Um sonho real.

Tinha sido um dia de cão. Tudo tinha dado o mais errado possível e o que ela mais queria era chegar em casa, tomar um banho e dormir. Chegou e não tinha ninguém em casa, era só ela e ela mesma aquela noite. Entrou e abriu as janelas. O calor estava infernal. Foi direto pro banho e ficou lá, deixando a água cair nas costas e nem percebeu que tinha ficado ali por quase meia hora. Saiu do banho, se trocou e deitou no sofá. Ligou a TV e pra variar nada, nada e nada… Parou num canal aleatório, mas não demorou muito, já estava com os olhos pesados de sono. Estava cansada fisicamente e emocionalmente também. Fechou os olhos e ficou ali, num quase cochilo, mas pensando em tudo o que acontecera até então. Dali a dois dias ela faria aniversário e ela se perguntava por que tantos anos tinham se passado e nada acontecido. Todo mundo falava, mas ela não acreditava que depois dos 15,18 anos a vida voa e hoje percebia que era verdade. Parecia que ontem mesmo tinha sido a festa de 15 anos surpresa que ela ganhou. Mas viu que não tinha mudado muita coisa daquela época até agora. Ela continuava infantil e briguenta, chata e desbocada. Mas mais madura. Sabia que tudo o que havia passado tinha feito com que ela amadurecesse, mas não o suficiente. O rosto nem tinha mudado muito. Os cabelos continuavam os mesmos, mas estavam mais bem tratados. Mas em compensação ela estava 3 graus mais cega. As pernas continuavam finas, os peitos grandes e a bunda pequena, embora um pouco mais cheinha que 10 anos atrás. Quase a mesma coisa se for ver, tirando as estrias e celulites. Se bem que a barriga estava bem diferente, digamos mais flácida. Culpa do sedentarismo, da preguiça e do McDonalds. E dos programas de namorados que na maioria das vezes se resumia a sair pra comer. Ela continuava sem poder dirigir, já que ainda não tinha tido coragem de tirar carta. Estava muito mais insegura e dependente dos outros do que era quando mais jovem. Deu-se conta que nem tinha muito que comemorar e a ideia de fazer uma festinha ou qualquer comemoração que fosse, causava enjoo. Pra quê? Pra comemorar a falta de competência pra fazer as coisas darem certo? Desejou naquele instante um buraco pra enfiar a cabeça e se esconder do mundo e dos problemas dele. Ficou enumerando as oportunidades que deixou passar, as coisas que poderia ter feito, onde estaria se tivesse seguido seu coração… Nesse instante, foi arremessada pra fora de seus pensamentos por um suspiro alto, vindo de outro cômodo da casa. Ficou estática e um arrepio percorreu toda a sua espinha. Quem seria? Ninguém tinha chegado ainda, ela tinha certeza. Ou não? Levantou devagar e foi caminhando lentamente até a porta do quarto, que estava aberta. Olhou pra dentro dele e viu que, parada de costas pra porta, havia uma garota, pequena, magrinha, com os cabelos louros e cacheados presos num rabo de cavalo, fuçando em algumas coisas que estavam em cima da escrivaninha.
– Qu… qu… quem é você?
Num movimento leve e ao mesmo tempo rápido, a garota se virou de frente pra ela e por um momento ela sentiu o chão sumir sob seus pés.
– Eu sou você, não está se reconhecendo, não? – respondeu a garota, sorrindo.
Ela ficou em choque, com medo, sentiu vontade de gritar, mas o grito não saiu. Estava se vendo ali, na sua frente, no seu próprio quarto, só que anos mais nova. Mas como podia?
– Co… como você veio parar aqui?
– Vindo, ué…
– Maa… maaas, por que?
– Ei, para de gaguejar. Que boba! Eu não achei que eu fosse ficar assim quando eu ficasse mais velha – disse em tom irônico, e cruzou os braços em seguida.
Ela não podia acreditar no que estava acontecendo. Era loucura demais acreditar naquilo. Mas num impulso, mesmo com medo, decidiu arriscar e continuou a conversa:
– Mas posso saber então o que você quer comigo?
– Ah, mas é claro que pode! Eu quero saber o que foi que você fez com a MINHA vida, com os MEUS sonhos!
Foi pega de surpresa novamente.
– Tá querendo dizer o que com isso?
