músicas e clipes favoritos – parte 01

Resolvi fazer aqui no blog a sessão “músicas e clipes favoritos” onde eu vou postar alguma música que me faça lembrar alguma coisa ou algum momento, ou que tenha sido trilha sonora de alguma parte da minha vida. Normalmente serão os que juntam música e clipe igualmente legais, os meus favoritos. <3

E pra começar, um clássico do final dos anos 90 que eu aposto que você já cantou e já dançou em frente ao espelho, se imaginando cantando com geral no meio do shopping.

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Dois Pesos e Duas Medidas

Trilha Sonora:
50/50 – The Strokes

É fácil falar, apontar defeitos, criticar, condenar os outros. Mas e quando as mesmas atitudes que você um dia julgou e crucificou são cometidas por alguém que você tem laços. Laços de intensa amizade ou parentesco. Alguém que você gosta muito. Como fica? Você teria coragem de condenar da mesma maneira? Seria imparcial? Você pode até dizer que sim, mas eu duvido. Na vida tudo tem dois pesos e duas medidas. Quando é com alguém próximo, diversas desculpas pra determinada atitude aparecem. Do mesmo jeito que uma pessoa pode fazer aquilo que já condenou alguma vez. Você mesmo pode fazer. Ou até já ter feito. E aí? Qual a sua reação? Existem coisas muito relativas na vida da gente. Tratadas de maneira diferente, dependendo a intenção. Cada um sempre preocupado com o seu umbigo e agindo da forma que mais lhe convém. Como diz aquele ditado “Não cuspa pra cima que pode cair no meio da sua testa”. É nojento, mas é verdade. Quantas vezes não acontecem coisas desse tipo na vida de pessoas diferentes? Pode ser comigo, com você, com seu vizinho ou seu colega de trabalho. E também não dá pra acreditar que estamos livres de sermos julgados, como nós mesmos julgamos. Ninguém está imune a isso. Por essas e outras, o melhor a fazer é começar a pensar bem antes de fazer algum comentário maldoso de alguém que fez alguma coisa que você já acobertou. Afinal, amanhã pode ser você em uma situação parecida e sendo julgado com a mesma maldade com que julga e fala.

-Juliana Bassan Ayon

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novelas, os gêmeos da novela e a relatividade da beleza.

Eu não sou muito de assistir novela, gosto sim, me interesso pela história, me envolvo, mas não acompanho tanto. Na maioria das vezes prefiro ficar fazendo nada na net, ler um livro, sair. Isso se não for última semana, ou último capítulo, porque daí meu bem, o mundo pode estar despencando que só saio depois que acabar. Mentira, não é tanto assim. Mas é quase… Mas em toda novela que eu assisto, sempre pego ‘o bonde andando’. Nunca assisto começo de novela, na maioria das vezes pego da metade pra frente. Mas essa nova das oito, ‘Viver a Vida’, até que eu tô vendo mais e desde os primeiros capítulos, porque o primeiro mesmo eu perdi, mesmo depois de já ter me irritado com a musiquinha da abertura da novela, eu continuo assistindo.

