Conversa

Trilha Sonora:
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Oi, eu tô aqui. Tá me vendo? Certeza? Desculpa a sinceridade, mas é que ás vezes não parece…
Mas já que está me vendo hoje, posso fazer umas perguntinhas? É coisa rápida, prometo.
Me explica por que nada nunca dá certo? Tipo nada mesmo. Por que eu sempre chego no quase e do quase não saio mais? Parece que minha vida anda pra trás. Por que eu entendo todo mundo e ninguém nunca me entende? Por que eu não tenho ninguém que possa me ouvir sem pedir alguma coisa em troca depois? Por que os meus planos nunca deixam de ser somente planos?
Não tá dando mais, é sério. Essa capa que me faz parecer uma fortaleza está em frangalhos. Não convence mais ninguém.
Me deixa sonhar, falar, gritar, cantar. Me deixa ser ouvida e entendida. Me deixa realizar os meus sonhos de tantos anos. Me ajuda a acabar com as minhas frustrações? Me deixa ser amada e cuidada. Eu acho que mereço, não?

Ou não mereço? Esse silêncio foi pra dizer isso?
Tá, eu sei que eu já fiz muita mer.., ops, muita coisa errada nessa vida. Eu sei que tudo que eu fiz de errado pesa contra mim, mas não foram tantas coisas assim, foram?

É, eu sei que também faz tempo que eu não agradeço e na maioria das vezes só lembro do Senhor na hora de pedir alguma coisa ou na hora do aperto, né. E sei que por muitas vezes já questionei as Suas decisões, e isso não deve ter agradado nenhum pouco o Senhor. Mas o Senhor mais do que ninguém sabe como eu sou e como eu questiono tudo e… Tá, não vou ficar me desculpando mais. O Senhor deve ter muita coisa a fazer e eu tô aqui, com meu monólogo.

Mas só mais uma coisinha, não esquece de mim não, tá?

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Chuva chata

Eu gosto de chuva. Gosto de andar na chuva e me molhar sem me preocupar e não precisar sair correndo feito uma desesperada, parecendo que sou de açúcar. Eu amo dormir com chuva, com aquele barulhinho calmo e relaxante embalando os sonhos. Adoro tomar chuva com os amigos, bagunçar e chutar poça. Tomar chuva com o namorado também é bom. E divertido. Beijar na chuva é romântico e digno de um filme. Namorar em dia de chuva também é gostoso, se aconchegar nos braços quentinhos de alguém, e se sentir protegido dos raios e trovões.
É tudo muito lindo, romântico, poético. Mas na prática a coisa muda. Quem é que não se irrita com chuva demais? A maior inimiga das adeptas da escova + chapinha é a chuva, pronta pra destruir em apenas meio minuto o que levou horas pra ficar pronto. Aquele tempo geladinho que fica por causa da chuva me irrita porque me faz ir ao banheiro 500 vezes por dia. Não sei de onde sai tanto xixi. Me irrita porque sempre a chuva aperta nos horários de entrar e sair do trabalho. E durante o tempo que eu fico trancafiada dentro do escritório não cai uma gota. Me irrita porque eu uso óculos e sou obrigada a colocar a lente, já que ele fica todo respingado se está ventando e se eu seco na blusa ele fica embaçado e daí eu enxergo nadica de nada. Me irrita porque eu odeio molhar meus pés. Tenho aflição e me dá siricutico. Se estou de sandália quase infarto quando percebo que está chovendo. Por isso uso botas. São Pedro pensou em mandar chuva eu já enfio minhas botonas nos pés por prevenção. Mesmo nas chuvas de verão, como hoje, quando chove pra caramba e ainda continua calor, elas estão aqui nos meus pezinhos. Daí o povo na rua me olha como se eu fosse de outro mundo. E ta por fora da calça ainda. Tipo que daí o impacto fica maior. Dá raiva porque as roupas não secam direito. Daí ta lá seu uniforme no varal, se rejeitando a ficar sequinho pra você ir trabalhar com ele no dia seguinte. Junto com aquela sua calça jeans favorita – aquela que quase sai sozinha do teu armário – que ta lá, sem previsão de secar, e você encana justamente que quer colocar ela pra sair. É, isso não é legal.
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Confessionário

