esquecível

Já teve gente que me perguntou se eu era solitária por causa das coisas que eu escrevo. Então eu respondo: não sou não, mas me sinto. E isso nada tem a ver com falta de amor ou carinho, ou por falta de pessoas próximas, de amigos de verdade, porque isso tenho de sobra e sou grata. Mas me sinto demasiada sozinha perante à minha insignificância no mundo. Eu me vejo pequena, errante, irrelevante e desimportante na maioria das vezes. Por quê eu, só um cisco dentre os 7,6 bilhões de habitantes desse planeta, seria de alguma forma relevante pro mundo? Qual o meu grau de importância pra achar que dentre todas as orações dessas 7,6 bilhões de pessoas, justo a minha seria ouvida e meu desejo realizado? Quem sou eu pra me achar mais importante que o meu próximo?
É lógico que eu desejo ser vista e ouvida. Mas pra quê? Com qual propósito?
Quando escrevo eu sinto como se transbordasse, mas a gente só transborda aquilo de que está cheio. E eu estou cheia de perguntas e questionamentos.
E daí é nessas horas que me sinto sozinha. E sem sentido e esquecível. Talvez seja essa a minha sina.
– Juh, irrelevante.

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esfomeada

Minha vida antes, sem chance
Era monótona, vazia e triste
Do jeito que fica meu lanche
Quando não tem a cebola crispy

Você apareceu e fiquei sem defesa
Me deixou toda apaixonada
Só não superou aquela surpresa
Da burg oferta com cebola caramelizada

Me conquistou com seus olhos amorosos
E meu coração finalmente floriu
Os dias ficaram mais calorosos
Gostosos como molho barbecue

Você enche meu coração de amor
Deixa minha vida toda com mais sabor
Chega a ser transcendental
Como meu burguer com queijo emmental

-Juliana Bassan Ayon

(Esse poema eu do pra uma promoção de um jantar de dia dos namorados da Fritas & Burgers de Jaú. Eu não ganhei, mas o poema ficou legal. Então tá aqui hahah o/)

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blue

Tem dias em que bate uma deprê existencial, o ar fica difícil de respirar, no espelho não consigo me encarar… Isso acontece muitas vezes. É aquela certeza de que eu sou uma incerteza. Aquela convicção de que eu não sou nada além de pretensão. É a afirmação da pequenez do meu ser. É a descoberta de que pra ser alguma coisa, antes eu preciso aprender muito ainda. Que existem muitas coisas que eu poderia ser. E daí a vida parece tão curta! O mundo tá aí, cheio de possibilidade e de caminhos que eu posso percorrer, mas eu não posso percorrer todos. Ou sou uma coisa, ou sou outra. Se sigo o sonho ou me mantenho na realidade. É estar frente a um oceano de imensas possibilidades e acabar me afogando em uma lagoa.
– Juh, azul.

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apego

Eu tenho três caixas onde guardo as minhas bijouterias. Mas confesso, as que mais uso quase não vêem essas caixas; elas ficam por cima de móveis, aparadores, bancadas e vez ou outra eu perco parte delas. Tenho vários brincos que um dia eram pares e hoje estão solitários. Porém isso nunca foi um problema, pois eu sempre combinei os solitários entre si e formava pares diferenciados. E entre anéis, pingentes, colares, pulseiras e correntes, essas caixas se transformam em um depósito de lembranças. Eu guardo muitas coisas que tem valor sentimental. Nunca tive esse apego com roupas, mas com esses badulaques as coisas mudam. É quase uma caixa de relíquias, porque por mais que eu saiba que não vou usar tudo, dá um certo conforto saber que estão ali. Eu juro que consigo contar uma história pra cada peça que está ali, mas algumas histórias com o tempo deixam de fazer sentido. E daí é hora de se despedir. E por isso de tempos em tempos eu faço uma limpa nessas caixas, pra tirar dali o que não se encaixa mais no meu estilo e na minha vida. Hoje eu joguei muita coisa fora; brincos sem par, anéis sem pedra, correntes sem pingente… Eram muitas peças quebradas que eu não ia consertar mesmo. Então guardar pra quê? E isso é como certas coisas na nossa vida. A gente guarda ali ocupando espaço um tempão e nunca vão fazer bem ou serem úteis. Então é hora de desapegar e deixar ir. Já outras não vão sair daqui tão cedo. Algumas coisas que estão aqui faz tempo ainda permanecerão por outros tantos anos. Como uma pedra de um anel que era da minha mãe, um brinco que era da minha irmã, um broche que ganhei da minha cunhada, um colar que eu ganhei do meu marido na nossa primeira viagem juntos… As minhas caixas de bijouterias nunca serão só caixas de bijouterias, elas sempre serão contadoras de histórias. E é bom que continue assim.
-Juh, apegada desapegando.
@oinstavelmundodajuh

