Pensamentos soltos

Para ler ouvindo:
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De repente eu me vi ali sozinha, abandonada, sem ter pra onde correr. Mas será que alguma dia eu realmente estava acompanhada? De verdade mesmo? Será que quem meu coração acusa de ter me abandonado estava realmente do meu lado? Não dá pra saber, não tô dentro daquela cabeça ou daquele coração pra saber o que se passa. Tudo é muito confuso e depende muito de pontos de vista. Sempre existe os dois lados da história. Ou três, ou quatro. E nenhum nunca é igual ao outro. Posso estar certa pra mim, super errada pra alguém e mais ou menos com razão pra outro. E qual vai ser o final dessa história? Não sei. As vezes eu queria não ser tão orgulhosa e ir atrás, mas eu tenho um certo bloqueio em fazer isso. Eu sinto tanta falta, ai como eu sinto. E admito. Mas não conto, tá aqui guardado só pra mim. Por medo e por insegurança, já que eu tenho a impressão de que o meu espaço já foi preenchido. Por que se realmente eu fizesse falta, me procurariam, não? Ou pode ser que o orgulho do lado de lá seja igual ou até maior que o daqui. E daí fica um lado querendo se aproximar do outro, mas sempre esperando o outro tomar a iniciativa. Não sei como é que chegou nesse ponto e eu queria muito que não tivesse chegado. Mas vou fazer o que? A culpa não é só minha. E sabe, acho que nunca mais voltaria a ser a mesma coisa. Passou o tempo, passou a vez. Passou a minha vez, já era.

{Juliana Bassan}

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Tá me vendo?

Tem dias que eu queria ser invisível, pra que ninguém pudesse vir me tirar do meu canto, do meu mundinho e dos meus pensamentos. Pra que eu pudesse ver a vida sem ser vista, só observar.
Mas tem dias, como hoje, que eu queria tanto ser vista, notada, me sentir amada e reconhecida e é aí que eu fico invisível de verdade. Irônico, não?


{Juliana Bassan}


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Dá pra ter um pouco mais de respeito?

Chamar alguém de incompetente não faz com que a tua competência aumente, chamar alguém de burro não te deixa mais inteligente, chamar alguém de gordo não te deixa mais magro e chamar alguém de feio não vai te fazer ficar mais bonito. Por que ofender assim, então? Por que gritar aos quatro ventos os ‘defeitos’ dos outros? Qual a graça de machucar alguém dessa maneira? Não consigo mesmo entender. E o que mais me irrita é que isso não faz sentido nenhum, porque não resolve nada, simplesmente piora a situação. E pior ainda é quando quem critica, aponta o dedo, ofende e cutuca a ferida, faz igual ou até pior. Será que um dia as pessoas vão aprender a se respeitar de verdade?
{Juliana Bassan}
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Tá pensando que me engana?

Atitudes, palavras, ações. Será que é tudo de verdade mesmo? Tudo é extremamente calculado só pra ganhar o carinho das pessoas? Ou pode ser só a maneira de ser? Essa dúvida vem pairando na minha cabeça. E confesso que, as vezes, fico com medo de estar sendo injusta. Porque eu não sou ninguém pra julgar, mas quem é que consegue? Principalmente quando, de alguma maneira, isso te prejudica. E muito.
Eu não gosto de pessoas que guardam os seus defeitos em um baú escondido embaixo da cama e se proclamam rainhas da moral e dos bons costumes. Eu escancaro os meus. Quer gostar de mim? Que goste assim. Mas tem gente que tem tanta necessidade de se sentir querida, que age dessa maneira até que inconscientemente. E daí quer ser sempre o centro do universo, quer que as atenções sempre estejam voltadas pra ela. A pessoa sempre sabe de tudo, entende de tudo, tem os melhores exemplos, as melhores opiniões. Em toda conversa, independente do assunto, sempre toma a frente e transforma o diálogo em monólogo. E a platéia fica muda, estática, impressionada e maravilhada com tanto conhecimento. Todo mundo se encanta, inclusive eu me encantei num primeiro momento. E daí vem a cartada final: presentes e mimos! Atire a primeira pedra quem não gosta de ganhar presentes? Todo mundo gosta de se sentir mimado, querido e ‘especial’. E a tudo isso adicione a cara de quem é a pessoa mais doce e inocente do universo. Pronto, conseguiu o que queria. Todo mundo acreditou.
Mas ninguém consegue manter um ‘personagem’ por todo o tempo, e eu comecei a ver algumas falhas no roteiro. Eu sou falante, tagarela, mas até conhecer bem a pessoa, observo mais do que falo. Sempre é assim, é uma coisa minha. E numa dessas vezes em que eu só observava, eu vi uma brecha. Pequena, mas vi. E isso me fez começar a acreditar que tudo aquilo não passava de um show. E observando mais ainda, percebi que não era só uma falha, mas várias. Que alguns comportamentos não estavam condizendo mais com o personagem inicial. Num impulso, falou o que realmente pensava e depois teve que correr pra recuperar o prejuízo. Começou criticar nos outros os erros que tinha acabado de cometer. E minha ficha caiu.
Comentei com algumas pessoas a minha impressão, os meus pontos de vista e quase fui apedrejada! Como eu ousava desconfiar de uma pessoa tão maravilhosa assim? O feitiço estava fazendo efeito. E eu era a bruxa malvada com inveja da princesa indefesa. Parei e me perguntei se eu podia ter me enganado, mas tudo estava perfeitamente claro pra mim. Até que alguém concordou, e me disse que via exatamente o que eu estava vendo. Não tô tão louca quanto parece. E ouvi depois certos comentários de outros que já estavam se cansando de tanta perfeição e até irritados com certas atitudes. Posso estar errada? Posso. Mas não descanso enquanto não descobrir a intenção real que tem por trás disso.