Para ler ouvindo:
Shine On You Crazy Diamond – Pink Floyd

 

Eu não sou o que se pode chamar de boa garota. Eu confesso que já dei risada da desgraça dos outros. E já me senti bem melhor por ver alguém na merda. Também já deixei alguém ficar com a culpa toda de algo errado que eu tinha feito. E nem me mexi. Confesso que já menti e já omiti pra me safar. De boa. Confesso que já desejei que um desafeto morresse ou pegasse alguma doença braba, pra sofrer em dobro tudo de ruim que fez pra mim. Confesso que já fofoquei, bem maliciosamente mesmo. Já fiz picuinha, só pra prejudicar. Já critiquei pelas costas e não tive coragem de falar na cara. E disfarcei sem graça quando a pessoa chegou. Já virei os olhos e chacoalhei os ombros pro que falaram pra mim. E também já fiz careta quando a pessoa virou as costas e por duas vezes quase fui pega no flagra. Confesso também que já me fiz de santa, obviamente sem ser. Já chorei de mentirinha pra comover e geral acreditou. Já me fiz de vítima quando eu é quem era a culpada. Já distorci as coisas a meu favor. Já dei um jeito de coagir as pessoas a fazerem exatamente o que eu queria. Já fiz a minha versão dos fatos ser aceita. Já falei merda de quem eu gosto na hora da raiva e me arrependi depois. Já falei merda pra quem eu gosto na hora da ira e me arrependi também. E já tiveram vezes em que eu fiz as duas coisas com certas pessoas e não me arrependi nem um pouco. Faria de novo.
Confesso que quando era mais nova já inventei histórias fantasiosas pra ser aceita nas rodinhas, pra tentar fazer com que as pessoas me achassem mais legal ou mais interessante. E acabou que me perdi no meio das mentiras contadas e o efeito foi totalmente o contrário, fui mais ignorada do que nunca. Confesso que já fingi que não conhecia quando encontrei alguém que estudou em sei-lá-que-série-do-primário comigo. Já troquei de calçada pra evitar falar com alguém. Já culpei a minha miopia por não ter cumprimentado alguém de propósito. Já saí de casa algumas vezes simplesmente pra causar desconforto nas pessoas. Já falei coisas que não sentia com a simples intenção de ferir, machucar e cutucar a ferida.E tudo isso quer dizer o que?

Que eu sou h-u-m-a-n-a e p-e-c-a-d-o-r-a. Que eu erro todo dia, muitas vezes sabendo muito bem o que eu tô fazendo e onde isso pode me levar. E todo mundo é assim. Não existe ninguém perfeito nesse mundo. Eu não me orgulho do que já fiz e me envergonho de muita coisa. E algumas das coisas que eu fiz me martirizam até hoje e enchem meu coração de culpa. Mas não me envergonho de ser quem eu sou e me deixa orgulhosa o fato de ser imperfeita e não esconder isso. Mas me deixa mais orgulhosa ainda o fato de reconhecer e assumir o erro e ter consciência de que preciso me esforçar pra não voltar a cometê-lo. Eu acredito que o primeiro passo para ser uma pessoa melhor é reconhecer os próprios erros e ver o quão ruim podemos ser, pois somente dessa maneira podemos ver onde é que precisamos melhorar. Não adianta camuflar o que somos de verdade, assume e ponto. Até porque nenhuma mentira dura pra sempre. Gosta de mim? Gosta assim então, com o pacote de defeitos que vem junto e com o fardo dos meus erros do passado. A gente cresce cometendo erros e sem eles não seríamos quem somos e não saberíamos separar o certo do errado.

E fica a dica, não é se escondendo atrás de boas ações fajutas que nós seremos pessoas melhores de verdade.

