calabouço

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Amar e guardar pra si. Não guardar o amor, guardar a pessoa amada. Esconder em uma caixinha bem lá no fundo do baú. Ninguém pode ver, é só seu. Querer o sorriso da pessoa amada só para si mesmo, sem dividir um tiquinho de nada com ninguém. Trancar numa redoma de vidro pra assim ninguém se aproximar e roubar de você. E com isso fazer com que a pessoa amada se anule e se esconda atrás desse amor possessivo, que na verdade é uma nuvem escura de insegurança e falta de amor próprio. E esse ser que é amado desse jeito não tem muita personalidade, acaba vivendo uma vida dupla por se deixar dominar desse jeito. Na frente dos outros continua sendo o mesmo de antes, irradiando brilho e alegria. Mas, quando está junto do amor possessivo, esse indivíduo some, pois se esconde e a sua luz se apaga. Ta lá a coleira no pescoço de novo, sufocando todo o brilho interior. E a única coisa que brilha são os olhos de quem colocou a coleira, brilha de orgulho por fazer com que ninguém mais admire nada ali. Funciona mais ou menos como uma kriptonita, suga toda a energia e descarrega toda a força, deixando ali um peso morto. E daí esse indivíduo, vítima de tanta possessividade, divide-se entre ser ele mesmo e um personagem agindo somente do jeito que o tirano do amor quer. Vai indo assim até que o seu eu de verdade some porque ele se esqueceu de quem era. E sobra o bobo da corte em forma de marionete.

{Juliana Bassan Ayon}

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evolucionismo

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É interessante como mudamos e amadurecemos em tão pouco espaço de tempo. Dia desses andei lendo uns textos antigos meus e me surpreendi em ver como hoje sou diferente daquela Juliana de dois anos ou até alguns meses atrás. Escrever tem dessas coisas e publicar o que você escreve também. Ajuda a gente a se conhecer melhor. Algumas coisas que eu escrevi chegam a ser bobas até, e quando lembro do que me fez escrevê-las me sinto estranha. Alguns textos parecem ter sido escritos por outras pessoas. E em outros poucos ainda consigo enxergar um pedacinho daquilo dentro de mim.
Mas tudo o que foi escrito é o meu eu. Sou eu em momentos de angústia, sou eu em momentos de raiva, sou eu em momentos de desilusão. Pedaços de mim em formato de texto. E até engraçado ver como a forma de enxergar as coisas mudam, como antes uma coisa era tão importante e hoje não faz o menor sentido. E coisas que antes eram consideradas fúteis hoje fazem todo o sentido. A diferença é que eu cresci.

 

E ano que vem aposto que se eu entrar aqui fuçar esses textos que ando escrevendo ultimamente vou estranhar da mesma maneira que estou estranhando os textos antigos hoje.

É a evolução, minha gente, a evolução.

{Juliana Bassan Ayon}

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média

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Eu passava vontade. Não falava. Guardava tudo pra mim. Assistia tudo de camarote e não me envolvia. Tinha medo de arriscar. Vivia no meu mundo de ilusões e ficava contente com as histórias que eu criava na minha cabeça, pra dar uma alegradinha na minha vida monótona. Até hoje fico pensando em como seria diferente se eu tivesse agido de outra forma.
Aí eu cansei e mudei o meu lema de vida. De agora em diante seria: “Se é pra se arrepender que seja de ter feito do que de não ter tentado.” E eu comecei levar isso a sério. Entrei de cabeça com a cara e a coragem. Parei de passar vontade. Fui idiota. Fui uma trouxa. Fiz besteira. Chorei que nem uma besta depois por não ter dado certo. Magoei algumas pessoas e essa deve ter sido a pior parte. Tomei muitas decisões erradas. Enfiei o pé na jaca. E até hoje fico pensando em como seria diferente se eu tivesse agido de outra forma.
E aí Juliana, o que compensa mais? Nem um e nem outro. De nenhum jeito eu fui feliz. Hoje em dia, mais madura, eu vejo que eu nunca soube dosar as coisas. Nunca soube encontrar o meio termo. E agora eu sei que na vida as coisas não podem ser tratadas como 8 ou 80, uma média já tá de bom tamanho.

