Saudade

Trilha Sonora:

 

Gostosa de falar, mas chata de sentir. Saudade é uma afronta a nossa vontade. Às vezes é uma raiva que dá do destino, da vida, das situações. Uma dor que começa pequenininha e vai aumentando aos poucos, quase abrindo um buraco no coração. É a falta que dá daquela pessoa num momento em que só ela poderia falar o que você precisa ouvir.
Mas saudade não dá só por sentirmos falta de pessoas, especificamente.
Eu sinto falta de quando eu era pequena. Tempos gostosos aqueles. Tempos que eu, tão erroneamente rezei pra que passassem depressa. Mal sabia.
Saudade do tempo que o meu maior problema era a tarefa que eu não tinha feito e as notas boas que eu tinha que tirar na escola. E nem imaginava como era ter problemas de gente grande.
Tenho saudade de coisas que eu nem cheguei a viver e nem ver. Algumas coisas tiveram vida só dentro da minha cabeça mesmo.
Saudade de alguns amigos, aqueles que ontem foram os melhores, mas que hoje quase não aparecem mais. Por culpa deles, por culpa minha, por culpa da vida. A saudade aparece quando lembro das aventuras vividas com eles, das risadas, das bobagens faladas. De só estar junto.
Tenho saudades de algumas músicas, que me lembram sensações e sentimentos variados. Às vezes elas me ajudam a fazer as pazes com as minhas lembranças, nem sempre felizes.
Tenho saudade também da inocência que um dia eu tive.
Mas a maior saudade é a da gargalhada do meu pai, contagiante, que eu ainda não me conformei que nunca mais vou ouvir. Das piadas que ele fazia. Mas mais ainda das broncas e dos castigos, das palavras duras. Falta das chacoalhadas, pra acordar pra vida, que eu merecia receber hoje.
Saudade também de sonhos que eu um dia tive e que não moram mais em mim. Deram lugar a novos sonhos. Saudade de quem eu fui um dia…

-Juliana Bassan Ayon

Continue Reading

Vagando

Trilha Sonora:

“Do fundo do meu coração” – Adriana Calcanhoto

 

O mundo continua rodando.
O tempo não pára.
O coração continua batendo.
Às vezes mais forte, às vezes mais fraco.
Mas bate.
E ecoa.
Os passos que eu dei anos atrás interferem na minha caminhada de hoje.
Aqui se faz, aqui se paga.
Quem planta, colhe.
Ando tendo pesadelos.
Eles me assombram.
E me pressionam.
Os pensamentos estão confusos.
Voando pra longe.
Eu quero ir junto, mas minhas pernas não se mexem.
Não saem do mesmo lugar.
Onde foi que ficou aquela vontade toda que eu tinha de viver e crescer?
Por que eu me deixei levar pela rotina e parei de lutar?
Por que eu deixei que minha vida não andasse pra frente?
Não sei.
Juro que não sei.
Não sei em que parte do caminho eu me perdi.

E eu ainda nem voltei atrás pra tentar me achar.

Juliana Bassan Ayon

Continue Reading

personalidade.

ler ouvindo:
“Be Yourself” – Audioslave

Se assumir por inteiro, não ter vergonha de ser quem é e de falar o que pensa. É assumir as suas atitudes e escolhas e responder pelas consequências delas, mesmo se forem ruins. É não ser submissa e saber colocar os seus limites, sem ser tirana. É dizer verdades, mas não perder a doçura na voz. É expor e defender a tua opinião, mas ouvir o que o outro tem a dizer. É ser flexível, mas não dominada. Você pode escolher ter personalidade ou não. Se manter firme na sua opinião ou mudar completamente o seu pensamento porque fulano disse que assim é melhor. Você pode ouvir somente as músicas que você gosta, mesmo se elas forem de vários anos atrás, ou você pode se render às modinhas e ouvir o que todo mundo está ouvindo, mesmo sem gostar. Você pode se vestir de uma maneira só sua, mesmo usando algum item da moda, mas sempre respeitando seus gostos e seu estilo. A escolha é sua.
A nossa personalidade é construída através dos anos. Pelas pessoas que nos acompanham e nos influenciam, aquelas que a gente secretamente carrega de exemplo pela vida. Pelos filmes que a gente assiste e pelos livros que a gente lê, com aqueles personagens que dão conselhos melhores que pessoas reais. Somos feitos também da dor que sentimos, pelos tombos que caímos. Pelas amizades que construímos e pelas que perdemos, pelas pessoas que amamos. Somos feitos do tanto de informação que a gente absorve. Seja nas revistas, nos jornais, da internet, por palavras e frases aleatórias que ouvimos em determinada época da nossa vida e que nos marcam pra sempre. É um conjunto de fatores que faz de nós exatamente o que somos. E você, está contente com o que é?
– Juliana Bassan Ayon
Continue Reading

Palavras perdidas #1

Saudade.
Lembranças.
Sorrisos.
Abraços.
Carinho.
Companheirismo.
Amor.
Passeios.
Viagens.
Brincadeiras.
Discussão.
Brigas.
Reconciliação.
Conversas.
Segredos.
Conselhos.
Exemplo.
Dedicação.
Idéias.
Troca.
Amizade.
Cumplicidade.
Admiração.
Doença.
Medo.
Socorro.
Preocupação.
Dor.
Sofrimento.
Morte.
Tristeza.
Choro.
Conformismo.
Lágrimas.
Saudade.
-Juliana Bassan Ayon
Continue Reading