– Tô querendo dizer o que você entendeu, ué. Quero saber por que é que você se abandonou desse jeito e deixou pra trás todos os planos que eu tinha! Lembra? Arrumar um emprego legal, guardar uma quantia boa por mês pra com 18 anos tirar carta, comprar um carrinho e quem sabe até ir morar sozinha. Fazer alguma coisa importante pro mundo, sei lá. Ser independente, livre, importante! Olha pra você! Em todos esses anos você não fez nada que fosse digno de merecer um elogio…
Ela engoliu em seco e ficou em silêncio. Era até engraçado provar da sua própria insolência. Sentiu um aperto no peito por não falar mais com aquela paixão toda sobre seus planos. Irritou-se com tudo aquilo. Não que o que ela – ela mesma, mais nova – estava falando não fosse verdade, era sim e doía saber que era, mas ela não podia jogar tudo isso na cara dela assim. Sentiu-se no direito, por ser mais velha e dona da vida de agora, de se impor e ergueu o tom de voz:
– Primeiro olha o tom, mocinha. Você ainda é muito pirralha pra entender o que é a vida. E segundo que eu não tenho que te dar satisfação de nada, afinal a vida é minha também, não é? Nos dias de hoje, muito mais minha do que sua.
Ela – mais nova – ficou extremamente irritada.
– Mas você é o MEU futuro e me deve satisfação sim do que fez com ele! Eu não quero ser você daqui a 10 anos…
– Pois se conforme, é esse seu futuro. Agora dá pra voltar de onde você veio e me deixar em paz?
– Não, não volto. Você acha que ta certa, mas não ta não. E eu não aceito ter essa vida! Você precisa fazer alguma coisa.
– Ah é? Então amanhã me jogo duma ponte, certo?
– Você pode até ser cabeça dura, mas não tem coragem. Ta sendo idiota e dramática.
– Olha quem fala!
– Mas pelo menos eu não faço um dramalhão por qualquer coisinha. É patético. Você é patética, ta precisando ser mais prática.
Ela estava realmente se irritando com aquela situação toda e tinha vontade de se pegar pelo pescoço. Mas respirou fundo, ficou em silêncio, como que se procurando as palavras certas e, baixando o tom de voz, respondeu:
– Ta, eu sei que eu fiz tudo errado, eu sei que eu poderia ter feito muito mais coisa, mas o que eu posso fazer agora? To indo rumo ao fundo do poço, se você quer saber… E eu não me sinto nem um pouco orgulhosa de mim e nem nisso aqui eu me transformei.
A garota percebeu que estava conseguindo o que queria desde o começo.
– Você tem muito o que fazer, é só você querer! Sério, eu vim aqui porque quero te ajudar…
– Mas como?
– Olha pra você, você tem tudo que precisa pra ser feliz, tá aí dentro, só falta você encontrar…
Ela sentiu um nó na garganta, como ela tão mais nova e inexperiente podia ter as palavras tão certas pra ela mesma daquele jeito?
– Meu recado ta dado, só depende de você, de mais ninguém. A vida ta aí, pedindo pra ser vivida e não só empurrada com a barriga como você vem fazendo. Faz o que você tem que fazer, preciso ir embora agora…
– Não, espera aí, me fala mais, me ajuda … Me fala pelo menos como você veio parar aqui…
Nesse instante o telefone começou a tocar, e o barulho foi ficando cada vez mais alto e ensurdecedor. Ela tapou os ouvidos, porque doía. A cabeça parecia que ia explodir. No susto, levantou correndo e foi atender. Não encontrou o telefone na base, voltou e viu que ele estava ali, do lado dela no sofá. Atendeu:
– Alô?
– É da casa da Maria?
Ficou em silêncio.
– Oi, tem alguém na linha? É da casa da Maria?
Ficou mais um pouco em silêncio, com se a voz não quisesse sair, mas por fim respondeu:
– Não, não tem ninguém aqui com esse nome.
– Tá bom, desculpa o engano!
Ainda ficou escutando o silêncio do telefone por uns instantes até que finalmente desligou. Sentou e sentiu a boca seca e o coração batendo forte. O que tinha acontecido? Que loucura toda foi aquela? Não sabia explicar. Levantou e foi até o quarto, espiou pela porta e não tinha ninguém ali. Ninguém mais. Aliás, ninguém esteve ali naquela noite além dela mesma. Questionou-se em voz alta:
– Foi só um sonho, então? Por que isso aconteceu comigo?
Sentou na cama e ficou olhando pro quarto e lembrando do sonho mais real que já tivera até aquele dia. E soube que a partir dali, não seria mais a mesma…

