o inesperado.

trilha sonora: Under Pressure – Queen & David Bowie 
“Can’t we give ourselves one more chance?
Why can’t we give love that one more chance?”
M (2)
Fogos, barulho, festa. Ano novo e geral ali comemorando na praia a chegada de 2017. Eu estava em pé na areia, olhando o mar, sentindo os pingos de chuva ensoparem aos poucos o meu cabelo e as minhas roupas. Lembrei que não tinha tirado o sapato e peguei nas mãos antes que estragasse. Finalmente tinha acabado, finalmente era ano novo, parecia que eternamente seria 2016. Eu desejei uma sensação de alívio, de libertação. Mas a angústia continuava ali. E eu não me aguentei e chorei.
 
No primeiro minuto do ano eu chorei feito um bebê. Minhas lágrimas molhavam o meu rosto e iam se misturando com a água da chuva, deixando a cara lambuzada. Graças a chuva eu consegui disfarçar por um tempo a choradeira, só que não teve jeito e a cara vermelha me entregou. Fui flagrada no meu primeiro descontrole do ano.
 
Essa virada não teve trilha sonora, como todos os outros anos. Foi só silêncio e soluço. E nem 10 minutos depois da virada eu voltei pro apartamento porque só queria colocar pijama e dormir. Atravessei a avenida de cabeça baixa, sem olhar pra nenhum lado. Na rua seguinte um carro parou devagarzinho bem perto de mim e percebi que o motorista me olhava com a testa franzida, talvez se perguntando o motivo do meu choro. Abaixei a cabeça e continuei andando, envergonhada, tentando esconder o rosto das outras pessoas que passavam por mim e tentando não escancarar a minha fraqueza e assim evitar de ser julgada. Virei a esquina e passei no meio de algumas pessoas que estavam indo para a praia e senti uma mão segurando meu braço. Olhei buscando um rosto familiar e vi uma senhora desconhecida. Ela me disse sorrindo: “Ô moça, não chora não.” Me puxou pra um abraço e me desejou feliz ano novo. E complementou o abraço dizendo: “Não faço ideia do que é que tá te fazendo chorar, mas vai passar, vai ficar tudo bem.” Eu desabei na frente daquela senhora desconhecida na rua. O nariz entupiu, o choro escorreu mais ainda. Eu acenei com a cabeça, embora na hora não acreditasse que ficaria tudo bem, e no reflexo tirei meu braço da mão dela e depois saí correndo feito bicho assustado pra casa. Eu só queria fugir da realidade mergulhando a cara no travesseiro e foi o que eu fiz. Mas esse foi o primeiro gesto bom de alguém pra mim em 2017, foi minha absolvição. E aquela senhora nem imagina que aquele abraço salvou meu dia.  
 
Daí hoje tava lembrando desse abraço inesperado e dessa senhora desconhecida. De empatia e de como podemos fazer a diferença na vida dos outros. Porque agora está ficando tudo bem, como se ela tivesse feito uma profecia. As coisas estão começando a ficar bem de novo. No conforto do abraço de uma desconhecida veio a minha sentença. E, mesmo sem conhecer a minha história, ela acertou.
 
Vai passar. Uma hora tinha que passar. E vai ficar tudo bem.
 
– Juh, até que enfim bem.


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stop the mimimi!

para ler ouvindo: Friends Will Be Friends  – Queen 
’cause friends will be friends right till the end
Essa é uma das frases feitas que mais me incomoda. E essa imagem aqui, com a metade da frase riscada dando uma nova perspectiva me parece mais real e menos egoísta. Essa frase me incomoda porque quem a diz está enxergando apenas o próprio umbigo, apenas o seu lado da história. Muita coisa acontece na vida da gente e na vida de todas as pessoas ao nosso redor. E é bem mais fácil ficar de mimimi choramingando por ter sido ~esquecido~ do que avaliar o motivo da ausência e ser um amigo presente. Porque amigo não é só pra hora boa, né? Amigo que é amigo tá do lado na hora do perrengue também. Serviria também pra reavaliar a própria conduta. Porque esse alguém pode ter motivos pra não se interessar mais pela sua companhia, ué. Cada caso é um caso. Por trás de cada caso, há uma infinidade de possibilidades. Por isso antes de julgar e se vitimizar não é melhor repensar e rever os seus conceitos? 🙂
a foto com a frase é daqui.
o cartaz é daqui
 
 
Juh, mimimizando pelo que os outros mimimizam. 🙂
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tudo bem

 

 

 

Tudo vai bem.
Vai ficar tudo bem.
Sim, eu sei. Vai chegar o dia que tudo vai ficar realmente bem.
E daí tudo fará sentido, todo o sentido que eu espero.
Não tenho medo de cair de novo, e mais outra vez lá na frente se for preciso.
Porque eu acredito que no final, tudo vai ficar bem.
Sim, vai ficar tudo bem.
-Juliana Bassan Ayon

 

o gif é daqui
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músicas e clipes favoritos – parte 22

Hoje é dia Mundial do Rock, bebê! Mas por que 13 de julho é o dia mundial do Rock?