E ontem lá estava eu assistindo o Miguel (Mateus Solano) dançando salsa com a Luciana (Alinne Moraes) e o Jorge (Mateus Solano) dando piti porque a namorada tava dançando e se divertindo com o irmão gêmeo dele. E eu me peguei besta quando comentei com a minha mãe em como o Miguel é muito mais bonito que o Jorge. Ela concordou. Mas ops, eles são o mesmo cara! Sempre a gente vê gêmeos nas novelas feitos pelo mesmo ator ou atriz e tal, mas nunca me convenceram tanto como agora. Muda a voz, o cabelo, o sorriso, o jeito. Muda todo ele! E como é que pode mudar tanto a nossa maneira de enxergá-los? Que o Mateus Solano é um ótimo ator, isso ninguém tem dúvidas. Mas não é engraçado como, em um tempo em que a estética vale tanto pra tanta gente, o que conta pra podermos encontrar beleza em alguém vai além da beleza? Feios ficam bonitos e bonitos ficam horrorosos, dependendo da maneira de ser e agir.
Que garota nunca conheceu um cara que era lindo de morrer, mas que quando abria a boca dava vontade de sair correndo? Frustrante!
Mas também tem o contrário, pra felicidade geral da nação! Tipo aquele cara que você nunca se deu conta que existia, simplesmente por não responder seus requisitos de beleza, e daí num dia qualquer descobre que ele tem um papo muito bom, curte as mesmas coisas que você, é inteligente, responsável e carinhoso. E pasmem, de repente você percebe que todos esses atributos fazem dele cada dia mais bonito. E você vai enxergá-lo assim mesmo, não é ilusão de ótica! Ninguém será eternamente lindo e perfeito. A beleza exterior acaba, vai embora com o tempo. Não que a gente não deva se cuidar, mas não deixar isso como o primordial na vida.
Cuidar sempre mais de quem se é por dentro. <3
– Juliana Bassan Ayon
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Contradição

“Te amo assim diretamente sem problemas nem orgulho:
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
Senão assim deste modo que não sou nem és,
Tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha,
Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.”
Pablo Neruda

Ontem dei uma volta pelas minhas lembranças tentando descobrir onde foi que eu me perdi de você. Onde foi que nós nos deixamos escapar. Onde é que as coisas que nós tínhamos em comum desapareceram. Onde foi que passamos a ser desconhecidos um pro outro. Não encontrei. Será que é porque nunca tivemos mesmo tantas coisas em comum? Acho que na realidade maquiamos as nossas idéias e pensamentos pra agradar. Eu lembro como você concordava com tudo o que eu dizia que gostava. Tudo mentira! E depois de tanto tempo juntos não dava pra continuar sustentando essas mentiras todas. Não dava pra ocultar quem realmente nós somos. E nós também não somos exatamente opostos pra fazer jus ao ditado “Os opostos se atraem”. Nós não somos mais tão parecidos. Nossas idéias de diversão são completamente diferentes. Muitas das coisas que  você gosta eu não suporto. As músicas que eu gosto de ouvir não são as que você gosta e vice versa. Nossa maneira de ver e encarar a vida são distintas. Os meus sonhos e planos para o futuro não são os mesmos que os seus. Até os nossos valores parecem ser diferentes. Então me responde: O que estamos fazendo juntos? E por que é eu te amo tanto? O que tem em você que me faz te querer assim? Por que eu não consigo mais imaginar a minha vida sem você ao meu lado? São tantas perguntas… Mas te analisando, analisando tudo isso… penso que pode ser o seu sorriso o culpado. Infantil, sincero e tão despretensioso ao mesmo tempo. Adoro te ver sorrindo e me pego feito uma boba te olhando. Pode ser também a sua capacidade de me fazer rir, mesmo quando eu estou estressada, pronta pra jogar um caminhão na sua cabeça durante as nossas brigas. Pode ser que seja a sua boca, o seu corpo, seu abraço… e a maneira como você já me conhece tão bem e sabe exatamente como e o que fazer comigo. A hora certa de me deixar sozinha e a hora certa de me abraçar apertado. E agora eu me pergunto, como podem duas pessoas estarem tão longe e tão perto ao mesmo tempo? Será que eu tive que me perder pra realmente poder te encontrar?

