desabafo

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A vida dá voltas e voltas e voltas. Uma coisa que aconteceu anos atrás alterou permanentemente o rumo que a minha vida tomou. E todo santo dia eu penso nisso. Todo santo dia eu fico pensando e criando histórias na minha cabeça de como as coisas poderiam ter sido diferentes, o que teria mudado na minha vida se aquilo não tivesse acontecido, e daí vem o aperto no peito e a vontade de chorar. Eu evitei ao máximo falar nesse assunto, mas todo texto que eu comecei a escrever nas últimas duas semanas começavam de um jeito e terminavam falando disso. Todos eles. E essa semana todo o choro que ficou guardado desde o final de junho saiu.
Os dias críticos começam no final de junho e seguem até o começo de agosto. Dia 07 de julho fez 10 anos que Deus levou meu pai, dia 25 de julho teria sido aniversário dele, teria feito 57 anos. E domingo dia 14/08 é dia dos pais. Cada newsletter de promoção de dia dos pais que eu recebo no meu email dá vontade de mandar tomar no cu, mandar pra puta que pariu essa gente que fica aí cutucando a minha ferida. Mas daí eu lembro que ninguém sabe da minha dor. Ela é minha e esse tipo de coisa não é provocação. Pode até ser provocação da vida, tentando me testar, mas não é das pessoas. E sim, tô eu aqui num surto egoísta que já é de praxe nessa época do ano. Eu sei que o que Deus escolhe pra vida da gente é o melhor, que ninguém passa pelo que a gente tem que passar. Só que ainda não consegui digerir isso, por mais tempo que faça. Posso até às vezes parecer ‘conformada’, mas eu não aceito. Por que levar o meu pai enquanto tem tanta gente ruim no mundo? São tantas perguntas, tanta coisa pra ser questionada, tanta coisa que foi tirada da gente e que não teremos de volta, que não dá pra listar. Tenho saudade de tanta coisa! Principalmente do que nós não vivemos e nem vamos viver, porque não deu tempo. Não acho justo não ter tido esse tempo e ter perdido tanta coisa. E sempre fico pensando em quanta coisa poderia ser diferente se isso não tivesse acontecido. Tantas vezes que eu já fiquei analisando e pensando, criando uma história paralela na minha cabeça de como as coisas seriam se ele ainda estivesse aqui, e vou imaginando e pensando em todo o rumo que a minha vida, a vida da minha família e a vida de tanta gente tomaria, em quão diferente seria nossa história. Será que ele se orgulharia de mim e do que eu me tornei? Essas coisas eu nunca vou saber de verdade e é frustrante. Normalmente no meio dessas histórias chega uma hora em que o peito aperta e eu sou obrigada a parar. Só que essa semana apertou tão forte e veio aquela saudade enorme de grande, que não dá pra explicar quão ruim é sentir. E daí eu me revoltei e tive vontade de quebrar tudo e em seguida veio o choro, todo aquele choro que eu disse lá em cima que eu não consegui segurar. Daí esse surto vai passando aos poucos, devagar, até que as lágrimas secam. E sobra a cara vermelha e os olhos inchados. E daí nos próximos meses eu vou lembrar obviamente, mas não nessa intensidade. E aí vai chegar o Natal e outro surto. E daí ano que vem de novo. E eu tenho a sensação de que essa dor nunca vai me abandonar e vai ser sempre assim.
Uma amiga me disse essa semana uma coisa certa; que nós não nascemos pra morrer e nem pra aceitar a morte. E isso infelizmente é verdade.