-Juliana Bassan Ayon

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Insuportável

Pra ler ouvindo: 

Eu sempre fui a conselheira, a todo ouvidos. Aquela que todo mundo lembra na hora do aperto. Pra um favorzinho, pra dar uma mãozinha, pra quebrar um galho. Pra desabafar, pra emprestar uma roupa, pra ajudar em alguma coisa. Sempre invento coisas diferentes nos aniversários, sempre tento dar um jeito em tudo pra todo mundo, sempre fiz o que pude por quem quer que fosse. Já deixei tanta coisa minha de lado por outra pessoa que se eu for listar tudo, fico aqui escrevendo até amanhã. Só que um dia chegou a hora em que EU precisei de tudo isso e… cadê todo mundo? Não tinha ninguém.
E isso não aconteceu só uma vez e nem com uma só pessoa. Parece algum tipo de maldição. Eu tento agradar ao máximo as pessoas que eu gosto, faço o que puder e dou um jeitinho até no impossível. E é de coração. Reconhecimento? Zero.
Só que por mais tombos que eu já tenha levado e por mais vezes que eu já tenha prometido pra mim mesma que não vou mais ser assim, eu sou, e eu faço sempre a mesma coisa. Trouxa, pode falar! E é como se as pessoas se acostumassem com isso e daí vira um tipo de obrigação da minha parte de sempre fazer tudo por todo mundo. Mas não dá mais! Para, já deu, não aguento nem um segundo a mais. E eu? E o que eu sinto? E o que eu preciso? E o que eu quero?
Esse é um surto egoísta, eu assumo. Mas cansei de fazer tanto e não receber nada em troca. Sempre fiz por querer o melhor, pra ajudar mesmo. Mas pra quê se isso só me faz sentir usada? Amigos servem pra que mesmo? Só pra pedirem favores? Só pra estarem perto quando a gente é útil pra alguma coisa? Não, comigo não mais. Não dá mais pra suportar.
Que vá todo mundo a merda. Eu não vou me deixar destruir por conta disso.

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Um sonho real.