{Juliana Bassan Ayon}

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essas declarações de amor…

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“Você não sabe quanta coisa eu faria, além do que já fiz.
Você não sabe até onde eu chegaria pra te fazer feliz.”
Li isso há muito tempo pela primeira vez em uns rascunhos que minha mãe tinha. Era de um caderno onde ela escrevia coisas legais e bonitas e guardou. E eu herdei isso dela, tanto o caderno quanto a mania de escrever. Primeiro comecei nos cadernos também, devo ter uns quatro ou mais, e depois passou pros blogs. Já fiz muitos, já deletei todos e enfim parei com esse. Mas não é disso que queria falar. É dessa frase aí em cima e no quanto um dia eu já achei lindo esse tipo de declaração de amor.
Descobri hoje que essa frase é de uma música do Roberto Carlos, nada surpreendente uma vez que mamãe é fã dele. Pode ser linda, romântica e o escambau, mas não faz mais meu gênero de declaração de amor. Não entra mais na minha cabeça esse tipo de amor em que você se anula em função de outra pessoa. Você viveu, sei lá, 20 anos da sua vida sozinho, por você, com as suas próprias pernas e não é por causa de alguém que você conheceu há 3 meses que você vai perder o ar. Não acho mais correto dizer “Minha vida é você” porque sua vida é formada por tanta gente que chega a ser idiota centralizar tudo em uma pessoa só. Muitas vezes uma pessoa que nem merece essa dedicação toda. E normalmente essa pessoa que não vale nada te larga e você fica lá, querendo morrer. Decepção de amor não mata e pé na bunda também não. Dói muito. Mesmo. Mas não mata ninguém.
Eu namoro há 9 anos e dentro desses 9 anos tem 4 anos e meio que sou noiva. É lógico que eu quero que seja pra sempre e eu acredito nisso. Eu me esforço pra isso. Mas se algum dia não der mais certo, beleza. Eu vou chorar, me descabelar e fazer um dramalhão só, afinal tenho um lado ‘drama queen’ que aflora de vez em quando. Mas passa. Uma hora passa. E é numa hora dessa que as pessoas de quem você abriu mão quando dedicou sua total atenção e amor a quem te largou vão fazer falta. Nosso coração tem amor pra todo mundo, só falta aprender a distribuir de maneira que não sobre de um lado e falte do outro. E também precisa sobrar uma parte pro amor próprio, pra manter a auto-estima. Existe a possibilidade de dizer “eu te amo” sem se anular, sem se desmerecer, sem colocar a pessoa amada em um pedestal. Porque ninguém é perfeito. Nem eu sou e nem você é.
Já me senti meio egoísta pensando dessa maneira, admito. Mas hoje não vejo mais assim. Não acho certo centralizar minha vida a uma pessoa só, meus planos vão além disso. Se minha maneira de ver isso está certa? Não sei. O que eu sei é que hoje isso é o que mais faz sentido dentro da minha maneira de enxergar o amor.

{Juliana Bassan Ayon}

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parece até de verdade esse amor de ficção

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Tórridas declarações de amor, lindas palavras apaixonadas, olhos marejados de tanta emoção. Que coisa linda. Mais perfeito impossível. Fiquem com inveja do nosso amor. Daria minha vida por você. Meu sol, minha vida, você é tudo pra mim. Não canso de te amar. Não respiro sem você. Enquanto os holofotes estão acesos a platéia sente junto esse amor, essa paixão, esse romance. Mas quando as luzes se apagam e não tem mais ninguém olhando, os verdadeiros sentimentos vêm à tona. E daí o que predomina é o rancor, a desconfiança, as ofensas e a falta de carinho. Não tem mais aquele cuidado especial de antes. O amor acabou de se perder nas sombras. No fundo nada é tão perfeito quanto parecia e a verdadeira face da personalidade se mostra. O que é de verdade e o que é encenação? Pergunta sem resposta essa, porque as duas faces se intercalam com rapidez. Daqui a pouco as luzes serão acesas novamente e tudo volta mais uma vez a ficar lindo. O show precisa continuar.