{Juliana Bassan Ayon}

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meu eu descrito por outra pessoa

Para ler ouvindo:

E quando eu fico mais de meses sem conseguir me expressar, eu reencontro um texto que fala por mim:

Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz,
ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim,
ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns,
outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade…
Já tive medo do escuro, hoje no escuro “me acho, me agacho, fico ali”.
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer,
já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo.
Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de “amigo” e descobri que não eram…
Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
– E daí? EU ADORO VOAR!
Clarice Lispector
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Sabe o que eu tava pensando?

Eu viajei esse final de semana pra casa dos meus avós maternos na Capital. Teve festa lá, juntamos a família toda – tanto na festa como na casa da vó e do vô – matamos as saudades, conversamos, rimos, colocamos as fofocas em dia, demos risada, tiramos fotos. E já fizemos planos pro Natal, pra gente se reencontrar de novo.
A minha mãe nasceu, cresceu e construiu a vida dela lá, mas por problemas de convivência com a família do meu pai, mais especificamente com a minha avó, acabou vindo embora pra cá com 26 anos, idade que tinha quando se casou com o meu pai. Uma atitude corajosa ao extremo. Não é qualquer um que larga a família toda, casa e um baita emprego pra vir pra cá, com uma mão na frente e outra atrás, por amor. Eu ficaria horas e horas aqui contando as histórias dos dois, do que enfrentaram e do quanto eles se amavam. Talvez fique pra um próximo post, já que o foco que eu quero dar a esse texto é outro. Porque pensar em tudo isso me fez refletir sobre diversas coisas. Principalmente “e se”. Tipo se minha mãe não tivesse enfiado a cara na estrada e vindo pra cá, pra ser feliz com meu pai, o quão diferente seria a vida deles, a minha vida, dos meus irmãos e da família de um modo geral. O quanto nossa vida poderia ser diferente se um fato pequenininho fosse mudado no passado. Qual o tamanho do efeito que causaria no presente. Daí me lembrou o filme “Efeito Borboleta” – o primeiro, porque os outros eu não assisti. Não que eu quisesse realmente alterar, mas pelo menos ver como seria caso tivéssemos outra atitude. Ver o que seria de mim caso eu tivesse optado pelo outro caminho ou simplesmente tivesse dito “Não”. Mas talvez perdesse a graça e tivesse mais efeito negativo que positivo, já que poderia trazer muita frustração, dependendo o ocorrido.
Bom, só sei que ultimamente eu ando bem reflexiva e tenho enxergado as coisas de uma maneira diferente, procurando tirar algum tipo de aprendizado de tudo. E essa com certeza foi uma dessas vezes.
– Juliana Bassan Ayon
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amor de verdade?