Tinha sido um dia de cão. Tudo tinha dado o mais errado possível e o que ela mais queria era chegar em casa, tomar um banho e dormir. Chegou e não tinha ninguém em casa, era só ela e ela mesma aquela noite. Entrou e abriu as janelas. O calor estava infernal. Foi direto pro banho e ficou lá, deixando a água cair nas costas e nem percebeu que tinha ficado ali por quase meia hora. Saiu do banho, se trocou e deitou no sofá. Ligou a TV e pra variar nada, nada e nada… Parou num canal aleatório, mas não demorou muito, já estava com os olhos pesados de sono. Estava cansada fisicamente e emocionalmente também. Fechou os olhos e ficou ali, num quase cochilo, mas pensando em tudo o que acontecera até então. Dali a dois dias ela faria aniversário e ela se perguntava por que tantos anos tinham se passado e nada acontecido. Todo mundo falava, mas ela não acreditava que depois dos 15,18 anos a vida voa e hoje percebia que era verdade. Parecia que ontem mesmo tinha sido a festa de 15 anos surpresa que ela ganhou. Mas viu que não tinha mudado muita coisa daquela época até agora. Ela continuava infantil e briguenta, chata e desbocada. Mas mais madura. Sabia que tudo o que havia passado tinha feito com que ela amadurecesse, mas não o suficiente. O rosto nem tinha mudado muito. Os cabelos continuavam os mesmos, mas estavam mais bem tratados. Mas em compensação ela estava 3 graus mais cega. As pernas continuavam finas, os peitos grandes e a bunda pequena, embora um pouco mais cheinha que 10 anos atrás. Quase a mesma coisa se for ver, tirando as estrias e celulites. Se bem que a barriga estava bem diferente, digamos mais flácida. Culpa do sedentarismo, da preguiça e do McDonalds. E dos programas de namorados que na maioria das vezes se resumia a sair pra comer. Ela continuava sem poder dirigir, já que ainda não tinha tido coragem de tirar carta. Estava muito mais insegura e dependente dos outros do que era quando mais jovem. Deu-se conta que nem tinha muito que comemorar e a ideia de fazer uma festinha ou qualquer comemoração que fosse, causava enjoo. Pra quê? Pra comemorar a falta de competência pra fazer as coisas darem certo? Desejou naquele instante um buraco pra enfiar a cabeça e se esconder do mundo e dos problemas dele. Ficou enumerando as oportunidades que deixou passar, as coisas que poderia ter feito, onde estaria se tivesse seguido seu coração… Nesse instante, foi arremessada pra fora de seus pensamentos por um suspiro alto, vindo de outro cômodo da casa. Ficou estática e um arrepio percorreu toda a sua espinha. Quem seria? Ninguém tinha chegado ainda, ela tinha certeza. Ou não? Levantou devagar e foi caminhando lentamente até a porta do quarto, que estava aberta. Olhou pra dentro dele e viu que, parada de costas pra porta, havia uma garota, pequena, magrinha, com os cabelos louros e cacheados presos num rabo de cavalo, fuçando em algumas coisas que estavam em cima da escrivaninha.
– Qu… qu… quem é você?
Num movimento leve e ao mesmo tempo rápido, a garota se virou de frente pra ela e por um momento ela sentiu o chão sumir sob seus pés.
– Eu sou você, não está se reconhecendo, não? – respondeu a garota, sorrindo.
Ela ficou em choque, com medo, sentiu vontade de gritar, mas o grito não saiu. Estava se vendo ali, na sua frente, no seu próprio quarto, só que anos mais nova. Mas como podia?
– Co… como você veio parar aqui?
– Vindo, ué…
– Maa… maaas, por que?
– Ei, para de gaguejar. Que boba! Eu não achei que eu fosse ficar assim quando eu ficasse mais velha – disse em tom irônico, e cruzou os braços em seguida.
Ela não podia acreditar no que estava acontecendo. Era loucura demais acreditar naquilo. Mas num impulso, mesmo com medo, decidiu arriscar e continuou a conversa:
– Mas posso saber então o que você quer comigo?
– Ah, mas é claro que pode! Eu quero saber o que foi que você fez com a MINHA vida, com os MEUS sonhos!
Foi pega de surpresa novamente.
– Tá querendo dizer o que com isso?
– Tô querendo dizer o que você entendeu, ué. Quero saber por que é que você se abandonou desse jeito e deixou pra trás todos os planos que eu tinha! Lembra? Arrumar um emprego legal, guardar uma quantia boa por mês pra com 18 anos tirar carta, comprar um carrinho e quem sabe até ir morar sozinha. Fazer alguma coisa importante pro mundo, sei lá. Ser independente, livre, importante! Olha pra você! Em todos esses anos você não fez nada que fosse digno de merecer um elogio…
Ela engoliu em seco e ficou em silêncio. Era até engraçado provar da sua própria insolência. Sentiu um aperto no peito por não falar mais com aquela paixão toda sobre seus planos. Irritou-se com tudo aquilo. Não que o que ela – ela mesma, mais nova – estava falando não fosse verdade, era sim e doía saber que era, mas ela não podia jogar tudo isso na cara dela assim. Sentiu-se no direito, por ser mais velha e dona da vida de agora, de se impor e ergueu o tom de voz:
– Primeiro olha o tom, mocinha. Você ainda é muito pirralha pra entender o que é a vida. E segundo que eu não tenho que te dar satisfação de nada, afinal a vida é minha também, não é? Nos dias de hoje, muito mais minha do que sua.
Ela – mais nova – ficou extremamente irritada.
– Mas você é o MEU futuro e me deve satisfação sim do que fez com ele! Eu não quero ser você daqui a 10 anos…
– Pois se conforme, é esse seu futuro. Agora dá pra voltar de onde você veio e me deixar em paz?
– Não, não volto. Você acha que ta certa, mas não ta não. E eu não aceito ter essa vida! Você precisa fazer alguma coisa.
– Ah é? Então amanhã me jogo duma ponte, certo?
– Você pode até ser cabeça dura, mas não tem coragem. Ta sendo idiota e dramática.
– Olha quem fala!
– Mas pelo menos eu não faço um dramalhão por qualquer coisinha. É patético. Você é patética, ta precisando ser mais prática.
Ela estava realmente se irritando com aquela situação toda e tinha vontade de se pegar pelo pescoço. Mas respirou fundo, ficou em silêncio, como que se procurando as palavras certas e, baixando o tom de voz, respondeu:
– Ta, eu sei que eu fiz tudo errado, eu sei que eu poderia ter feito muito mais coisa, mas o que eu posso fazer agora? To indo rumo ao fundo do poço, se você quer saber… E eu não me sinto nem um pouco orgulhosa de mim e nem nisso aqui eu me transformei.
A garota percebeu que estava conseguindo o que queria desde o começo.
– Você tem muito o que fazer, é só você querer! Sério, eu vim aqui porque quero te ajudar…
– Mas como?
– Olha pra você, você tem tudo que precisa pra ser feliz, tá aí dentro, só falta você encontrar…
Ela sentiu um nó na garganta, como ela tão mais nova e inexperiente podia ter as palavras tão certas pra ela mesma daquele jeito?
– Meu recado ta dado, só depende de você, de mais ninguém. A vida ta aí, pedindo pra ser vivida e não só empurrada com a barriga como você vem fazendo. Faz o que você tem que fazer, preciso ir embora agora…
– Não, espera aí, me fala mais, me ajuda … Me fala pelo menos como você veio parar aqui…
Nesse instante o telefone começou a tocar, e o barulho foi ficando cada vez mais alto e ensurdecedor. Ela tapou os ouvidos, porque doía. A cabeça parecia que ia explodir. No susto, levantou correndo e foi atender. Não encontrou o telefone na base, voltou e viu que ele estava ali, do lado dela no sofá. Atendeu:
– Alô?
– É da casa da Maria?
Ficou em silêncio.
– Oi, tem alguém na linha? É da casa da Maria?
Ficou mais um pouco em silêncio, com se a voz não quisesse sair, mas por fim respondeu:
– Não, não tem ninguém aqui com esse nome.
– Tá bom, desculpa o engano!
Ainda ficou escutando o silêncio do telefone por uns instantes até que finalmente desligou. Sentou e sentiu a boca seca e o coração batendo forte. O que tinha acontecido? Que loucura toda foi aquela? Não sabia explicar. Levantou e foi até o quarto, espiou pela porta e não tinha ninguém ali. Ninguém mais. Aliás, ninguém esteve ali naquela noite além dela mesma. Questionou-se em voz alta:
– Foi só um sonho, então? Por que isso aconteceu comigo?
Sentou na cama e ficou olhando pro quarto e lembrando do sonho mais real que já tivera até aquele dia. E soube que a partir dali, não seria mais a mesma…