{Juliana Bassan Ayon}

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grande mudança

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Fiquei me perguntando até onde vai a tua incoerência. Você fala tanta coisa, mas suas atitudes não condizem com o que sai da tua boca. Vai lá, faz toda aquela cena, julga, faz um tremendo discurso e na hora H faz tudo ao contrário. Quem é você? O que você quer na verdade? Será que me enganei todo esse tempo? Eu aprendi a te admirar, mas essa admiração está caindo por terra. Não estou gostando do que eu estou vendo e não imaginei que você pudesse agir dessa maneira. Fica difícil agora acreditar em tudo o que você já falou pra mim porque tenho a impressão de que tudo o que você diz são meias verdades. Não te vejo mais com a transparência de antes. Será que me enganei tanto assim?

{Juliana Bassan Ayon}

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antes tarde do que nunca

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E aquela sensação do “poderia ter sido diferente” anda pairando sobre a minha cabeça. Tem certa época da vida que inevitavelmente temos que crescer e amadurecer e com isso certas coisas ficam tão claras que servem como facadas no peito. Olhei pra trás e vi o quanto fui injusta com alguém que sempre fez o melhor por mim, que sempre esteve ao meu lado e eu não dei o devido valor. Por mais que hoje eu tenha absoluta consciência disso e esteja fazendo o possível pra me retratar, não posso apagar o que fiz de errado. Não tenho como voltar no tempo e refazer tudo do jeito certo. Fui fria, cruel e má. Pisoteei sobre sentimentos puros. Segui caminhos que não eram os corretos. E julguei que estava fazendo a coisa certa, quando na verdade estava sendo a pior pessoa do universo. Por mais que já faça muito tempo, eu ainda enxergo na minha frente aqueles olhos cheios de lágrimas, as lágrimas que eu causei, e imagino o quanto feri aquele coração que me carregava dentro dele. O coração que me carrega até hoje e que me mostra a cada dia o quanto me ama e que eu tenho sorte de ainda estar ali. E por mais que ele disfarce e não fale, eu sei que ele lembra sempre disso. A sensação é de que nada do que eu fale ou faça hoje vai apagar essa mágoa. Dói nele e em mim também. Vai doer assim pra sempre ou eu ainda tenho chance de ser absolvida?

{Juliana Bassan Ayon}

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realmente importante

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Pessoas vem e vão na nossa vida, essa é a mais pura verdade. Muitas dessas pessoas que hoje não são tão presentes e que muitas vezes nós nem sabemos onde estão ou o que estão fazendo foram responsáveis pelas melhores histórias que iremos um dia contar pro nossos netos. Pessoas que existem agora apenas na lembrança, mas que não são menos importantes por isso. Pelo contrário, o nível de importância deveria aumentar de acordo com às vezes em que usamos alguma coisa falada ou feita como exemplo na trilha que percorremos em busca do autoconhecimento. Porque é graças a elas que você é o que é. Essas pessoas que um dia nos emprestaram o ombro pra chorar, que ouviram atentamente horas de desabafo e que deram os melhores conselhos que você poderia ouvir estão ainda na sua vida. Pessoas que sorriram junto com você, que choraram junto com você, que passaram por problemas e por épocas felizes, ainda estão guardadas no seu eu, um pedacinho delas ficou dentro de você. Pessoas que simplesmente foram o que eram e ofereceram o que tinham de melhor. Pessoas que ajudaram a escrever a sua história e por isso sempre serão personagens dela. Mesmo que só em alguns capítulos.

{Juliana Bassan Ayon}

A todos aqueles que já fizeram parte da minha vida um dia meu muito obrigado;
eu não seria o que sou hoje se não fossem vocês.
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