queda livre

Não se engane com esse sorriso que estampa o meu rosto e nem com as piadinhas que eu conto. Enquanto nos falávamos, pensei três vezes em morrer. Eu não queria que isso acontecesse. Não é de propósito. Mas, de tempos em tempos, essa sensação volta. E me enrola feito uma cobra e quebra todos os meus ossos. Essa coisa de não me sentir pertencente a nada me sufoca. Não me sinto importante e logicamente não é diferente com você. Esses seus olhos gelados não enxergam o vazio que tem encharcado os meus. Não ouvem os gritos silenciosos de desespero neles. Você me olha, mas não me vê. Não percebe o poço de desespero sem fim em que me joguei. E sigo em queda livre. E pode ser que de tanto cair, um dia a gente esteja tão longe que você não vai mais conseguir me alcançar.

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madrugada

Mais uma noite em claro. Mais uma madrugada que ficará cansada de me ouvir chorar. Ouço, lá fora, a chuva cantar. E fazer barulho. Conto os pingos que batem na janela. A solidão se sentou na beirada da minha cama. Roubou meu espaço. Não consigo deitar de forma confortável com ela aqui. Ela preenche o cômodo todo. Ela me preenche. E eu choro. Chovo junto com a chuva. Porque estou cansada. Porque tenho sono e não durmo. Porque eu tenho medo e me engano. Porque tenho amor e não amo. Porque tinha você e não tenho mais. Perdi.

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café

O cheiro dos pães de queijo no forno invadem a casa. O café ficando pronto na cafeteira produzindo aqueles barulhos engraçadinhos; o da água fervente sendo jogada em cima do pó e dos pinguinhos batendo no vidro quando ele fica pronto. No sofá, me sinto quentinha enrolada nas cobertas. Parece que encontrei a perfeição. Pego meu livro e tento me concentrar pra estudar, mas não consigo. A cabeça está longe. Falta alguma coisa. Falta você.

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querer x poder

Eu queria
mas não podia.
Dentro de mim
o sentimento ardia.
Que agonia!
Eu sabia
que aquele lugar
eu não pertencia.
Tentei esconder,
mas não conseguia.
A certeza era
de que eu sofreria.
Que por vários
perrengues passaria.
Por isso
eu escondia.
E fingia.
E ninguém
de nada sabia.
Eu pressentia
que isso nunca aconteceria.
Eu me reconhecia
como covarde.
Que não seria nada
além de vontade.
E que nunca
viraria realidade.
Porque todo dia
tenho a certeza de que
os boletos estão lá
sorridentes e faceiros
ansiosos a me esperar
dentro da caixinha de correio.

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tempo

O tempo tem passado
rápido, ligeiro, abrupto.
Com muita pressa
e tem depressa
roubado partes
de mim.
O trabalho e as
responsabilidades
roubam meus dias.
Horas
Minutos.
Segundos.
Não me pertencem.
Não tenho mais
tanto tempo.
Sinto um cansaço
avassalador.
Cada dia vivido
pode ser o último.
Preciso dizer.
Resolver agora.
Não tenho tempo.
Quero já.
Não posso esperar.
Não consigo segurar.
Estou viva
mas não mais.
TEMPO.
O que é isso
que já nem sei mais?

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verbalizar

para ler ouvindo: “Apenas mais uma de amor” – Lulu Santos

Queria conseguir
verbalizar o que eu sinto.
Queria poder dizer
alto e limpo.
Queria juntar
todas as letras do alfabeto,
misturar com desenhos e cores,
com tintas e rimas,
tudo o que eu tenho sentido.
E te entregar.
Queria exteriorizar
toda a beleza e contradição
que tem tomado conta do meu coração.
Que faz dos meus sentimentos canção.
Não tenho sentido muitas coisas bonitas.
Mas no meio desse turbilhão de coisa feia
esse amor ainda semeia
e polêmico
segue enraizando
no solo putrefato do meu peito.
E cresce.
Cada dia mais lindo, mais forte,
faiscante.
Contrastando
com a escuridão de mim,
com meu desejo do fim.
És meu recomeço.
É minha fonte de apreço.
É quem eu nem acredito
que mereço.
Eu só sinto.
E desejo.
Mas não digo.
Porque não posso verbalizar.

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Sonho pra conquistá – Poesia Caipira

Hoje foi o Arraiá do @somascoletivo lá Vitrolê Cultural, sô!

E minha missão foi representar o @literocupa, junto com a Mari Scalco, e participar do microfone aberto com poesias caipiras.

E especialmente pra hoje, me desafiei e escrevi uma poesia no dialeto caipireis.

Com vocês o poema

‘Sonho pra conquistá’

Bás noite, gente bonita
Agradecida da presença
Vô conta um causo proceis
Então ceis me dê licença

Tinha um moça, minha vizinha
Que vivia num casarão
Ela era bem suzinha
Num queria casar, não

As famiage vivia comentano
que suzinha ela ia ficá doente
Mai ninguém entendia que ela
Quiria memo é sê independente

foi morá na cidade
estudô, fez faculdade
e lá pra roça ela vortô
pá dividi o que conquistô

a moça virô dotora
e foi lá das pessoa cuidá
dos moradô virô benfeitora
e passô as doença curá

As menina da vila
na moça fôro se inspirá
e até fizero fila
pra vorta a estudá

Essa história é proceis vê
que não importa o que falem docê
Se ocê tem um sonho pá realizá
O mundo é teu, vai conquistá!

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estar

Eu tenho buscado o silêncio.
Mas os gritos dentro de mim
não me deixam ouvir nada.
Nem meus próprios
pedidos de socorro.
Nada além de tudo.
Nada além de alma.
Tudo menos calma.

E assim não vivo.
Não sinto o sabor dos instantes.
Não absorvo os segundos.
E estou fadada
a desaprender viver.
Sigo anestesiada.
Estou cansada.

Se estou aqui penso lá.
Se lá estou, penso aqui.
E de tanto pensar
em estar em outros lugares
Nunca em lugar nenhum
eu realmente estou.

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