{Juliana Bassan Ayon}

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desconstruindo a primeira impressão

Quando conhecemos uma pessoa só de olhar pela primeira vez já montamos toda uma ficha na cabeça. Analisamos tudo e tiramos uma conclusão. Normalmente uma conclusão precipitada. A tal da primeira impressão. Muitas vezes pode ser que essa primeira impressão tenha realmente algum fundamento sim, mas na maioria das vezes percebemos o quanto nos enganamos um tempo depois. Todo mundo faz isso, por vezes até sem querer e sem perceber. E essa primeira impressão pode durar dias, meses, anos, até o dia em que a gente abre a guarda, para de levar em consideração aquela impressão errada e reavalia, e assim conhece realmente a pessoa. E isso é legal. Um tempo atrás, quando eu era mais moleca e mais imatura, talvez eu não tivesse essa visão que eu tenho hoje, não daria o braço a torcer. Inclusive até já fiz isso e hoje penso que posso ter perdido muito com essa atitude infantil. É incrível como podemos ser pegos desprevenidos pela atitude positiva de uma pessoa que antes tínhamos aquela sensação de “não fui com a cara” e de “meu santo não bateu”. Muitas características podem ser interpretadas de maneira errada. Uma pessoa quieta pode ser considerada antipática, uma pessoa falante demais pode ser considerada chata, uma pessoa simpática demais pode ser considerada oferecida e assim vai. É nosso instinto julgar, eu sei. Só que com o tempo a gente aprende que pode se enganar e aprende a reconsiderar. Reconsiderar o nosso julgamento inicial e a nossa maneira de pensar. E de repente OPA, percebemos o quanto fomos injustos no que pensávamos. Acho que o que falta é abrir a cabeça, jogar fora os pré conceitos e ser humilde o suficiente pra reconhecer o erro. Eu tenho reconsiderado bastante ultimamente e posso afirmar que tem sido surpreendente. 🙂

{Juliana Bassan Ayon}

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seu lindo ♥

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Há 4.733.327 minutos atrás você apareceu na minha vida com esse sorriso derretedor de corações. E com essa risada debochada que me faz rir junto sem nem mesmo saber do que se trata a piada. Chegou como quem não queria nada, parecendo todo magrelinho se escondendo atrás das roupas que eram 3 vezes o tamanho certo. Lembro daquela lindíssima calça verde musgo que virava bermuda, que num belo dia, enquanto estava sendo usada como bermuda, foi a culpada por me mostrar os ‘pernãos’ que se escondiam por baixo de tanto pano. Típico caso da embalagem que não favorece o recheio.

78.888 horas se passaram desde o primeiro beijo. Aquele primeiro beijo que você me pediu, todo lindo, que quase me fez desmanchar no sofá da casa da Ângela de tanta fofura junta que eu senti na sua voz e tanta sede que vi nos seus olhos. E é como se eu ainda sentisse aquele arrepio que me deu quando você segurou o meu rosto com essa mão grandona e juntou os seus lábios aos meus pela primeira vez.

3.287 dias juntos. Mas nem todos um ao lado do outro realmente, porque já terminamos diversas vezes e em algumas dessas vezes tentamos levar a vida adiante, contar uma nova história pra vida de cada um, dar um novo rumo. Mas sempre acabamos nos encontrando de novo e de novo e de novo, provando que o nosso lugar é realmente um ao lado do outro. Ficamos separados fisicamente, mas os nossos corações não. E por mais que acreditássemos que longe seria melhor, o destino nos provou o contrário.

469 semanas em que pelo menos uma vez por dia fizemos parte dos pensamentos um do outro. Mas nem sempre de uma forma positiva porque briga foi o que não faltou nesse tempo todo. O que não é de todo mal, porque depois das brigas é que a gente se entende bem e a melhor parte é a da reconciliação. Não é?

107 meses que vivemos, realmente no sentido total dessa palavra. Quanta coisa aconteceu, quanto aprendemos e quanto crescemos mês a mês. Descobrimos como é importante sermos companheiros um do outro. Esses meses reúnem passeios, palavras, pessoas, amigos, aventuras, viagens… E são coisas que fazem parte não só da nossa história, mas de muita gente que viveu esse tanto de coisa junto com a gente também.

Nove anos! É um tempão, amor. Quem diria que chegaríamos tão longe, né? Eu sei que muita gente não botava fé, mas aqui estamos nós. Construímos uma vida juntos, passamos por muita coisa, enfrentamos muitos problemas, lutamos e conseguimos a nossa tão sonhada casinha. E nos próximos (muitos!) anos que virão, vamos continuar a escrever nossa história. Vamos lutar juntos pra deixá-la como nós sempre sonhamos e daí vamos finalmente nos casar. No tempo certo, sem pressa. E quando nossos nenéns vierem, vamos transformá-la finalmente num lar. Daí aqui eu poderia dizer que seríamos felizes pra sempre, mas a gente sabe que não vai ser assim. Ainda teremos que superar muitas pedras no caminho e não vai ser fácil. Mas por você eu corro o risco, enfio a cara. Tô preparada pra enfrentar todo e qualquer tipo de problema ao seu lado. Porque eu acredito que juntos podemos alcançar o infinito.