-Juliana Bassan Ayon

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Mudanças e Aprendizados

 “… just look around, everybody is someone.”
Tudo está muito diferente. Mudando o tempo todo. Na realidade acho que eu é que estou amadurecendo e a minha maneira de enxergar as coisas, as pessoas e o mundo está diferente. Meus olhos parecem estar mais treinados. Coisas que antes eu não via enxergo agora com mais clareza. Intenções por trás de olhares, por trás de palavras ou até por trás da falta delas. Me decepcionei com muita gente e vi que muita gente já se decepcionou comigo também. Dói ser magoado. E magoar alguém dói ainda mais. Quantas vezes a gente não cria uma expectativa gigante em cima de alguém e, quando as máscaras caem, caem certeiras como um bloco de cimento em cima das nossas cabeças? E quantas vezes isso não deve ter acontecido com outras pessoas em relação a nós mesmos? É difícil contabilizar quantos corações já partimos, quantas vidas já mudamos e quantas pessoas já magoamos. Por causa de uma palavrinha que seja. Às vezes alguma coisa que você disse e nem se lembra mais, mas que pra alguém ainda está lá, martelando na cabeça, não deixando a ferida cicatrizar. Por isso precisamos nos policiar mais. Cuidar do que a gente fala, pra quem fala e como fala. Uma entonação diferente na voz dá outro sentido na frase. Não crie uma máscara, vá de cara limpa. Pense em quem você já perdeu. Quer continuar assim? A vida é curta demais pra arriscar perder quem a gente gosta por bobagens.
– Juliana Bassan Ayon
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Como tudo começou…

Para ler ouvindo:
Kiss Me – Sixpence None The Richer

Eu e o Jorge começamos a namorar num dia 20. Ficamos noivos num dia 20. E pretendemos nos casar num dia 20 também. Hoje, dia 20/09/2009, estamos fazendo 7 anos e 2 meses de namoro. Daí você se pergunta porque raios eu tô comemorando ‘tantos anos e tantos meses’. É porque a gente sempre fez isso e comemorou assim. Cada mês a mais juntos é importante. Cada mês a mais que passamos juntos significa que nosso amor está sobrevivendo aos trancos e barrancos da vida. E eu não tinha um blog quando fizemos 7 anos pra eu dedicar um post pra ele. Então eu dedico a ele esse post de hoje, com a nossa história de amor, que eu escrevi pra ser capa do nosso álbum de casamento.
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“Ele estava sentado no carro, distraído, quando olhou pra frente e a viu atravessando a rua. Encantou-se de cara. Alguma coisa naquela menina pequenininha chamou sua atenção. Seu coração deu um salto e pensou: “É Ela”. Ela estava absorta em seus pensamentos e nem notou o rapaz que a olhava de dentro do carro. Ele estava certo de que precisava conhecê-la. Tinha um amigo que era filho de uma amiga dela, e assim foram apresentados. Ela dizia estar com o coração fechado, não queria se apaixonar. Há algum tempo havia tido uma desilusão e estava aos poucos se recuperando. Ele nunca tinha namorado, era do tipo baladeiro. Já tinha tido várias outras garotas, mas nenhuma o fez querer namorar sério. E pra Ele, essa garota era Ela. Ele ia praticamente todos os dias em frente a loja que ela trabalhava, com o amigo, filho da colega dela. E eram “ois” rápidos, alguns sorrisos. Ela às vezes se escondia pra não vê-lo pois não queria se envolver. E às vezes pensava: “Esse garoto não desiste?”. Ela o achou atirado à primeira vista. Depois com o passar dos dias foi reparando mais e mais. E a cada sorriso que ela ganhava, o enxergava mais belo e mais simpático. Um dia essa amiga dela a chamou pra ver um filme na casa dela e Ele também foi. Como num passe de mágica todos sumiram e eles ficaram a sós. Completamente calculado. No começo ficaram apreensivos, mas depois relaxaram. O coração dela apertava, com medo de estar se apaixonando e sofrer novamente. Não tinha sido fácil, ela ainda era muito insegura. Mas Ele era extremamente apaixonante, do tipo que sorri com os olhos, divertido e tinha um senso de humor encantador. Conversaram muito aquela noite. Os gostos dele batiam com os dela e vice versa. Riam de cada coisa em comum que descobriam juntos. Ele estava nervoso, estava louco pra beijar aquela garota por quem ele estava encantado. Mas esperaria o tempo que fosse necessário, não queria apressar as coisas e colocar tudo a perder. Depois foi levá-la em casa e se despediram com um tchau tímido. A semana começou e a mesma rotina de sempre. Dessa vez ela retribuía os sorrisos, e sentia o rosto esquentar quando o via chegar. E ficava o dia todo esperando pra vê-lo no final da tarde. Marcaram de novo de ver mais um filme no final de semana. Como já era de se esperar, foram deixados sozinhos. Os dois estavam mais à vontade dessa vez, e conversaram sobre tudo. Pareciam ter nascido realmente um pro outro. Nem viram o filme de novo. Tinham coisas mais importantes pra se preocupar. Descobriram agradáveis surpresas um do outro naquela noite. Ela estava ansiosa por um beijo. Olhava nos olhos e em seguida olhava na boca dele. E ele fazia o mesmo, como se quisesse avisá-la de que ele também queria. A atração era grande e não era mais possível voltar atrás. E então acabou o assunto. Eles ficaram um pouco desconfortáveis com aquilo, porque desde que se conheceram o assunto não acabava nunca. Foi então que, depois de alguns segundos intermináveis de silêncio, Ele disse: “-Posso te pedir uma coisa?”. Ela disse que sim. Ele então olhou fundo nos olhos dela, respirou fundo, e perguntou: “-Posso te dar um beijo?”. Ela sorriu e consentiu com a cabeça. Fechou os olhos e esperou pelo beijo. Ele acariciou o rosto dela e a beijou. As bocas se encaixaram perfeitamente, num beijo molhado, calmo, interminável, como se as bocas tivessem sido feitas uma pra outra. Os corações aceleraram e começaram a bater no mesmo compasso, ao som da mesma música. E desde então os dois viraram um só.”
– Juliana Bassan (futura Ayon)
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Segredos