Para ler ouvindo:

Afinal, o que é amor verdadeiro? Quem nunca se pegou fazendo essa pergunta pra si mesmo? Difícil de entender, difícil de explicar, complicado de sentir… O amor é, na minha opinião, o sentimento mais complexo e também muito fácil de ser confundido. Quem nunca confundiu amizade com amor, paixão com amor e até admiração com amor? Não que amizade não seja um tipo de amor. É sim. Mas não tô dizendo do amor fraternal e sim o amor entre um casal. Amor não é só pele, química, beijo na boca e cama. Amor é mais que isso e, embora a paixão e o sexo sejam importantíssimos dentro de um relacionamento, não são tudo. É claro que ter alguém que sabe te pegar do jeito certo, fazendo você ficar com as pernas bambas e esquecer do resto do mundo quando te beija é maravilhoso. Mas também é preciso que isso venha acompanhado de companheirismo, amizade, cumplicidade. É quando acontece a mistura de tudo isso que a gente tem certeza que está amando. É preciso se sentir bem e confortável ao lado de quem se ama. E não ter segredos. Viver como dois e não como um só. É ter sonhos em conjunto e não ambições egoístas. É sentir ciúmes, mas não impedir o outro de viver por isso. É perceber pelo tom de voz que tem alguma coisa errada e fazer o possível pra ajudar. É parar o mundo pra ouvir o que o outro tem a dizer. É admirar o outro por dentro. Porque a gente não vai ter um corpo perfeito pra sempre, pra manter o tesão. Só sexo não dá base pra um relacionamento, não. Faz perder a graça. Na hora em que estivermos casados vão chegar as contas pra pagar, vamos ter a casa pra manter, os filhos pra criar. E se um não souber ser companheiro suficiente do outro, já era. Por mais que o sexo seja fantástico não vai ser o suficiente pra manter o relacionamento em pé.
Eu quero casar pra vida toda, pra construir uma vida junto dele, formar uma família, pra admirar cada ruga que nascer, pra ficar o domingo inteiro enfiada na cama juntos vendo Tv, pra ir envelhecendo lado a lado e essas coisas assim. Piegas? Pode ser. Mas eu quero que seja assim. Porque eu penso que quando estivermos velhinhos, não vamos ter o pique de agora pra sair, viajar, namorar. E o que vai contar é a amizade, a admiração, o cuidado, a conversa e a maneira que vamos passar o nosso tempo juntos. E como vamos fazer pra deixar o outro bem, sorrindo e feliz. Amor não é só pensar no presente, é planejar o futuro também. É se enxergar junto com a pessoa daqui há 50 anos e por analisar muito bem a relação, saber que vocês tem os ‘quês’ que farão a diferença mais tarde.

Pra mim Amor é isso. E pra você?

-Juliana Bassan Ayon

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músicas e clipes favoritos – parte 02

Essa semana na MTV Brasil tem passado clipes antigos, da época que eu ainda assistia,  por conta do aniversário da emissora. Todo adolescente tem seu “Momento Mtv”, né? Eu lembro que eu comecei a assistir lá por 1996 e perdurou até mais ou menos 2002, quando eu comecei a namorar. Mas o ápice eu acredito que tenha sido 97/98 mesmo. Eu sabia tudo o que tocava lá e marcava todo dia as posições do Disk num caderno, e de sábado as do Top 20. Mania que depois foi repassada pra minha irmã caçula, já que por motivos óbvios, chegou uma hora em que marcar as posições do Disk e do Top 20 não eram mais assim tão importante na minha vida, né. A gente cresce.
Mas tem coisas que ficam. Essa minha época de fanática da Mtv foi gostosa. As músicas que eu ouvia continuam fazendo parte da minha vida e posso afirmar que ajudou na construção do que eu sou hoje. Os amores da minha vida eram o Dave Grohl, ex-baterista do Nirvana e vocalista/guitarrista do Foo Fighters; o Tré Cool, baterista do Green Day e o Kevin Richardson, dos Backstreet Boys. E eu sonhava em cantar como a Alanis Morissete e queria a atitude + o Girl Power das Spice Girls. Ah, e o cabelo da Geri Halliwell, a Ginger Spice, minha favorita! ♥
Hoje eu continuo fã de todos eles e mais muitos outros dessa época, já que as músicas que embalaram a minha vida quando eu tinha 12 anos, continuam fazendo parte da minha trilha sonora até hoje.
Daí eu lembrei da música “Truly, Madly, Deeply”, toda romântica, de 1997. E lembrei da minha favorita do Savage Garden, que é essa que eu vou postar hoje. Ela é pra mim a melhor música de amizade/amor/apoio que eu já ouvi. E me diz, não é exatamente o que você gostaria ouvir de alguém quando tá na pior?