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mãe

E dentre todas as mulheres
que habitam esse mundo
Eu vim com destino certo
para o colo da minha mãe
Mulher forte e batalhadora
combativa, guerreira e lutadora
Que quando a vida tirou
o grande amor de sua vida
Apesar de toda dor ela lutou
mesmo estando destruída.
Olhou pros desafios e sorriu,
e então bravamente lutou.
Nos perrengues que se seguiu
três grandes filhos criou.
E houve quem dissesse
que ela não conseguiria
Mas mãe tem em si certa mágica
e ela nunca, por nada, desistiria
Nos deu amor e educação
Foi mãe, pai e oração
Esqueceu de si várias vezes
pra cuidar das suas crias
Dona do colo mais aconchegante
que nesse mundo se há de encontrar
Que só num abraço apertado
tem o poder de nos curar.
E o que eu mais admiro
é a grandiosidade da minha mãe.
Que pequenininha que nem é
carrega um enorme coração.
– Juliana Bassan Ayon

Feliz dia das Mães 💛

Homenagem pra minha mãe Regina Bassan, meu exemplo de mulher maravilhosa e destemida. Te amo, mãe!

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O que deixar.

Quando eu tinha 10 anos eu queria logo ter 15 porque eu odiava ser tratada como criança. Quando cheguei nos 15 eu percebi que ser adolescente não era como eu imaginava, que era terrível se ver no próprio corpo, e queria ter logo 20 pra daí poder ser dona do meu nariz e de mim. Quando chegou os 20 eu percebi que eu não tinha ideia nenhuma do que estava fazendo nesse mundo e rezei pros 25 chegarem logo e eu me encontrar. E os 25 chegaram e neles eu me perdi mais do que me encontrei; só trabalhava, pagava contas e dormia nas horas vagas. Daí vieram os 30, a idade que a gente imagina que estaremos plenos em todas as áreas da vida, e foi quando eu me senti insana e completamente desestabilizada por causa de duas hérnias na coluna. E comecei a questionar meu rumo, meus caminhos e meus medos.
Eu ainda não sei o que a vida é e nem o que eu sou na vida. E talvez eu chegue nos 35, 40 anos e ainda assim não descubra. Mas eu tenho tentado ser alguma coisa além de toda a minha mediocridade de antes. Conforme a gente cresce vamos acreditando que uma hora vai acontecer uma mágica e que finalmente tudo vai se encaixar e começar a dar certo. E isso nunca acontece. E daí assim a gente vai adiando as coisas, esperando o milagre. Mas o fato é que nunca está bom do jeito que estamos. A gente sempre espera mais e enquanto espera o que nunca acontece, não vive o que poderia ter vivido. E não percebe que a mágica está no hoje, no perder antes de ganhar, no sofrer um pouco pra evoluir, no se perder pra se encontrar. E não vemos que pode ser que o amanhã nem chegue a existir, que a idade que a gente espera que seja milagrosa pode nunca chegar. Eu não economizo mais palavras e tenho dito muito a quem eu gosto o que penso e o que sinto. Não economizo mais nem roupa, nem louça. Não vou guardar nada pra uma ocasião especial porque a ocasião especial é hoje. Se eu estiver afim vou de jaqueta de paetê na padaria. Se eu quiser, como sucrilhos no prato chique de sopa do aparelho de jantar. Se der vontade, tomo água na taça de cristal. Vou usar tudo antes de morrer, vou ser tudo o que eu quiser ser antes de partir. Porque eu não posso escolher o que levar dessa vida. Mas eu posso escolher o que deixar.
– Juliana Bassan Ayon

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