i’m losing, i’m bluesing, but you can save me from madness…

Olhos parados.
Olhando pro nada e o nada olhando de volta.
Assim evitando que se cruzem com outros olhos.
Coração descompassado, acelerado, apertado.
Sorrisos tímidos.
São tímidos porque não podem mostrar suas verdadeiras intenções.
Sorrisos maléficos.
Partes sombrias de mim estão dando as caras.
Será que elas estavam aqui o tempo todo e eu não percebia?
Será que eu nunca fui a mocinha da história como eu acreditava?
Será que na verdade foi sempre a vilã que morou dentro de mim?
Dúvidas alimentadas por perguntas que não acabam.
Pensamentos obscuros e indiscretos.
Sonhos confusos.
Vontades inconsequentes.
Está fugindo do meu controle, eu sei.
Mas não consigo evitar.
É sem querer, sem razão de ser.
Instigante, mas ao mesmo tempo desprezível.
Eu parei de pensar com a razão.
Talvez eu não esteja no meu juízo perfeito.
Isso não faz sentido.
Mas deveria fazer?
Será que precisa existir sentido pra tudo?
-Juliana Bassan Ayon

 

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Respeito

Para ler ouvindo:
Respect – Aretha Franklin

 

Vontades aparecem do nada. Do mesmo jeito que podem sumir. Eu tenho vontade de várias coisas, mas ninguém é obrigado a querer o que eu quero e vice-versa. Mas é incrível com tem gente que gosta de impor a sua vontade pros outros a qualquer custo.

EU quero que seja assim.

EU quero que você faça isso desse jeito.

Acredite, EU tenho experiência, sei do que tô falando.

EU sei o que é melhor pra você.