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A carta que não vai ser entregue.

Parece que tem uma mão grandona apertando o meu coração. E dói, como se fosse dividi-lo em milhares de partes. É a saudade que aperta no peito e me deixa sem ar, sem chão. Mesmo depois de pouco mais de oito anos, eu sinto como se você ainda estivesse aqui, Pai. Parece que a qualquer momento você vai voltar de uma viagem longa e que vai me abraçar forte e sorrir e dizer que agora vai ficar tudo bem, que tudo vai se ajeitar. A nossa vida virou de ponta cabeça depois que você se foi. Nós nunca mais fomos os mesmos. A mãe foi uma guerreira por cuidar de nós três tão bravamente como ela fez. Mas nós 4 nos isolamos depois disso. É como se cada um tivesse somente os seus próprios problemas pra resolver e não enxergasse os problemas dos outros. E assim tem sido desde que o Papai do Céu decidiu te levar pra junto d’Ele. Em casa reina um misto de egoísmo e auto-piedade e parece que isso não vai acabar nunca. Faltam as suas broncas, pra colocar ordem na bagunça. Falta o seu olhar, só o olhar, pra fazer com que as coisas sejam feitas direito. Falta a tua autoridade de chefe de família.
Eu nunca pensei que diria isso, mas eu queria tanto uma bronca sua, agora, Pai. Umas palmadas na bunda, até. Um sermão bem dado, daqueles que demoram e que fazem a gente chorar, percebendo o tamanho da idiotice que cometeu. Um chacoalhão, pra me fazer dar um rumo na vida. Um castigo pra eu aprender o que não se deve fazer. Queria contar pra você, Pai, todos os medos que me assombram e escutar os seus sábios conselhos. E depois chorar no teu ombro e ganhar um abraço bem apertado. A gente nunca chegou a conversar sério sobre nada, eu acho. Quando falávamos era sempre em tom de brincadeira e risos. Eu queria conversar com você sobre tantos assuntos, Pai. E ouvir a tua opinião sobre todos eles. Queria falar tanta coisa que eu não falei pra você, inclusive o quanto eu te amo e te admiro. O quanto eu sou feliz por ter sido escolhida por Deus pra ser tua filha. E da mãe também. Às vezes acho que eu não mereço ter tido a sorte de ter pais tão bons quanto vocês, e me culpo por não ter te dado o valor merecido quando eu deveria. Outras vezes fico procurando em mim coisas que pareçam com vocês, pra fazer com que eu me sinta melhor e digna de proporcionar algum tipo de orgulho a vocês.
Você faz tanta falta! Todos os dias, principalmente nas últimas semanas, eu tenho pensado bastante em você. É tanta coisa acontecendo de uma vez. Às vezes eu paro e fico imaginando como seria a nossa vida se você ainda estivesse aqui, qual atitude você tomaria em determinada situação. E quase sempre termino com os olhos marejados e questionando a decisão de Deus de te levar daqui. Eu já questionei tudo, muitas e muitas vezes. É pecado, eu sei, mas eu não consegui não procurar um sentido, um porque. Não encontrei nada. Só que isso é uma coisa que a gente nunca vai entender, nunca vai descobrir o sentido. Existe um propósito, como tudo na vida, mas não cabe a mim ou a qualquer outra pessoa descobrir e nem entender. Só resta se conformar.
Eu não sou e nem passo perto de uma “filha exemplo”, mas eu tô me esforçando. Onde quer que você esteja, eu sei que está olhando por nós quatro e nos ajudando a escolher o caminho. E não quero te decepcionar. E é também por você que tô tentando mudar, melhorar e evoluir.
Pai, te amo muito! Você vai ser pra sempre o meu herói.