{Juliana Bassan Ayon}

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meu eu descrito por outra pessoa

Para ler ouvindo:

E quando eu fico mais de meses sem conseguir me expressar, eu reencontro um texto que fala por mim:

Já escondi um AMOR com medo de perdê-lo, já perdi um AMOR por escondê-lo.
Já segurei nas mãos de alguém por medo, já tive tanto medo, ao ponto de nem sentir minhas mãos.
Já expulsei pessoas que amava de minha vida, já me arrependi por isso.
Já passei noites chorando até pegar no sono, já fui dormir tão feliz,
ao ponto de nem conseguir fechar os olhos.
Já acreditei em amores perfeitos, já descobri que eles não existem.
Já amei pessoas que me decepcionaram, já decepcionei pessoas que me amaram.
Já passei horas na frente do espelho tentando descobrir quem sou, já tive tanta certeza de mim,
ao ponto de querer sumir.
Já menti e me arrependi depois, já falei a verdade e também me arrependi.
Já fingi não dar importância às pessoas que amava, para mais tarde chorar quieta em meu canto.
Já sorri chorando lágrimas de tristeza, já chorei de tanto rir.
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena, já deixei de acreditar nas que realmente valiam.
Já tive crises de riso quando não podia.
Já quebrei pratos, copos e vasos, de raiva.
Já senti muita falta de alguém, mas nunca lhe disse.
Já gritei quando deveria calar, já calei quando deveria gritar.
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns,
outras vezes falei o que não pensava para magoar outros.
Já fingi ser o que não sou para agradar uns, já fingi ser o que não sou para desagradar outros.
Já contei piadas e mais piadas sem graça, apenas para ver um amigo feliz.
Já inventei histórias com final feliz para dar esperança a quem precisava.
Já sonhei demais, ao ponto de confundir com a realidade…
Já tive medo do escuro, hoje no escuro “me acho, me agacho, fico ali”.
Já cai inúmeras vezes achando que não iria me reerguer,
já me reergui inúmeras vezes achando que não cairia mais.
Já liguei para quem não queria apenas para não ligar para quem realmente queria.
Já corri atrás de um carro, por ele levar embora, quem eu amava.
Já chamei pela mamãe no meio da noite fugindo de um pesadelo.
Mas ela não apareceu e foi um pesadelo maior ainda.
Já chamei pessoas próximas de “amigo” e descobri que não eram…
Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada e sempre foram e serão especiais para mim.
Não me dêem fórmulas certas, porque eu não espero acertar sempre.
Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente!
Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão.
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra SEMPRE!
Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes.
Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco q eu vou dizer:
– E daí? EU ADORO VOAR!
Clarice Lispector
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Sabe o que eu tava pensando?