Não, não sabe. Eu sei o que é melhor pra mim e cada um sabe o que é melhor pra si mesmo. Conselhos são ótimos, mas imposições são péssimas. Não é porque deu certo pra um que dará com o outro. É sempre EU, EU, EU na cabeça desse tipo de gente. Só que eles esquecem que ninguém é dono da verdade. Cada um acredita no que quer e segue o que acredita. Todos têm visões diferentes da vida, cada um tem a sua maneira de encarar problemas e situações. Senão não existiria o livre arbítrio. Se eu não quero fazer uma determinada coisa, não sou obrigada porque alguém quer que eu a faça. E o que passa na cabeça dessa pessoa pra querer que eu faça o que ELA quer e não o que eu quero? Não entendo mesmo. Essa possessividade acaba destruindo relacionamentos. Amar não é tomar conta da vida das pessoas e fazer com que elas se tornem marionetes. As pessoas perdem a graça e a autenticidade assim. Não deixe que ninguém lhe diga o que fazer, conselhos são bons conselhos, mas a opinião final é sua. Sempre sua. Não é porque te mandaram se jogar no poço que você vai, não é? Desconfie se alguém vier te dizer que “aquela é sem dúvida a melhor opção” e que “você deve estar louco se escolher o amarelo e não o azul”. Não deixe os manipuladores tomarem conta de você. Defenda as suas vontades.

– Juliana Bassan Ayon

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Saudade

Trilha Sonora:

 

Gostosa de falar, mas chata de sentir. Saudade é uma afronta a nossa vontade. Às vezes é uma raiva que dá do destino, da vida, das situações. Uma dor que começa pequenininha e vai aumentando aos poucos, quase abrindo um buraco no coração. É a falta que dá daquela pessoa num momento em que só ela poderia falar o que você precisa ouvir.
Mas saudade não dá só por sentirmos falta de pessoas, especificamente.
Eu sinto falta de quando eu era pequena. Tempos gostosos aqueles. Tempos que eu, tão erroneamente rezei pra que passassem depressa. Mal sabia.
Saudade do tempo que o meu maior problema era a tarefa que eu não tinha feito e as notas boas que eu tinha que tirar na escola. E nem imaginava como era ter problemas de gente grande.
Tenho saudade de coisas que eu nem cheguei a viver e nem ver. Algumas coisas tiveram vida só dentro da minha cabeça mesmo.
Saudade de alguns amigos, aqueles que ontem foram os melhores, mas que hoje quase não aparecem mais. Por culpa deles, por culpa minha, por culpa da vida. A saudade aparece quando lembro das aventuras vividas com eles, das risadas, das bobagens faladas. De só estar junto.
Tenho saudades de algumas músicas, que me lembram sensações e sentimentos variados. Às vezes elas me ajudam a fazer as pazes com as minhas lembranças, nem sempre felizes.
Tenho saudade também da inocência que um dia eu tive.
Mas a maior saudade é a da gargalhada do meu pai, contagiante, que eu ainda não me conformei que nunca mais vou ouvir. Das piadas que ele fazia. Mas mais ainda das broncas e dos castigos, das palavras duras. Falta das chacoalhadas, pra acordar pra vida, que eu merecia receber hoje.
Saudade também de sonhos que eu um dia tive e que não moram mais em mim. Deram lugar a novos sonhos. Saudade de quem eu fui um dia…

-Juliana Bassan Ayon

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Vagando

Trilha Sonora:

“Do fundo do meu coração” – Adriana Calcanhoto

 

O mundo continua rodando.
O tempo não pára.
O coração continua batendo.
Às vezes mais forte, às vezes mais fraco.
Mas bate.
E ecoa.
Os passos que eu dei anos atrás interferem na minha caminhada de hoje.
Aqui se faz, aqui se paga.
Quem planta, colhe.
Ando tendo pesadelos.
Eles me assombram.
E me pressionam.
Os pensamentos estão confusos.
Voando pra longe.
Eu quero ir junto, mas minhas pernas não se mexem.
Não saem do mesmo lugar.
Onde foi que ficou aquela vontade toda que eu tinha de viver e crescer?
Por que eu me deixei levar pela rotina e parei de lutar?
Por que eu deixei que minha vida não andasse pra frente?
Não sei.
Juro que não sei.
Não sei em que parte do caminho eu me perdi.

E eu ainda nem voltei atrás pra tentar me achar.

Juliana Bassan Ayon

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