positivo, agora O Instável Mundo da Juh tem canal no YouTube! Se inscreva! 😄

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