{Juliana Bassan}

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Eu e Você, Você e Eu.

Para ler ouvindo:

Você é a minha surpresa diária. Quando eu penso que você vai dizer uma coisa, você diz outra completamente diferente. Quando eu penso que o meu raciocínio é o mais lógico, vem você e me mostra que as coisas podem ser bem mais simples do que o meu modo exagerado de encarar as coisas.Você tem as melhores respostas pras minhas perguntas. Você me surpreende com o seu jeito peculiar de ver a vida e me faz enxergar que eu ainda tenho muito a aprender. E que nem tudo é pra ser levado tão a sério como eu levo. E que a vida é mais prática do que a gente pensa.

Você cuida de mim, embora eu às vezes não dê o valor merecido pra isso. Quando eu menos espero, você pega na minha mão e aperta firme, e faz o nosso código secreto. Parece que você sempre sabe exatamente que era isso que eu tava precisando naquele momento. Não precisa palavras, basta a sua mão na minha, apertando devagar, duas vezes e depois mais duas e depois mais três, sem alarde, declarando em silêncio que me ama. E depois o olho no olho, a cumplicidade, a certeza de que ninguém percebeu que ali tinha uma declaração de amor enorme, linda, e secreta. Só nossa, nosso momento, nosso amor.
-Juliana Bassan Ayon
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Cinco coisas

Quero apenas cinco coisas
Primeiro é o amor sem fim
A segunda é ver o outono
A terceira é o grave inverno
Em quarto lugar o verão
A quinta coisa são teus olhos
Não quero dormir sem teus olhos
Não quero ser… sem que me olhes
Abro mão da primavera pra que continues me olhando.
Pablo Neruda
essa linda na foto é a LiLo, a gata do meu irmão.
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Felicidade onde está?

Para ler ouvindo:
“Happiness feels a lot like sorrow”
Quantas vezes em algum momento em que tudo dava errado nós não nos perguntamos por que a dona Felicidade não bate a nossa porta? Muitas e muitas vezes. Eu já fiz isso milhares de vezes e me perguntei isso repetidas vezes nas últimas semanas. Por que não acaba o sofrimento? Por que não começa a dar tudo certo? Por que não se resolvem todos os meus problemas? Felicidade pra ser completa tem que ser completa, ora! Não serve pela metade. E quando algo dá certo sempre falta outra coisa e parece que nunca é bom o suficiente. Tem que estar tudo resolvido e nada fora do lugar. Mas depois de tanta turbulência acabei chegando à conclusão de que ela não vem em abundância, como a gente queria que fosse. Ela vem aos poucos, um tiquinho por dia. E o que a gente precisa aprender é aproveitar cada grão de felicidade que nos é arremessado. Tirar proveito de cada coisa que acontece por mais boba que seja. E ser feliz, deixar a felicidade entrar no tempo dela, nesse pouquinho por dia e sem pressa. E juntar tudo no coração, mas não guardar só pra si. Distribuir porque assim ela se multiplica. Um sorriso hoje, um abraço amanhã, uma realização na segunda, uma palavra amiga na terça, um conselho que precisava ser ouvido na quarta, um afago do seu bichinho de estimação na quinta, a diversão com os amigos da sexta, uma paisagem de tirar o fôlego no sábado…
Aliás, o que me fez enxergar tudo isso foi essa beleza de paisagem que ilustra esse post, que ‘apareceu’ pra mim num dia em que eu estava super pra baixo, desiludida com a vida, com as pessoas e comigo mesma e vinha andando na rua perdida nos pensamentos e me queixando com Deus sobre o porquê de tudo ser sempre tão difícil. Daí percebi um clarão misterioso atrás de mim. Por um momento pensei que fossem os refletores da quadra da praça em que eu estava. Estiquei o braço pro lado e vi a luz amarelada nele, virei pra trás e dei de cara com esse presente. E fui atingida em cheio, sem poder me defender ou resistir. Do que eu estava reclamando mesmo? Eu tinha aquele céu lindo, só meu naquele instante. Eu entendi o recado. E me senti estúpida e ingrata. E pedi desculpas por reclamar de barriga cheia.

Por sorte eu estava com a câmera na bolsa e pude fotografar, pra recordar sempre daquele momento, o dia em que a felicidade jogou uma gotinha dela pra mim e eu a transformei num oceano.

-Juliana Bassan Ayon

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