– Juliana Bassan Ayon
A trilha sonora é essa porque ele amava música clássica e ensaiamos as quatro estações
várias vezes no meio da sala pois ele dizia que iria dançar primavera comigo no meu casamento.
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músicas e clipes favoritos – parte 01

Resolvi fazer aqui no blog a sessão “músicas e clipes favoritos” onde eu vou postar alguma música que me faça lembrar alguma coisa ou algum momento, ou que tenha sido trilha sonora de alguma parte da minha vida. Normalmente serão os que juntam música e clipe igualmente legais, os meus favoritos. <3

E pra começar, um clássico do final dos anos 90 que eu aposto que você já cantou e já dançou em frente ao espelho, se imaginando cantando com geral no meio do shopping.

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Dois Pesos e Duas Medidas

Trilha Sonora:
50/50 – The Strokes

É fácil falar, apontar defeitos, criticar, condenar os outros. Mas e quando as mesmas atitudes que você um dia julgou e crucificou são cometidas por alguém que você tem laços. Laços de intensa amizade ou parentesco. Alguém que você gosta muito. Como fica? Você teria coragem de condenar da mesma maneira? Seria imparcial? Você pode até dizer que sim, mas eu duvido. Na vida tudo tem dois pesos e duas medidas. Quando é com alguém próximo, diversas desculpas pra determinada atitude aparecem. Do mesmo jeito que uma pessoa pode fazer aquilo que já condenou alguma vez. Você mesmo pode fazer. Ou até já ter feito. E aí? Qual a sua reação? Existem coisas muito relativas na vida da gente. Tratadas de maneira diferente, dependendo a intenção. Cada um sempre preocupado com o seu umbigo e agindo da forma que mais lhe convém. Como diz aquele ditado “Não cuspa pra cima que pode cair no meio da sua testa”. É nojento, mas é verdade. Quantas vezes não acontecem coisas desse tipo na vida de pessoas diferentes? Pode ser comigo, com você, com seu vizinho ou seu colega de trabalho. E também não dá pra acreditar que estamos livres de sermos julgados, como nós mesmos julgamos. Ninguém está imune a isso. Por essas e outras, o melhor a fazer é começar a pensar bem antes de fazer algum comentário maldoso de alguém que fez alguma coisa que você já acobertou. Afinal, amanhã pode ser você em uma situação parecida e sendo julgado com a mesma maldade com que julga e fala.

-Juliana Bassan Ayon

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novelas, os gêmeos da novela e a relatividade da beleza.

Eu não sou muito de assistir novela, gosto sim, me interesso pela história, me envolvo, mas não acompanho tanto. Na maioria das vezes prefiro ficar fazendo nada na net, ler um livro, sair. Isso se não for última semana, ou último capítulo, porque daí meu bem, o mundo pode estar despencando que só saio depois que acabar. Mentira, não é tanto assim. Mas é quase… Mas em toda novela que eu assisto, sempre pego ‘o bonde andando’. Nunca assisto começo de novela, na maioria das vezes pego da metade pra frente. Mas essa nova das oito, ‘Viver a Vida’, até que eu tô vendo mais e desde os primeiros capítulos, porque o primeiro mesmo eu perdi, mesmo depois de já ter me irritado com a musiquinha da abertura da novela, eu continuo assistindo.