Eu viajei esse final de semana pra casa dos meus avós maternos na Capital. Teve festa lá, juntamos a família toda – tanto na festa como na casa da vó e do vô – matamos as saudades, conversamos, rimos, colocamos as fofocas em dia, demos risada, tiramos fotos. E já fizemos planos pro Natal, pra gente se reencontrar de novo.
A minha mãe nasceu, cresceu e construiu a vida dela lá, mas por problemas de convivência com a família do meu pai, mais especificamente com a minha avó, acabou vindo embora pra cá com 26 anos, idade que tinha quando se casou com o meu pai. Uma atitude corajosa ao extremo. Não é qualquer um que larga a família toda, casa e um baita emprego pra vir pra cá, com uma mão na frente e outra atrás, por amor. Eu ficaria horas e horas aqui contando as histórias dos dois, do que enfrentaram e do quanto eles se amavam. Talvez fique pra um próximo post, já que o foco que eu quero dar a esse texto é outro. Porque pensar em tudo isso me fez refletir sobre diversas coisas. Principalmente “e se”. Tipo se minha mãe não tivesse enfiado a cara na estrada e vindo pra cá, pra ser feliz com meu pai, o quão diferente seria a vida deles, a minha vida, dos meus irmãos e da família de um modo geral. O quanto nossa vida poderia ser diferente se um fato pequenininho fosse mudado no passado. Qual o tamanho do efeito que causaria no presente. Daí me lembrou o filme “Efeito Borboleta” – o primeiro, porque os outros eu não assisti. Não que eu quisesse realmente alterar, mas pelo menos ver como seria caso tivéssemos outra atitude. Ver o que seria de mim caso eu tivesse optado pelo outro caminho ou simplesmente tivesse dito “Não”. Mas talvez perdesse a graça e tivesse mais efeito negativo que positivo, já que poderia trazer muita frustração, dependendo o ocorrido.
Bom, só sei que ultimamente eu ando bem reflexiva e tenho enxergado as coisas de uma maneira diferente, procurando tirar algum tipo de aprendizado de tudo. E essa com certeza foi uma dessas vezes.
– Juliana Bassan Ayon
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amor de verdade?

Para ler ouvindo:

Afinal, o que é amor verdadeiro? Quem nunca se pegou fazendo essa pergunta pra si mesmo? Difícil de entender, difícil de explicar, complicado de sentir… O amor é, na minha opinião, o sentimento mais complexo e também muito fácil de ser confundido. Quem nunca confundiu amizade com amor, paixão com amor e até admiração com amor? Não que amizade não seja um tipo de amor. É sim. Mas não tô dizendo do amor fraternal e sim o amor entre um casal. Amor não é só pele, química, beijo na boca e cama. Amor é mais que isso e, embora a paixão e o sexo sejam importantíssimos dentro de um relacionamento, não são tudo. É claro que ter alguém que sabe te pegar do jeito certo, fazendo você ficar com as pernas bambas e esquecer do resto do mundo quando te beija é maravilhoso. Mas também é preciso que isso venha acompanhado de companheirismo, amizade, cumplicidade. É quando acontece a mistura de tudo isso que a gente tem certeza que está amando. É preciso se sentir bem e confortável ao lado de quem se ama. E não ter segredos. Viver como dois e não como um só. É ter sonhos em conjunto e não ambições egoístas. É sentir ciúmes, mas não impedir o outro de viver por isso. É perceber pelo tom de voz que tem alguma coisa errada e fazer o possível pra ajudar. É parar o mundo pra ouvir o que o outro tem a dizer. É admirar o outro por dentro. Porque a gente não vai ter um corpo perfeito pra sempre, pra manter o tesão. Só sexo não dá base pra um relacionamento, não. Faz perder a graça. Na hora em que estivermos casados vão chegar as contas pra pagar, vamos ter a casa pra manter, os filhos pra criar. E se um não souber ser companheiro suficiente do outro, já era. Por mais que o sexo seja fantástico não vai ser o suficiente pra manter o relacionamento em pé.
Eu quero casar pra vida toda, pra construir uma vida junto dele, formar uma família, pra admirar cada ruga que nascer, pra ficar o domingo inteiro enfiada na cama juntos vendo Tv, pra ir envelhecendo lado a lado e essas coisas assim. Piegas? Pode ser. Mas eu quero que seja assim. Porque eu penso que quando estivermos velhinhos, não vamos ter o pique de agora pra sair, viajar, namorar. E o que vai contar é a amizade, a admiração, o cuidado, a conversa e a maneira que vamos passar o nosso tempo juntos. E como vamos fazer pra deixar o outro bem, sorrindo e feliz. Amor não é só pensar no presente, é planejar o futuro também. É se enxergar junto com a pessoa daqui há 50 anos e por analisar muito bem a relação, saber que vocês tem os ‘quês’ que farão a diferença mais tarde.

Pra mim Amor é isso. E pra você?

-Juliana Bassan Ayon

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músicas e clipes favoritos – parte 02

Essa semana na MTV Brasil tem passado clipes antigos, da época que eu ainda assistia,  por conta do aniversário da emissora. Todo adolescente tem seu “Momento Mtv”, né? Eu lembro que eu comecei a assistir lá por 1996 e perdurou até mais ou menos 2002, quando eu comecei a namorar. Mas o ápice eu acredito que tenha sido 97/98 mesmo. Eu sabia tudo o que tocava lá e marcava todo dia as posições do Disk num caderno, e de sábado as do Top 20. Mania que depois foi repassada pra minha irmã caçula, já que por motivos óbvios, chegou uma hora em que marcar as posições do Disk e do Top 20 não eram mais assim tão importante na minha vida, né. A gente cresce.
Mas tem coisas que ficam. Essa minha época de fanática da Mtv foi gostosa. As músicas que eu ouvia continuam fazendo parte da minha vida e posso afirmar que ajudou na construção do que eu sou hoje. Os amores da minha vida eram o Dave Grohl, ex-baterista do Nirvana e vocalista/guitarrista do Foo Fighters; o Tré Cool, baterista do Green Day e o Kevin Richardson, dos Backstreet Boys. E eu sonhava em cantar como a Alanis Morissete e queria a atitude + o Girl Power das Spice Girls. Ah, e o cabelo da Geri Halliwell, a Ginger Spice, minha favorita! ♥
Hoje eu continuo fã de todos eles e mais muitos outros dessa época, já que as músicas que embalaram a minha vida quando eu tinha 12 anos, continuam fazendo parte da minha trilha sonora até hoje.
Daí eu lembrei da música “Truly, Madly, Deeply”, toda romântica, de 1997. E lembrei da minha favorita do Savage Garden, que é essa que eu vou postar hoje. Ela é pra mim a melhor música de amizade/amor/apoio que eu já ouvi. E me diz, não é exatamente o que você gostaria ouvir de alguém quando tá na pior?

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