No dia 13 de julho de 1985 Bob Geldof, vocalista da banda Boomtown Rats, organizou aquele que foi o maior show de rock da Terra, o Live Aid. Houveram dois shows, sendo um no lendário Wembley Stadium de Londres e outro no JFK Stadium na Filadélfia (EUA). O objetivo principal era o fim da fome na Etiópia e contou com a presença de artistas como The Who, Led Zeppelin, Dire Straits, Madonna, Queen, Joan Baez, David Bowie, BB King, Mick Jagger, Sting, Scorpions, U2, Paul McCartney, Phil Collins, Eric Clapton e Black Sabbath. Foi transmitido ao vivo para diversos países e alcançou uma audiência de cerca de 2 bilhões de telespectadores em todo o planeta, em cerca de 140 países, abrindo os olhos do mundo para a miséria no continente africano. O Live Aid conseguiu em 16 horas de show acumular cerca de 100 milhões de dólares, totalmente destinados ao povo faminto da África.

20 anos depois, em 2005, Bob Geldof organizou o Live 8 como uma nova edição, com estrutura maior e shows em mais países, com o objetivo de pressionar os líderes do G8 para perdoar a dívida externa dos países mais pobres e assim tentar erradicar a miséria do mundo.

Fala se não é legal saber que esse dia não foi escolhido aleatoriamente e sim por uma boa causa dessa?

Vou confessar que foi difícil escolher uma só música pra esse post comemorativo. Pensei em tantas, considerei letras, melodias, clipes… Mas no fim escolhi essa:

 

Além de ser um clássico, também tem a ver com o meu estado de espírito de hoje.

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Eu e Você, Você e Eu.

Para ler ouvindo:

Você é a minha surpresa diária. Quando eu penso que você vai dizer uma coisa, você diz outra completamente diferente. Quando eu penso que o meu raciocínio é o mais lógico, vem você e me mostra que as coisas podem ser bem mais simples do que o meu modo exagerado de encarar as coisas.Você tem as melhores respostas pras minhas perguntas. Você me surpreende com o seu jeito peculiar de ver a vida e me faz enxergar que eu ainda tenho muito a aprender. E que nem tudo é pra ser levado tão a sério como eu levo. E que a vida é mais prática do que a gente pensa.

Você cuida de mim, embora eu às vezes não dê o valor merecido pra isso. Quando eu menos espero, você pega na minha mão e aperta firme, e faz o nosso código secreto. Parece que você sempre sabe exatamente que era isso que eu tava precisando naquele momento. Não precisa palavras, basta a sua mão na minha, apertando devagar, duas vezes e depois mais duas e depois mais três, sem alarde, declarando em silêncio que me ama. E depois o olho no olho, a cumplicidade, a certeza de que ninguém percebeu que ali tinha uma declaração de amor enorme, linda, e secreta. Só nossa, nosso momento, nosso amor.
-Juliana Bassan Ayon
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amor de verdade?

Para ler ouvindo:

Afinal, o que é amor verdadeiro? Quem nunca se pegou fazendo essa pergunta pra si mesmo? Difícil de entender, difícil de explicar, complicado de sentir… O amor é, na minha opinião, o sentimento mais complexo e também muito fácil de ser confundido. Quem nunca confundiu amizade com amor, paixão com amor e até admiração com amor? Não que amizade não seja um tipo de amor. É sim. Mas não tô dizendo do amor fraternal e sim o amor entre um casal. Amor não é só pele, química, beijo na boca e cama. Amor é mais que isso e, embora a paixão e o sexo sejam importantíssimos dentro de um relacionamento, não são tudo. É claro que ter alguém que sabe te pegar do jeito certo, fazendo você ficar com as pernas bambas e esquecer do resto do mundo quando te beija é maravilhoso. Mas também é preciso que isso venha acompanhado de companheirismo, amizade, cumplicidade. É quando acontece a mistura de tudo isso que a gente tem certeza que está amando. É preciso se sentir bem e confortável ao lado de quem se ama. E não ter segredos. Viver como dois e não como um só. É ter sonhos em conjunto e não ambições egoístas. É sentir ciúmes, mas não impedir o outro de viver por isso. É perceber pelo tom de voz que tem alguma coisa errada e fazer o possível pra ajudar. É parar o mundo pra ouvir o que o outro tem a dizer. É admirar o outro por dentro. Porque a gente não vai ter um corpo perfeito pra sempre, pra manter o tesão. Só sexo não dá base pra um relacionamento, não. Faz perder a graça. Na hora em que estivermos casados vão chegar as contas pra pagar, vamos ter a casa pra manter, os filhos pra criar. E se um não souber ser companheiro suficiente do outro, já era. Por mais que o sexo seja fantástico não vai ser o suficiente pra manter o relacionamento em pé.
Eu quero casar pra vida toda, pra construir uma vida junto dele, formar uma família, pra admirar cada ruga que nascer, pra ficar o domingo inteiro enfiada na cama juntos vendo Tv, pra ir envelhecendo lado a lado e essas coisas assim. Piegas? Pode ser. Mas eu quero que seja assim. Porque eu penso que quando estivermos velhinhos, não vamos ter o pique de agora pra sair, viajar, namorar. E o que vai contar é a amizade, a admiração, o cuidado, a conversa e a maneira que vamos passar o nosso tempo juntos. E como vamos fazer pra deixar o outro bem, sorrindo e feliz. Amor não é só pensar no presente, é planejar o futuro também. É se enxergar junto com a pessoa daqui há 50 anos e por analisar muito bem a relação, saber que vocês tem os ‘quês’ que farão a diferença mais tarde.

Pra mim Amor é isso. E pra você?

-Juliana Bassan Ayon

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