Te amo ♥

{Juliana Bassan Ayon}

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MINHA MÚSICA!1!!111!!!1

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Existem músicas que mesmo fora das paradas de sucesso há anos continuam sendo importantes, emocionando e fazendo parte da vida das pessoas. Podem trazer a tona lembranças pra quem gosta delas e também podem despertar novas histórias em quem as escuta pela primeira vez. Boas músicas não envelhecem, e isso nada tem a ver com gênero ou estilo. Tem música que entra ano e sai ano e ela continua lá, firme e forte. Tem aquelas que são unanimidades, mas com outras nem sempre isso acontece. Numa festa de casamento, por exemplo, quando a pista bomba mais? Na hora dos flashbacks! Agora na maioria das festas os convidados são presenteados com plumas, óculos e aqueles balangandans todos, e é como se isso fizesse com que as pessoas se libertassem e esquecessem determinadas regras. E daí simplesmente se jogam na pista como se não houvesse amanhã. E pode ver, todo mundo sabe cantar, embora não admita. Quem nunca foi a uma festa e se acabou de dançar ao som de “It’s Rainning Men”, “YMCA”, “Dancing Queen”, “I Will Survive” e “Whisky a Gogo”? Eu gosto de músicas de estilos diferentes e épocas diferentes. Já cansei de ouvir “Nossa Juliana, mas que gostinho você tem, hein?” e também que eu ouço música de gente velha, que aquela música já ta passada, que veio do fundo do baú. Ta, mas e daí? O fato de ser antiga faz a qualidade dela se perder? Não. Ela continua ótima, do mesmo jeito que há tempos atrás. E aposto que muita gente também já passou por isso. Comigo teve um belo dia em que meu celular tocou e ficaram extremamente surpreendidos pelo toque ser “Highway to Hell” do AC/DC e fui obrigada a ouvir que a música era ultrapassada e que não era a música certa para o celular de uma menina. COMASSIM GENTE? Rock é ultrapassado? Música tem sexo agora? Não entendi o raciocínio. Mas né, vamos voltar ao assunto antes que eu perca o foco. As vezes eu percebo que muita gente (mas muita gente mesmo!) tem seu gosto influenciado pelo que a maioria gosta e ouve. Por exemplo, a música “I Gotta Feeling”, do Black Eyed Peas. Quantas pessoas você já não ouviu dizer que essa é música da vida delas? É começar a introdução que sempre aparece um que grita: “MINHA MÚSICAAAA!11!1!!1”. Tá, vamos as considerações antes que venham as pedras. A música é boa? Pode ser. A banda é boa? Até que sim. A pessoa tem o direito de considerar essa a música da vida dela? Lógico que tem. Mas daí chegamos onde eu queria chegar com isso: A pessoa gosta da música porque gosta mesmo, se identificou com o som e a letra, ela fez parte de algum momento importante ou é simplesmente porque tá na moda e ela copiou a opinião de alguém? Pra mim é tipo a banalização da trilha sonora da vida das pessoas. Não tô criticando gostar dessa música, especificamente. O problema não é a música em si mas quem diz esse tipo de coisa. Porque essa pessoa que considera a música que é hiper mega blaster hit do momento a música da vida é quem vai trocar a trilha sonora da vida quando aparecer uma mais super hiper mega blaster hit que a anterior, e assim vai trocando de novo e de novo e de novo. E pode reparar que essa pessoa que age assim é quem critica o fato de você ouvir uma música de 15/20 anos atrás com o argumento de que é velha. (Se preferir, substitua “I Gotta Feeling” por aquele horror de “Papanamericano” que dá praticamente no mesmo). E não tô falando tudo isso simplesmente porque eu não gosto desse tipo de música popzinha porque eu gosto sim. Se fosse pra falar do que eu não gosto eu estaria falando de sertanejo, o que não é o caso. E se fosse o caso entraria o fato de que meu noivo adora sertanejo e nem por isso eu deixei o meu eu de lado pra acompanhar os gostos dele e vice versa. E também eu ouço rádio, por isso nada me impede de gostar de alguma coisa nova. O que me incomoda é o fato de ver por aí esse bando de gente parecendo xerox uns dos outros, e que até gostam de outras coisas mas pra se sentirem ‘aceitos’ pelos outros precisam gostar do que esses outros gostam e ser o que a sociedade/a mídia/whatever querem que eles sejam. O que falta de repente é personalidade pra assumir o que gosta de verdade e ser feliz com isso.
Bom, isso é o que acho. Vomitei um desabafo. E você, acha que a música tem prazo de validade? Tem vergonha do que ouve ou assume o que gosta numa boa? Já se sentiu pressionado de alguma maneira a mudar os seus gostos?