Ele

Para ler ouvindo:

É nele que eu penso quando escuto alguma música e encaixo algumas palavras na nossa vida.
É dele que eu sinto saudades.
É com ele que eu faço os meus planos.
É ele que me faz rir, que é divertido, que é meu amigo.
É ele que me protege e cuida de mim, embora às vezes eu não dê o devido valor e sempre queira mais e mais.
É ele que consegue melhorar o meu dia com uma ligação dizendo que foi só pra falar um “Oi” e saber como eu estava.
É o abraço dele que me conforta.
São as mãos dele que eu procuro pra segurar quando eu sinto medo.
É ele que eu quero que seja o pai dos meus filhos.
É ele que eu admiro do jeitinho que ele é, pelas qualidades e principalmente pelos defeitos, que o tornam único.
É ele que pensa completamente diferente de mim em determinadas coisas, mas que me faz rever conceitos por isso.
É ele que quando atrasa 10 minutos pra ligar faz com que meu estômago fique revirado. Mas não por ciúmes, por pura e simples preocupação e medo de que tenha acontecido alguma coisa. E essa sensação só passa depois que ele liga dizendo que ta tudo bem.
É ele que tem gostos completamente diferentes dos meus, mas que por isso me faz experimentar coisas novas.
É ele que me faz feliz. Meio que aos trancos e barrancos, mas faz.
É ele que me completa.
É, isso é amor, sim…

-Juliana Bassan Ayon

Continue Reading

Pronto, falei!

 

Quantas vezes eu já me senti sozinha nessa vida. Muitas vezes, muitas noites, muitos dias. Hoje é exatamente um dia assim. A solidão já apareceu quando eu tava sozinha, mas também já deu as caras quando tinha muita gente perto. Naquele momento quando você olha pro lado e vê que ali tem diversas pessoas procurando coisas, que nem elas sabem ao certo o que é. E nenhuma capaz de oferecer nada a você ou a quem quer que seja. Só sabem pedir e receber. Quantas vezes eu não procurei alguém precisando absurdamente ouvir um conselho e no final acabei dando um. Não é todo mundo que para pra escutar, que quer escutar. Todos querem falar, falar e falar. Agem como se só eles existissem, ninguém mais. Ei, eu tô aqui! Me escuta! Eu não sou descartável. Eu tenho meu valor, sim. Mas cadê que alguém vê? E quando você percebe que não tem mais serventia pros outros, se vê sozinha assim.
Acredito que nesse mundo a única pessoa com quem eu posso contar realmente sou eu mesma. Talvez nem possa contar tanto assim. E quer saber? Eu também sou humana, eu também sou egoísta e eu também quero ser ouvida sem ter que escutar lamentos de ninguém. Eu também estou bem preocupada com meu próprio umbigo. Por fim, eu sou igual a todo mundo a quem eu critico. Tudo farinha do mesmo saco.

-Juliana Bassan Ayon

Continue Reading

Pois é…

Para ler ouvindo:
Eu já tive um número incontável de blogs que não deram certo. Sempre pessoais, com as minhas impressões do mundo, das coisas e das pessoas. Os primeiros ninguém nunca lia, porque eu nunca mostrava. O último eu divulguei e pasmem, descobri que tinha gente que gostava do que eu escrevia. E percebi que finalmente eu tinha descoberto alguma coisa que eu fazia bem. Mas ele durou pouco já que depois que uma nuvenzinha de chuva, raios e tempestade se instalar na minha vida desde o começo do ano, a minha vontade de escrever e a tão querida inspiração desapareceram e eu deletei o blog. Mas escrever é uma coisa que eu adoro. E que me faz bem ao extremo. Desde que eu me conheço por gente eu gosto de escrever, escrever e escrever. Mesmo se for pra depois rasgar o papel em mil pedacinhos pra não deixar vestígios. Só que o que anos atrás ficava trancafiado dentro de cadernos velhos que se perdiam depois de faxinas gerais no quarto, ou que eram impiedosamente rasgados e jogados na lixeira, agora podem ficar aqui, pra todo mundo ver (ou não!) e é isso que faz a coisa ficar mais interessante, até. Não dá pra saber quem vai ler, por exemplo. Antes, certeza que seria o irmão bisbilhoteiro, pronto pra encontrar o que fosse pra fazer chantagem em troca do seu segredo bem guardado. Hoje é um mistério. E sim, eu voltei a criar um blog. Porque eu sinto falta de escrever, nem que seja alguma coisa que só faça sentido pra mim e pra mais ninguém. Escrever é como um encontro entre eu e eu mesma, é uma maneira de me enxergar de ‘fora’, uma terapia. Aqui é o lugar onde ficarão os meus pensamentos, as minhas impressões e os meus sonhos escritos e detalhados. Ou nem tão detalhados assim. Aqui nasce o “O Instável Mundo da Juh”. Divirta-se!

 

Continue Reading