E ontem lá estava eu assistindo o Miguel (Mateus Solano) dançando salsa com a Luciana (Alinne Moraes) e o Jorge (Mateus Solano) dando piti porque a namorada tava dançando e se divertindo com o irmão gêmeo dele. E eu me peguei besta quando comentei com a minha mãe em como o Miguel é muito mais bonito que o Jorge. Ela concordou. Mas ops, eles são o mesmo cara! Sempre a gente vê gêmeos nas novelas feitos pelo mesmo ator ou atriz e tal, mas nunca me convenceram tanto como agora. Muda a voz, o cabelo, o sorriso, o jeito. Muda todo ele! E como é que pode mudar tanto a nossa maneira de enxergá-los? Que o Mateus Solano é um ótimo ator, isso ninguém tem dúvidas. Mas não é engraçado como, em um tempo em que a estética vale tanto pra tanta gente, o que conta pra podermos encontrar beleza em alguém vai além da beleza? Feios ficam bonitos e bonitos ficam horrorosos, dependendo da maneira de ser e agir.
Que garota nunca conheceu um cara que era lindo de morrer, mas que quando abria a boca dava vontade de sair correndo? Frustrante!
Mas também tem o contrário, pra felicidade geral da nação! Tipo aquele cara que você nunca se deu conta que existia, simplesmente por não responder seus requisitos de beleza, e daí num dia qualquer descobre que ele tem um papo muito bom, curte as mesmas coisas que você, é inteligente, responsável e carinhoso. E pasmem, de repente você percebe que todos esses atributos fazem dele cada dia mais bonito. E você vai enxergá-lo assim mesmo, não é ilusão de ótica! Ninguém será eternamente lindo e perfeito. A beleza exterior acaba, vai embora com o tempo. Não que a gente não deva se cuidar, mas não deixar isso como o primordial na vida.
Cuidar sempre mais de quem se é por dentro. <3
– Juliana Bassan Ayon
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Contradição

“Te amo assim diretamente sem problemas nem orgulho:
Assim te amo porque não sei amar de outra maneira,
Senão assim deste modo que não sou nem és,
Tão perto que tua mão sobre o meu peito é minha,
Tão perto que se fecham teus olhos com meu sonho.”
Pablo Neruda

Ontem dei uma volta pelas minhas lembranças tentando descobrir onde foi que eu me perdi de você. Onde foi que nós nos deixamos escapar. Onde é que as coisas que nós tínhamos em comum desapareceram. Onde foi que passamos a ser desconhecidos um pro outro. Não encontrei. Será que é porque nunca tivemos mesmo tantas coisas em comum? Acho que na realidade maquiamos as nossas idéias e pensamentos pra agradar. Eu lembro como você concordava com tudo o que eu dizia que gostava. Tudo mentira! E depois de tanto tempo juntos não dava pra continuar sustentando essas mentiras todas. Não dava pra ocultar quem realmente nós somos. E nós também não somos exatamente opostos pra fazer jus ao ditado “Os opostos se atraem”. Nós não somos mais tão parecidos. Nossas idéias de diversão são completamente diferentes. Muitas das coisas que  você gosta eu não suporto. As músicas que eu gosto de ouvir não são as que você gosta e vice versa. Nossa maneira de ver e encarar a vida são distintas. Os meus sonhos e planos para o futuro não são os mesmos que os seus. Até os nossos valores parecem ser diferentes. Então me responde: O que estamos fazendo juntos? E por que é eu te amo tanto? O que tem em você que me faz te querer assim? Por que eu não consigo mais imaginar a minha vida sem você ao meu lado? São tantas perguntas… Mas te analisando, analisando tudo isso… penso que pode ser o seu sorriso o culpado. Infantil, sincero e tão despretensioso ao mesmo tempo. Adoro te ver sorrindo e me pego feito uma boba te olhando. Pode ser também a sua capacidade de me fazer rir, mesmo quando eu estou estressada, pronta pra jogar um caminhão na sua cabeça durante as nossas brigas. Pode ser que seja a sua boca, o seu corpo, seu abraço… e a maneira como você já me conhece tão bem e sabe exatamente como e o que fazer comigo. A hora certa de me deixar sozinha e a hora certa de me abraçar apertado. E agora eu me pergunto, como podem duas pessoas estarem tão longe e tão perto ao mesmo tempo? Será que eu tive que me perder pra realmente poder te encontrar?

-Juliana Bassan Ayon

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