{Juliana Bassan Ayon}

os gifs são daqui
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calabouço

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Amar e guardar pra si. Não guardar o amor, guardar a pessoa amada. Esconder em uma caixinha bem lá no fundo do baú. Ninguém pode ver, é só seu. Querer o sorriso da pessoa amada só para si mesmo, sem dividir um tiquinho de nada com ninguém. Trancar numa redoma de vidro pra assim ninguém se aproximar e roubar de você. E com isso fazer com que a pessoa amada se anule e se esconda atrás desse amor possessivo, que na verdade é uma nuvem escura de insegurança e falta de amor próprio. E esse ser que é amado desse jeito não tem muita personalidade, acaba vivendo uma vida dupla por se deixar dominar desse jeito. Na frente dos outros continua sendo o mesmo de antes, irradiando brilho e alegria. Mas, quando está junto do amor possessivo, esse indivíduo some, pois se esconde e a sua luz se apaga. Ta lá a coleira no pescoço de novo, sufocando todo o brilho interior. E a única coisa que brilha são os olhos de quem colocou a coleira, brilha de orgulho por fazer com que ninguém mais admire nada ali. Funciona mais ou menos como uma kriptonita, suga toda a energia e descarrega toda a força, deixando ali um peso morto. E daí esse indivíduo, vítima de tanta possessividade, divide-se entre ser ele mesmo e um personagem agindo somente do jeito que o tirano do amor quer. Vai indo assim até que o seu eu de verdade some porque ele se esqueceu de quem era. E sobra o bobo da corte em forma de marionete.

{Juliana Bassan Ayon}

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evolucionismo

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É interessante como mudamos e amadurecemos em tão pouco espaço de tempo. Dia desses andei lendo uns textos antigos meus e me surpreendi em ver como hoje sou diferente daquela Juliana de dois anos ou até alguns meses atrás. Escrever tem dessas coisas e publicar o que você escreve também. Ajuda a gente a se conhecer melhor. Algumas coisas que eu escrevi chegam a ser bobas até, e quando lembro do que me fez escrevê-las me sinto estranha. Alguns textos parecem ter sido escritos por outras pessoas. E em outros poucos ainda consigo enxergar um pedacinho daquilo dentro de mim.
Mas tudo o que foi escrito é o meu eu. Sou eu em momentos de angústia, sou eu em momentos de raiva, sou eu em momentos de desilusão. Pedaços de mim em formato de texto. E até engraçado ver como a forma de enxergar as coisas mudam, como antes uma coisa era tão importante e hoje não faz o menor sentido. E coisas que antes eram consideradas fúteis hoje fazem todo o sentido. A diferença é que eu cresci.

 

E ano que vem aposto que se eu entrar aqui fuçar esses textos que ando escrevendo ultimamente vou estranhar da mesma maneira que estou estranhando os textos antigos hoje.

É a evolução, minha gente, a evolução.

{Juliana Bassan Ayon}

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média

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Eu passava vontade. Não falava. Guardava tudo pra mim. Assistia tudo de camarote e não me envolvia. Tinha medo de arriscar. Vivia no meu mundo de ilusões e ficava contente com as histórias que eu criava na minha cabeça, pra dar uma alegradinha na minha vida monótona. Até hoje fico pensando em como seria diferente se eu tivesse agido de outra forma.
Aí eu cansei e mudei o meu lema de vida. De agora em diante seria: “Se é pra se arrepender que seja de ter feito do que de não ter tentado.” E eu comecei levar isso a sério. Entrei de cabeça com a cara e a coragem. Parei de passar vontade. Fui idiota. Fui uma trouxa. Fiz besteira. Chorei que nem uma besta depois por não ter dado certo. Magoei algumas pessoas e essa deve ter sido a pior parte. Tomei muitas decisões erradas. Enfiei o pé na jaca. E até hoje fico pensando em como seria diferente se eu tivesse agido de outra forma.
E aí Juliana, o que compensa mais? Nem um e nem outro. De nenhum jeito eu fui feliz. Hoje em dia, mais madura, eu vejo que eu nunca soube dosar as coisas. Nunca soube encontrar o meio termo. E agora eu sei que na vida as coisas não podem ser tratadas como 8 ou 80, uma média já tá de bom tamanho.

{Juliana Bassan Ayon}

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essas declarações de amor…

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“Você não sabe quanta coisa eu faria, além do que já fiz.
Você não sabe até onde eu chegaria pra te fazer feliz.”
Li isso há muito tempo pela primeira vez em uns rascunhos que minha mãe tinha. Era de um caderno onde ela escrevia coisas legais e bonitas e guardou. E eu herdei isso dela, tanto o caderno quanto a mania de escrever. Primeiro comecei nos cadernos também, devo ter uns quatro ou mais, e depois passou pros blogs. Já fiz muitos, já deletei todos e enfim parei com esse. Mas não é disso que queria falar. É dessa frase aí em cima e no quanto um dia eu já achei lindo esse tipo de declaração de amor.
Descobri hoje que essa frase é de uma música do Roberto Carlos, nada surpreendente uma vez que mamãe é fã dele. Pode ser linda, romântica e o escambau, mas não faz mais meu gênero de declaração de amor. Não entra mais na minha cabeça esse tipo de amor em que você se anula em função de outra pessoa. Você viveu, sei lá, 20 anos da sua vida sozinho, por você, com as suas próprias pernas e não é por causa de alguém que você conheceu há 3 meses que você vai perder o ar. Não acho mais correto dizer “Minha vida é você” porque sua vida é formada por tanta gente que chega a ser idiota centralizar tudo em uma pessoa só. Muitas vezes uma pessoa que nem merece essa dedicação toda. E normalmente essa pessoa que não vale nada te larga e você fica lá, querendo morrer. Decepção de amor não mata e pé na bunda também não. Dói muito. Mesmo. Mas não mata ninguém.
Eu namoro há 9 anos e dentro desses 9 anos tem 4 anos e meio que sou noiva. É lógico que eu quero que seja pra sempre e eu acredito nisso. Eu me esforço pra isso. Mas se algum dia não der mais certo, beleza. Eu vou chorar, me descabelar e fazer um dramalhão só, afinal tenho um lado ‘drama queen’ que aflora de vez em quando. Mas passa. Uma hora passa. E é numa hora dessa que as pessoas de quem você abriu mão quando dedicou sua total atenção e amor a quem te largou vão fazer falta. Nosso coração tem amor pra todo mundo, só falta aprender a distribuir de maneira que não sobre de um lado e falte do outro. E também precisa sobrar uma parte pro amor próprio, pra manter a auto-estima. Existe a possibilidade de dizer “eu te amo” sem se anular, sem se desmerecer, sem colocar a pessoa amada em um pedestal. Porque ninguém é perfeito. Nem eu sou e nem você é.
Já me senti meio egoísta pensando dessa maneira, admito. Mas hoje não vejo mais assim. Não acho certo centralizar minha vida a uma pessoa só, meus planos vão além disso. Se minha maneira de ver isso está certa? Não sei. O que eu sei é que hoje isso é o que mais faz sentido dentro da minha maneira de enxergar o amor.

{Juliana Bassan Ayon}

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